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Não Morra Antes de Assistir: Felicidade

De Todd Solondz. Com Philip Seymour Hoffman, Jane Adams, Jon Lovitz, Lara Flynn Boyle

Três irmãs: uma é escritora de sucesso, repleta de admiradores e de belos homens aos seus pés, que lhe proporcionam boas noites de sexo, mas que sente pelo fato de nunca ter sido estuprada quando criança, já que assim ela poderia escrever com conhecimento de causa sobre o assunto, tema de uma de suas obras, e não se consideraria uma farsa; a outra é o modelo ideal da resignação, aceitando todo o tipo de insulto e rebaixamento sem manifestar nenhuma reação, já que qualquer possibilidade de sucesso lhe parece ilusória; o que parece ser de certa forma um conforto para a última irmã já que assim ela pode afirmar pra si mesma que tem uma vida perfeita e feliz, pois tem três belos filhos, sendo que o mais velho deles, com onze anos parece estar com sérios problemas sexuais já que não consegue gozar; quando conversa sobre isto com seu pai percebe-se sua falta de preparo para conversar com seu próprio filho, já que mesmo sendo um terapeuta (que recorre a outro profissional da área para procurar explicações para um sonho que o faz sentir tão bem, embora traga a imagem de um assassinato em massa, cometido por ele) não consegue lidar com seu próprio conflito: é um pedófilo que abusa sexualmente dos garotos do bairro; um de seus clientes, se acha um fracassado que não consegue despertar interesse nas pessoas, já que qualquer um vai achá-lo um sujeito sem graça e entediante à primeira vista, e seu maior prazer é fazer ligações anônimas para números aleatórios da lista telefônica enquanto se masturba ouvindo vozes femininas; sua vizinha tem repulsa à idéia de sexo e prefere, quando é atacada pelo porteiro do prédio, consumar o ato e depois matá-lo torcendo seu pescoço e cortando seu corpo em pequenas partes, guardando-as em sacos no freezer do que evitá-lo; finalmente a mãe das três irmãs, que atribui o fim de seu casamento à sua idade, e consegue aceitar o fato de que seu marido não a ama mais e que quer ficar sozinho, desde que tome o valium na hora certa; seu marido tenta traí-la com uma mulher (apenas um pouco mais) nova, mas quando fazem sexo e gozam ele não sente culpa: não sente nada.

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As atuações, falas, trilha sonora, cenário e figurino são tão exagerados quanto um soco no estômago e o que há de pior da essência humana é jogado na cara do espectador, sem tempo pra respirar ou pra cenas românticas (novamente interrompidas por ações grotescas dos personagens, engraçadas e absurdas). Manipulado, quem vê não sabe se ri ou chora.

Mas é uma comédia, todos são felizes, o filme termina com o espectador dando gargalhadas e ouvindo uma música alegre do REM. Ninguém sai ileso. Assista à Felicidade. Mas incomoda, já aviso de antemão.

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