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A Época da Inocência

a-epoca-da-inocenciaEM 1993, MARTIN SCORSESE já havia se consolidado como um grande diretor de Hollywood. Haviam se passado 20 anos desde o seu primeiro trabalho com Robert De Niro, Caminhos Perigosos, ele já havia feito o musical New York, New York, contado a história do boxeador Jake La Motta em Touro Indomável, concebido a história sobre mafiosos no Brooklyn, Os Bons Companheiros, e dirigido a segunda adaptação de um livro do escritor John D. MacDonald e o resultado foi Cabo do Medo.

Foi então que Scorsese trabalhou na adaptação de um romance de época escrito por Edith Wharton, uma história de amor que levanta questões impostas pela sociedade do século XIX. Alguns anos antes havia sido lançado o furacão Ligações Perigosas, de Stephen Frears, e o mundo clamava por uma nova história arrebatadora. A Época da Inocência conta a história de Newland Archer (Daniel Day-Lewis, de Lincoln), um advogado respeitado que está noivo da jovem e delicada May Welland (Winona Ryder, de Garota, Interrompida). A união das duas famílias é algo bem visto por todos e o melhor de tudo, o casamento não foi arranjado, o compromisso tem base no sentimento que um nutre pelo outro. Porém, tudo muda quando Ellen Olenska (Michelle Pfeiffer, de A História de Nós Dois), prima de May, retorna após um período na Europa. Ela foi casada e acaba de abandonar o marido por conta da sua incorrigível infidelidade.

Archer tenta fazer com que a Condessa não se sinta desconfortável diante dos olhares reprovadores que a Nova York de 1870 poderia direcionar a uma mulher que quer se divorciar, mas seu coração é direcionado a um sentimento inevitável. Ele ama Ellen, mas não se permite magoar a noiva, além de ser alertado para o que a sociedade poderia fazer com ele. Ellen e Archer se encontram numa difícil situação. Ela é racional, acredita poder lidar com seus sentimentos e seguir da maneira que crê ser a mais aceitável, mas Archer é emotivo ao extremo.

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A produção impecável e o cuidado de Martin Scorsese provocaram atraso no lançamento do filme, mas isso é totalmente justificado. Ao se propor a conceber um romance de época, o diretor foi cauteloso em diversos detalhes, ficou preocupado com cenas de jantares e em vários momentos somos conduzidos por uma câmera que não cansa. Ela nos leva de um lugar a outro sem interrupções e pode contar, somente com movimentos circulares, o avanço do tempo e suas consequências.

Os sentimentos entre Ellen e Archer não se tratam apenas de desejo carnal, há amor de verdade entre eles. E é tudo tão genuíno, que diferente de histórias como Anna Karenina, o sexo fica em segundo plano. O casal se contenta em apenas poder se encontrar. Diante disso, Winona Ryder desenvolve muito bem o seu papel de noiva apaixonada e compreensiva. Seu rosto inocente de quem tinha 22 anos e uma carreira em ascensão coube como uma luva na personagem. Por este filme, a atriz foi premiada com o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante em 1994, deixando para trás Emma Thompsom e a então estreante Anna Paquin. Mas quando chegou a premiação do Oscar, Paquin levou a melhor na mesma categoria. Daniel Day-Lewis ficou perfeito no papel do advogado respeitador que ama a noiva e a prima desta, de maneiras distintas. Cabe a Pfeiffer o papel de seduzir até mesmo sem intenção. Seu charme é incontestável.

A Época da Inocência carimbou a carreira de Scorsese com a capacidade de trabalhar não somente em filmes de suspense e de mafiosos. Ele provou ao mundo que é capaz de emocionar o público de maneiras bem diferentes e este foi o último trabalho do diretor que seu pai assistiu, por isso a obra é dedicada a ele.

Assista ao trailer:

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Nota:[tresemeia]