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Ema (2019) – Crítica do Filme

Pablo Larraín faz um estudo de comportamento sobre a juventude atual, e cria um filme extasiante sobre dança, sexo e novas formas de família.

Depois de uma bem sucedida estreia em Hollywood com Jackie, o diretor chileno Pablo Larraín volta às origens em Ema (Chile, 2019). No filme, conta-se a história de Ema (Mariana Di Girólamo), jovem dançarina que é casada com Gastón (Gael García Bernal), 12 anos mais velho e coreógrafo da companhia de dança da qual ela faz parte. O relacionamento estremece após acontecimentos que os “obrigam” a devolver o filho adotivo para o orfanato.

A protagonista é um retrato da nova geração. Mora em uma cidade turística, porém periférica, relaciona-se sexualmente com homens e mulheres naturalmente; faz o que quer, sem pensar no amanhã; expressa-se através da dança. No caso, o reggaeton, gênero mais popular nos países de língua espanhola e de origem pobre, equivalente ao funk no Brasil.

Ema é um longa sobre relacionamentos, ou melhor, sobre novas formas de se relacionar. Mas é, também, uma produção sobre dança. Aliás, é interessante como a dança vem sendo utilizada em filmes com temáticas até então inusitadas, como aconteceu recententemente em Clímax – disponível na Netflix) -, que é um filme de terror e de dança.

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Larraín acerta ao adotar uma linguagem diferente, como se o filme fosse um grande vídeo clipe. E como em todo clipe, tem muita dança e coreografia. Tudo isso se dá graças a três composições essenciais. Primeiramente, a fotografia estonteante de Sergio Armstrong, que abusa das cores da belíssima e pouca explorada cidade de Valparaíso. Depois, a trilha hipnótica do músico Nicolas Jaar. Em terceiro lugar, e não menos importante, pela performance dos atores, especialmente Di Girólamo, em um trabalho memorável de dança, presença e postura.

O cineasta chileno tem 44 anos e já fez filmes sobre o passado de ditadura e sobre o histórico criminoso da igreja no Chile. Com Ema, ele tenta entender o presente. O filme é uma homenagem a essa juventude, mas sem ilusionismo, afinal, o diretor também mostra as consequências da liberdade. O fato é que isso pouco importa para a nova geração. Assim como Ema, eles vão seguir dançando e tocando fogo em tudo e em todos.

A produção esteve disponível no dia 1º de maio, gratuitamente, em uma ação promocional da plataforma Mubi. Será distribuída no Brasil pela Imovision.

 

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