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Crítica: A Montanha dos Sete Abutres (1951)

 

O brilhante filme de Billy Wilder nos mostra como agem os jornais sensacionalistas. Chuck (Kirk Douglas) jamais estudou Jornalismo e acredita ter aprendido na prática como trabalhar. Começou vendendo jornais e percebeu que não eram as boas notícias que alavancavam as vendas, mas as catástrofes. E, quando se depara com o que deveria ser apenas um simples incidente, começa a usar todos os recursos para tirar proveito da situação, enquanto ensina ao jovem, inocente e estudado Herbie suas artimanhas.

Chuck transforma alguém que seria seu inimigo em amigo por conveniência, mostra por que o seu jeito de trabalhar em um resgate é supostamente a mais correta e eficaz, faz com que a região passe a ganhar dinheiro e ainda se apresenta de maneira com que faz que seja visto como herói. No meio de tudo isso, não devemos nos esquecer de alguém muito importante: a pessoa soterrada após o desmoronamento de uma caverna.

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Mais do que mostrar um repórter com vontade de chegar ao topo, A Montanha dos Sete Abutres expõe o quão mesquinhas, cruéis e interesseiras as pessoas podem ser. Claro, os repórteres em geral são facilmente mais criticados perante um procedimento como o retratado, mas nessa história percebemos que dificilmente seria possível que um profissional dessa área conseguisse agir sozinho e, principalmente, que se não fosse pela atenção excessiva que as pessoas dão para certas tragédias, nada disso teria motivo para ocorrer.

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O filme pode lembrar bastante O Quarto Poder, de Costa-Gavras, mas é melhor. Um dos fatores para se chegar a essa conclusão é a época em que o filme foi feito: 1951, muito antes de Todos os Homens do Presidente, A Primeira Página, O Preço de Uma Verdade e de qualquer outro filme que eu me lembre de tratar a profissão de jornalista como o foco da história, então foi bastante original. E não há suspense ou investigação, como é quase certa a presença em filmes com jornalistas. O interesse, aqui, não é descobrir nada, mas observar como é desenvolvida a atividade de noticiar.

Kirk Douglas, de Spartacus, dá o cinismo na dose certa ao interpretar o antiético Chuck. Em diversos momentos do filme surge a vontade de dar-lhe umas boas bofetadas, mas por não ceder às vontades egoístas da materialista esposa do soterrado, essa sensação acaba sendo suavizada.

A Montanha dos Sete Abutres é um filme obrigatório para qualquer estudante da área de comunicação por mostrar como um jornalista deve (ou não) se portar e para qualquer outra pessoa porque, antes de termos uma profissão, somos todos seres humanos.