Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Filme: O Último Caçador de Bruxas

O último caçador de bruxas crítica

Adoro o Vin Diesel. Ele tem carisma, presença e faz filmes de ação eletrizantes. No entanto, parece que, fora da franquia Velozes e Furiosos, o ator não tem tanta sorte. Em O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter, 2015), ele interpreta mais um herói imbatível e tem um elenco formidável ao seu lado, só que o roteiro peca em clichês e mal desenvolvimento da narrativa.

Vendo o trailer, ficamos um pouco confusos com a história, já que Kaulder (Diesel) aparece com cabelo e barba no passado e com a figura que já conhecemos do ator no futuro. Nada complexo, pelo contrário: ele era um caçador de bruxas que acaba sendo amaldiçoado com a imortalidade quando mata a Rainha (Julie Engelbrecht). Depois disso, 800 anos se passam e ele e a congregação para a qual trabalha conseguem manter a paz e evitar que forças do mal destruam a humanidade. As coisas se complicam quando o padre Dolan 36 (Michael Caine) é enfeitiçado e o autor disso planeja voltar com o caos ao planeta.

- Advertisement -

A história é interessante e tem um ritmo bom até chegar na metade. A contextualização sobre Kaulder é bem feita, assim como sua relação com o Dolan 36 e o seu substituto, o Dolan 37 (Elijah Wood). A bruxa Chloe (Rose Leslie) também atrai o espectador inicialmente, diga-se de passagem. O problema é que, depois de certo tempo, alguns detalhes começam a irritar. Wood tem uma participação quase que inútil na história, até o final – bastante bizarro e mal escrito, por sinal – pelo menos; Leslie tem um papel essencial, mas as transformações de sua personagem no enredo são muito rápidas e seu envolvimento com o protagonista é construído de forma pouquíssimo criativa, mesmo sem nenhum beijo nem nada.

Os antagonistas chegam a ter momentos interessantes, especialmente Belial (Ólafur Darri Ólafsson), mas o terceiro ato e suas reviravoltas deixam bastante a desejar. O confronto final de Kaulder e a Rainha é nível Quarteto Fantástico: bobo demais. Diesel tem tantas batalhas elaboradas e tensas em Velozes e Furiosos, mas aqui é tudo tão mais simples que nem tem tanta graça de assistir.

Por outro lado, os efeitos especiais são ótimos. Toda a magia que temos visualmente e como ela envolve os personagens e nós mesmos é muito bacana. Os pós mágicos, a espada com fogo, poções de sono…tudo bem inserido na história e bem apresentado.

O elenco também segue a mesma linha. Diesel já tem experiência de sobra como herói durão e continua fazendo um trabalho satisfatório nesta nova aventura. Leslie e Wood têm carisma e fazem o que pode em seus papéis, apesar do roteiro os negligenciarem consideravelmente. A participação de Caine é pequena por motivos óbvios – ele é enfeitiçado já no começo do longa -, mas ele é Michael Caine; jamais decepciona.

O Último Caçador de Bruxas é um filme de ação que funciona como um entretenimento eficaz em toda a sua duração. Eu, particularmente, achei a ideia cativante, mas as falhas em seu desenvolvimento e na presença pouco trabalhada de certos personagens-chave impedem uma maior apreciação do longa.

 

Comentários