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Filme: À Beira Mar

A Beira Mar filme crítica

Casamento não é fácil. Adicione um passado conturbado e as coisas ficam ainda mais difíceis para os dois. Será que uma viagem consegue resolver tudo? Em À Beira Mar (By The Sea, EUA, 2015), Angelina Jolie explora o relacionamento desgastado de duas pessoas e como tudo chega ao ápice quando elas se aventuram no sul da França em uma viagem. Uma história real, difícil e sincera, a qual pode ser dura demais de acompanhar em alguns momentos, mas que evolui para resultados satisfatórios no final.

Vanessa (Jolie) está com depressão, enquanto Roland (Brad Pitt) é um escritor alcoólatra que busca inspiração para seu novo livro. Não temos aqui um relacionamento saudável, falante e apaixonado, muito pelo contrário. Ela sofre o dia inteiro e não consegue esboçar um sorriso direito; ele acorda cedo e larga ela sozinha no quarto para ir ao restaurante de Michel (Niels Arestrup) beber cerveja e gim o dia todo. Ou seja, quando conversam é para dizer “bom dia”, “boa noite” ou brigar. Seguir essa trama não é fácil, da mesma maneira que não é fácil para os personagens em cena.

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Ambos passam várias semanas na França, então conseguimos ver uma certa evolução no relacionamento deles com o passar do tempo. Depois de conversar bastante com o viúvo Michel, Roland resolve tentar mais e busca ao máximo reconquistar a esposa. Leva um tempo e muita paciência, mas o homem consegue fazê-lo aos poucos. Vanessa é bastante complexa e as coisas que ela faz podem irritar ou nos surpreender de maneira negativa em vários momentos, só que, à medida em que vamos conhecendo-a melhor, aprendemos sobre quem ela é e o porquê de estar daquele jeito. A transformação dos dois é linda de se ver, especialmente como eles fazem isso.

À Beira Mar não é Antes da Meia-Noite; Vanessa e Roland não são Celine e Jesse. É claro que o terceiro filme da trilogia apresenta um casal desgastado e com problemas, mas os diálogos são um destaque no filme. Aqui, a direção destaca o visual das paisagens e as expressões dos personagens para contar a história: os olhares que eles trocam, a maneira como Vanessa observa os recém-casados Léa (Mélanie Laurent) e François (Melvil Poupaud) à la Psicose, o excesso de bebida diário de Roland, entre outros. Todas essas cenas ilustram perfeitamente o que está acontecendo. Temos conversas, claro, e muitas delas bastantes reveladoras e essenciais para nos relevar o que está passando por dentro daquelas pessoas.

O que funciona negativamente para o filme é o seu ritmo, que é difícil de seguir. Para quem não está acostumado com produções do tipo, carregadas por cenas rotineiras e poucos diálogos, pode ser uma tortura. Quando chegamos ao terceiro ato, já ficamos aflitos porque quando tudo parece bom, acontece algo ruim e mais drama vem; nunca sabemos aonde estamos indo. Após alguns minutos as coisas fazem mais sentido e o desfecho fica claro. Tem que ter paciência e se envolver para não ficar entediado. O personagem de Pitt também não recebe muita atenção no quesito passado e como acabamos construindo com ele uma relação positiva, isso faz falta no fim.

Eu, particularmente, adorei By The Sea. Jolie escreveu um filme denso, comovente, sincero e diferente de tudo que ela já fez. É uma bela história de amor que, por mais complicada que seja, conseguiu me cativar do início ao fim. Isto não é Sr. e Sra. Smith de modo algum, mas a química dos protagonistas ainda está presente e nos cativa, juntamente da bela paisagem da Riviera francesa.

 

 

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