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Gêmeos – Mórbida Semelhança


VOCÊ PROVAVELMENTE JÁ VIU ESSE FILME PASSANDO NO EXTINTO CINEMA EM CASA, que costumava ser exibido às 13h, 14h, durante a semana no SBT. Era meio que o concorrente da “Sessão da Tarde” global, mas com títulos bem menos coloridos, digamos assim. Gêmeos – Mórbida Semelhança, de David Cronenberg, foi uma das várias produções que tive a chance de assistir naquela época e guardei a lembrança de um filme estranho. Hoje, anos depois daquela pós-almoço surreal, consigo entender que o filme continua (até mais) estranho.

Narrando a história de dois gêmeos idênticos (como se você não fosse capaz de perceber isso por conta do título, né?) e que tiveram o azar de nascerem com uns parafusos à menos e a cara do Jeremy Irons, o longa-metragem lançado no final da década de 80 mostra uma certa evolução na maneira de Cronenberg apresentar os seus personagens e desenvolver o roteiro. Ainda que seja um exemplar regular em sua curiosa e interessante (e pirada) carreira, Gêmeos – Mórbida Semelhança consegue agradar mais que os malucos cativos que acompanham todos os filmes do cineasta.

Irons interpreta os famosos e requisitados ginecologistas Beverly e Elliot Mantle. Enquanto um é o cérebro criativo que cria as ideias, o outro é o que bota a mão na massa e resolve os problemas. É fácil adivinhar que o gênio dos gêmeos é bem diferente um do outro, o que lembra um pouco do Médico e o Monstro. A timidez de um é ofuscada pela safadeza do outro, o que não os impede de se aproveitarem das mulheres sem conhecimento do fato. Aliás, todo mundo que tem um irmão ou irmã gêmea deve se divertir horrores quando resolve sair para a balada. É putaria falar isso, mas seria uma verdadeira idiotice não se aproveitar da situação para pegar mais de uma pessoa no conforto do lar. Infelizmente não tive essa sorte (tanto de ter um irmão gêmeo quanto ser vítima de gêmeas taradas).

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O curioso é que alguns dos instrumentos criados pela produção do filme viraram motivo para a criação de uma exposição que ressalta a maluquice de Cronenberg e suas “invenções”. Gêmeos – Mórbida Semelhança deve ter sido um trauma e tanto para as garotas que assistiram antes de terem realizado sua primeira visita ao ginecologista. Só de olhar para os objetos ao lado, você já se arrepia e começa a achar que correrá menos riscos visitando um dentista. 

Gêmeos – Mórbida Semelhança é vagamente inspirado na vida de Stewart e Cyril Marcus, dois ginecologistas que atuavam juntos em Nova York, na década de 70. Ambos foram encontrados mortos por conta de uma crise de abstinência causada pela dependência química. Claro que Cronenberg não fechou sua cabeça para criar uma espécie de cinebiografia dos médicos, o que possibilitou a inclusão de várias sequências com o mais puro DNA insano de seus trabalhos anteriores, como a bizarra cena (que ilustra o texto, por sinal) em que os dois irmãos descobrem durante um menage a trois (ui) que estão colados um ao outro. Medo. 



Nota:
  

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