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Filme: Garotas – O Filme

Garotas O Filme crítica

Crescer é foda, nem me fale. A famosa frase “Eu era feliz e não sabia” começa a se repetir em minha cabeça frequentemente agora que sou formada e estou no mercado de trabalho. A escola já foi, a faculdade já foi, agora é trabalhar e seguir com a vida. E, o mais importante, amadurecer. É isso que Garotas – O Filme (Brasil, 2015) faz brilhantemente: contar a história de três amigas que souberam aproveitar a vida como ninguém, mas que devem encarar a vida com mais seriedade após vários anos de curtição na universidade.

Não se deixe enganar pelo título, que pode afastar por causa do clichê “O Filme”. E nem pelo trailer, que não ilustra direito o tema do longa. O que a produção de Alex Medeiros faz é explorar, principalmente, a amizade das três protagonistas e o amadurecimento de uma delas, Beth (Giovana Echeverria). Depois de um ano novo conturbado, esta passa um ano em Nova York e volta transformada para o Rio de Janeiro doze meses depois. Obviamente, isso choca as duas amigas, que passam de surpresa na mansão dela e trazem vários convidados para uma festa de Réveillon, na esperança de vê-la como era no passado.

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A narrativa do longa é dividida entre o momento atual e flashbacks da noite de 31 de dezembro do ano anterior. À medida em que vamos conhecendo as personagens a fundo, vamos descobrindo tudo o que aconteceu um ano antes e, no fim, endentemos tudo o que aconteceu. E não é só, entendemos quem é quem e vemos muito mais do que as impressões que tivemos no início do filme.

Quando ele começa, caímos no estereótipo: Beth é a doidinha que gosta de causar e fazer bagunça, Milena (Bárbara França) é a bonitona que pega todos os garotos e todos garotos querem pegá-la, e Carina (Jeyce Valente) é a ovelha negra. Quando termina, vemos que essas caixas que colocamos nelas são ridículas e elas são muito mais do que os estereótipos que passam para os outros. Beth é uma garota determinada a mudar e que vira uma pessoa bem mais madura depois de sua ida aos EUA; Milena repensa suas atitudes e mostra ser uma amiga preocupada e atenciosa; Carina é a legalzinha do trio, mas também quer atenção e alguém para preencher sua carência.

Fiquei surpresa com o tanto que gostei da história. Não só o roteiro consegue aprofundar nas vidas das jovens e discutir assuntos importantes, passíveis de intensa reflexão, como tem cenas deliciosas e comoventes. É daqueles tipos de filmes que te fazem morrer de rir em alguns momentos e chorar em outros (destaco umas das últimas cenas de Carina e sua conversa íntima com Beth). Os coadjuvantes também entram em cena para adicionar conteúdo ao enredo, seja humor, caso de Bernardo (Raphael Logam), Ângelo (Bruno Dubeux) e Mateus (Erik Vesch), ou drama, caso da mãe de Beth (Ingra Lyberato) e Pietro (Rafael Canedo).

Durante o filme, é praticamente impossível não se identificar com o que vê. Talvez você crie uma conexão forte com as personagens, com o que é discutido ou até mesmo com algumas cenas específicas. Mas acho que o ponto forte mesmo é a capacidade de Garotas em explorar a amizade e o amadurecimento das pessoas.

Como a mãe de uma amiga minha diz, temos as “amigas de balada” e as “amigas para vida toda”. Inicialmente, parece que as três fazem parte do primeiro grupo, mas, no final, aprendemos que elas são apenas jovens que curtem se divertir e aproveitar a vida em excesso. Elas têm dificuldade em, de fato, crescer, algo que muitas pessoas têm. Parece que foi ontem que eu entrei na faculdade e agora já estou formada há três anos. O tempo voa! No entanto, gostar desse estilo de vida não as torna apenas “sexo, drogas e rock n’ roll”, elas são muito mais do que isso e o longa de Medeiros comprova isso perfeitamente.