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Inquietos

APESAR DE 2012 SER O ANO do fim do mundo, 2011 foi um ano repleto de filmes sobre a vida e a morte. Tivemos Melancolia, A Árvore da Vida, A Pele Que Habito e agora Inquietos. Cada um deles fala da vida e da morte de uma forma diferente: Melancolia fala sobre o fim do mundo (entendam por mundo o que quiserem); A Árvore da Vida fala sobre a morte e suas repercussões (isso sou eu dizendo de uma forma muito simplificada, pois esse filme, dos 4 que eu citei, foi o que menos me tocou); A Pele Que Habito fala sobre a morte do corpo; e Inquietos fala sobre a morte morte, ou melhor, sobre o morrer.

Primeiro vamos levar em consideração que Inquietos é o último lançamento do Gus Van Sant (Milk – A Voz da Igualdade), e em se tratando dele, não podemos esperar pouca coisa. O filme conta a história de ou Anabel/Annie (Mia Wasikowska) e Enoch (Henry Hopper), dois adolescentes lidando com a morte: ele não entende porque não morreu e ela está se acostumando com o fato de que vai morrer. Enoch é um rapaz depressivo que gosta de frequentar funerais, e num deles conhece Annie. Os dois começam uma amizade, e quando Enoch descobre que Annie tem câncer e está em seus últimos dias, os dois já estavam apaixonados um pelo outro.

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A morte pra Enoch se faz presente quando num acidente de carro ele perde os pais, morre por alguns segundos, volta à vida e ganha um fantasma japonês, Hiroshi Takahashi, que lutou na 2ª Guerra Mundial por seu país, que se torna a “pessoa” com quem ele passa seus dias, uma espécie de “voz da razão”. Para Annie, a morte se faz presente através de sua doença. A doce Annie tem uma mãe problemática e alcoolista, e uma irmã que assume esse papel de mãe, abdicando de sua vida pra cuidar tanto de Annie como da própria mãe. Os dois compartilham interesses e desgostos enquanto a morte de Annie se aproxima.

Ao mesmo tempo em que está sempre buscando, Enoch está sempre fugindo da morte. Seus pais morrem e surge um amigo imaginário… morto; pra esquecer das merdas da vida ele frequenta funerais de estranhos; conhece uma menina, se apaixona por ela e ela está morrendo. A morte sempre está por perto de todos, mas parece que de tanto fugir dela, Enoch está sempre ao seu redor. Aliás, a morte é também um tema muito presente pro Van Sant, né? Assim como a adolescência/juventude. E como falar de jovens morrendo sem fazer os outros chorarem o filme inteiro? Colocar os dois pra se apaixonarem certamente não foi uma boa ideia! Mas coloca-los pra viver um amor efêmero, intenso e puro, sem que eles mesmos se importassem com a morte (pelo menos na maior parte do tempo).

Mesmo com um tema “pesado”, Inquietos é um filme leve, mas que não deixa de ser emocionante. O casal vive o amor da forma mais simples possível: aproveitando cada momento como se fosse o último; intensamente, porém, carinhosamente. E é interessante ver que os dois vão crescendo um com o outro, a relação deles com a morte vai mudando, mas eles não perdem o caráter juvenil, e até imaturo em alguns sentidos, da adolescência. E isso é refletido nos diálogos dos dois.

Dos 4 filmes citados no início do texto, Inquietos talvez seja um dos mais bonitos, competindo com Melancolia. Essa coisa pueril do filme o deixa mais “acessível”, sem rodeios, sem muitas metáforas. É um filme que me fez repensar minha relação, não muito estreita, com a morte. E eu juro que só chorei no final, por isso vale 3 caipirinhas e um chorinho.

Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Jason Lew
Elenco: Henry Hopper, Mia Wasikowska, Ryo Case

Restless Movie Trailer