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Diário de Um Jornalista Bêbado

EM TEMPOS ONDE A MELHOR COISA QUE JOHNNY DEPP HAVIA FEITO NO CINEMA FOI A PARTICIPAÇÃO ESPECIAL EM ANJOS DA LEI, Diário de um Jornalista Bêbado, de Bruce Robinson, é uma bela novidade e deixa claro que o ator ou é um preguiçoso de marca maior ou simplesmente não consegue se desvencilhar da sina do pirata Jack Sparrow apenas por uma forte pressão dos estúdios, que sem dó costumam interferir nas decisões criativas do diretor na forma de conduzir seus atores. Depp interpreta o alter-ego do lendário jornalista Hunter S. Thompson, que aliás escreveu o romance que deu origem ao filme.

Depp já está familiarizado com o universo de Thompson, afinal no final dos anos 90 encarnou o escritor no alucinógeno Medo e Delírio em Las Vegas, de Terry Gillian. Em Diário de um Jornalista Bêbado, ele interpreta Kemp, um jornalista freelancer que abandona os EUA para trabalhar num jornal fuleiro em Porto Rico. O detalhe é que ele é um alcoólatra maluco que logo se meterá em apuros ao conhecer melhor a cultura local e o quanto ela poderá influenciar no seu trabalho. Para complicar a situação, ele logo se apaixona perdidamente pela mulher de um homem bem influente na região, interpretado por Aaron Eckhart.

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Para quem já é iniciado no universo maluco de Thompson, não será nenhuma surpresa assistir ao uso mais inusitado (e engraçado) de “lança-chamas” no cinema e nem o quanto o começo de uma relação proibida pode ser deliciosa e provocante. Meio arrastado em alguns momentos, mas brilhante em outros, o grande chamariz da produção é mesmo a brilhante atuação de Depp, que é um farrapo humano com lapsos criativos capazes de atrair muitas atenções. Amber Heard (Fúria Sobre Rodas) é outra bela surpresa, deixando de ser apenas o interesse sexual dos personagens principais. Richard Jenkins faz uma divertida participação no filme e novamente, tem a chance de interpretar um personagem diferente do que o público geralmente tem a oportunidade de conferir.

Diário de um Jornalista Bêbado marca o começo do jornalismo gonzo e de todas as loucuras que Thompson viria a realizar em sua carreira. A produção até tenta colocar um pouco de pano na manga investindo no velho conflito entre ética jornalista e “interesses maiores”, mas são nas piadas ácidas (o roteiro oferece várias tiradas espirituosas) e nas constantes bebedeiras de Kemp que repousam o que há de melhor no longa-metragem.

Nota:   

 

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