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Crítica: Shazam! (2019)

poster shazam melhores filmes de 2019O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Shazam! possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

NO MEIO DOS FILMES DE HERÓIS É COMUM AFIRMAR QUE OBRAS MAIS RECENTES SÃO SUPERIORES AO QUE VEIO ANTES. Shazam! (2019), comandado por David F. Sandberg, começa a receber esses mesmos elogios comparando-o com Mulher-Maravilha e/ou Aquaman, e aproveitando a oportunidade para criticar a visão de Zack Snyder para Batman vs Superman ou Liga da Justiça.

A real é que Shazam! é como se fosse uma releitura de Quero Ser Grande (aquele filme antigo da época em que o Tom Hanks tinha cabelo) adicionando uma capa de herói. E os super-poderes, óbvio. Sabem aquelas histórias de amadurecimento? O tal do coming of age, que eles dizem? Quando os moleques começam a ganhar responsabilidade e a vida adulta não parece tão longe assim? Pois é. Shazam! é isso.

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É como se a Warner quisesse fazer uma versão menos hardcore de Deadpool, sabe? Isso rende belas gargalhadas no meio das várias cenas de ação ou em momentos que, já transformado num herói grandalhão com uma fantasia vermelha pouco chamativa, Billy decide fazer aquilo que todo adolescente deseja: comprar cerveja ou ir num puteiro.

Deliciosamente divertido, a obra destaca bem o lado problemático de Billy e sua busca pelo paradeiro da mãe. Fugindo de lares adotivos e criando problemas, Billy prefere não se envolver ou criar conexões com as pessoas porque não acredita que precisa ter uma família. Aos poucos, Billy vai amadurecendo e entendendo o verdadeiro conceito de família.

O herói vivido pelo Zachary Levi (perfeito em cena e nos convencendo facilmente que é um adolescente) tenta descobrir seus poderes aos poucos em sequências hilárias (mas que não chegam a ser escrachadas ou tão violentas quanto as de Deadpool) em que ao lado do irmão adotivo Freddy (vivido por Jack Dylan Grazer, de It – A Coisa), ele registra suas habilidades mágicas.

O que parecia caminhar para uma bela relação de cumplicidade entre os dois jovens (lembrando bastante Quero Ser Grande, que inclusive ganha uma breve referência numa briga dentro de uma loja de brinquedos quando Billy pisa num teclado gigante), acaba se tornando num conflito. Billy não sente que precisa mais ser um adolescente e decide simplesmente ganhar a vida cobrando dinheiro para tirar foto com as pessoas, sem nunca tomar partido ou responsabilidade do que acontece ao seu redor.

Nesse momento em que os irmãos adotivos brigam, o vilão vivido por Mark Strong passa a perseguir Billy e tenta roubar seus poderes para não correr riscos de ter seus planos maquiavélicos arruinados. Inclusive, Strong é um dos pontos altos do longa. Seu tom sombrio e sério encaixa perfeitamente no desenvolvimento da história. Sem perder mais tempo que o necessário, o roteiro explica suas motivações e isso fortalece o personagem na medida certa.

Curioso notar como um diretor que veio do cinema de terror (Quando as Luzes Apagam e o excelente Annabelle 2) possui um timing de humor tão apurado para conduzir essa história com tamanha sensibilidade. A partir do ato 2, quando Billy ganha seus poderes e cria uma relação sincera de amizade com Freddy, a obra ganha seus melhores momentos. Até chegar no ato 3, com uma gigantesca batalha em que todos os irmãos adotivos de Billy se unem (ganhando super poderes) para combater as criaturas maléficas que cercam o assustador vilão.

Shazam! é diversão de primeira. Do começo ao fim, a narrativa surpreende e faz seu público rir com as palhaças do protagonista e na forma como as crianças enxergam o mundo adulto. Além de nos presentear com uma inusitada produção sobre essa transição da adolescência para a vida adulta que costuma render produções incríveis.

Sem precisar de comparações entre qual seria a melhor adaptação da DC (uma bobagem perder tempo com isso, como se algo pudesse superar O Cavaleiro das Trevas algum dia), Shazam! se destaca justamente por ser um personagem desconhecido do grande público, o que permite ao time criativo uma boa dose de alívio e liberdade para desenvolverem a história da melhor forma possível. Sorte a nossa!

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