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Extermínio

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EXTERMÍNIO É UM DOS MEUS FILMES FAVORITOS DE ZUMBIS, independente dele não ser propriamente uma obra sobre mortos-vivos. Ter a assinatura de Danny Boyle de nada interfere em minha opinião, veja bem. Eu gosto simplesmente da ideia de jogar um homem sozinho no meio do caos, e ele ser perseguido por um bando de maluco esfomeado. Claro que existem referências aos clássicos de George A. Romero e outras obras do gênero, mas podemos dizer que Extermínio mais influenciou do que foi influenciado. O remake de Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder, que o diga. 

Jim (Cillian Murphy) acorda peladão no maior estilo Milla Jovovich, na franquia Resident Evil (a diferença é que não foi tão agradável ver o bilau pequenininho do cara, enquanto ver as curvas de Jovovich é interessante desde De Volta à Lagoa Azul), e descobre que Londres foi pro saco. Tudo está destruído e a maioria das pessoas foi contaminada com um vírus da raiva feroz (desculpe o trocadilho). Jim encontra um grupo de outros sobreviventes e eles tentam escapar juntos da ameaça.

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Para os iniciados em The Walking Dead, é praticamente impossível não olhar para Selena (Naomi Harris, de 007 – Operação Skyfall) e lembrar logo de Michonne. Especialmente porque Selena é cruel com os inimigos e costuma andar acompanhada de um enorme facão. Ela é apresentada desta maneira para ir se revelando uma pessoa mais frágil e deixar uma margem para a investida romântica de Jim. Na maioria das vezes em que os roteiristas tentam enfiar romances no meio de filmes como Extermínio, o resultado é uma merda. Para a alegria geral, o romance de Jim e Selena é desenvolvido naturalmente. Sem pressão. E o espectador torce para que eles consigam escapar com vida e ficar juntos.

O elenco também conta com o experiente Brendan Gleeson, que interpreta a figura paterna que Jim precisa. Ele é carinhoso, responsável e cuida para que os personagens consigam escapar da cidade com vida. Christopher Eccleston, parceiro de Danny Boyle em Cova Rasa, dá as caras como outra figura paterna para Jim, mas desta vez representando a autoridade e imposição.

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O roteiro de Alex Garland possui diversas passagens expositivas, com diálogos contando para o espectador o que está acontecendo. Esse probleminha (que incomoda tanto algumas pessoas inteligentes e passa tão batido para outras menos exigentes) é compensado com diversas rimas interessantes. Extermínio é uma obra sobre o medo e a solidão. No primeiro ato, Jim acorda e se descobre sozinho no mundo. Pouco depois, quando os personagens estão acampando, ele tem um pesadelo e acorda acreditando que foi abandonado. E por fim, no terceiro ato, ele acorda mais uma vez, mas agora ele têm segurança e aguarda pelo resgate.

A cena em que os personagens visitam um mercado merece uma atenção especial. Primeiro por mostrar um raro momento de descontração, como se pelo menos naquele momento eles pudessem esquecer do caos nas ruas do país e sonhar com um pouco de esperança. E segundo, pela homenagem ao clássico Despertar dos Mortos, de George A. Romero. Ao contrário da obra arrastada de Romero, Extermínio não faz nenhuma “crítica social” para o consumismo e o comportamento humano, só que não deixa de ser curioso observar nossos heróis brincando de Super Market e ainda deixando um cartão de crédito como “pagamento”. E lembre-se que Jim coletou muito dinheiro durante o primeiro ato, quando não tinha ideia que aquele papel não valia mais nada naquele momento.
Se você ainda não assistiu a Extermínio, e se for um fã de zumbis, tente corrigir isso o mais rápido possível. Além de oferecer uma interpretação diferenciada dos mortos-vivos, o longa-metragem possui todos os elementos que fazem Danny Boyle ser um dos grandes cineastas da atualidade: o uso de uma trilha sonora forte em momentos chave, aliados com uma montagem ágil e um ritmo alucinante. E tudo misturado com muito sangue, e babas, e essas coisas que a gente gosta de ver em filmes de zumbis.

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Nota:[quatro]