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Homem de Ferro 3

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NADA MAIS FOI O MESMO DEPOIS DE NOVA YORK. Nem para o público que foi em peso assistir Os Vingadores nos cinemas do mundo e muito menos para a vida de Tony Stark (Robert Downey Jr.). Havia uma certa pressão para Homem de Ferro 3, que além de inaugurar a chamada Fase 2 dos filmes da Marvel, é também o primeiro pós-Vingadores. Afinal de contas, que tipo de ameaça ele poderia enfrentar (e que fizesse o espectador se interessar) depois dos buracos de minhoca saindo dos céus de Manhattan? Os roteiristas tiveram a ideia de transformar o próprio inconsciente de Stark em uma ameaça.

Abalado com os eventos ocorridos em Nova York, Tony Stark está passando por um período tenso sem conseguir dormir direito e sofrendo crises de ansiedade. Enquanto tenta aprimorar suas armaduras, um perigoso terrorista chamado Mandarim ameaça a vida do Presidente norte-americano com diversos ataques nos EUA.

Ao deixar seu protagonista no meio de uma forte crise pessoal, algo já trabalhado de maneira eficiente em Homem-Aranha 2, de Sam Raimi; e O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan; o terceiro Homem de Ferro assume o risco de andar por um terreno perigoso, que inevitavelmente renderá algumas comparações com a trilogia mais recente do Batman, e não perde a sua identidade durante o processo. As piadas e os diálogos ácidos continuam presentes e rendem várias situações hilárias (“Lawrence Desmiolê”, por exemplo), mas o cineasta Shane Black (roteirista de Máquina Mortífera) conseguiu introduzir um tom mais sério e muito bem-vindo.

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A franquia Homem de Ferro, e de qualquer outro herói, possui um enorme potencial mercadológico para faturar uma nota em brinquedos e miniaturas. Não é nenhuma novidade e é perfeitamente natural para a indústria, no entanto, me parece muito agressiva a necessidade de introduzir uma criança no roteiro apenas para tentar suavizar a trama. É como se as várias armaduras do ato final (uma delas é obviamente uma homenagem ao Hulk) não fossem o suficiente para cativar os moleques. Somando com a ausência de AC/DC na trilha sonora, os furos no roteiro (como é que deixam a Mansão Stark ficou tão vulnerável daquele jeito?), a quase descaracterização de Pepper (Gwyneth Paltrow), e a maneira como os roteiristas aproveitaram o Mandarim (falarei sobre isso no final do texto, pois contém spoilers), são alguns dos defeitos de Homem de Ferro 3.

O elenco de apoio, como é comum acontecer nas produções da Marvel, por pouco não rouba a cena de Downey Jr. e Paltrow. Guy Pearce (Amnésia) está numa fase estranha na carreira atualmente, oscilando entre participações em obras duvidosas (O Pacto) e outras mais interessantes, como os peculiares “vilões” de Os Infratores ou Prometheus. No entanto, o ator acerta a mão com Aldrich Killian e cria uma verdadeira ameaça para a vida de Tony Stark. Rebecca Hall interpreta uma “botânica” sedutora que tem uma participação pequena, mas fica em cena o suficiente para rivalizar com Pepper Potts. Mas o melhor de Homem de Ferro 3 é Ben Kingsley como o Mandarim, mesmo deixando a desejar na etapa final.

O grande mérito de Homem de Ferro 3 é o amadurecimento do personagem e, assim espero, do universo das adaptações da Marvel. Se é melhor que o primeiro filme ou que Os Vingadores não importa. O espectador encontrará uma obra de qualidade com diversos pontos positivos e outros tantos negativos, e o mais importante é que ele cumpre o seu objetivo: divertir o máximo de pessoas possível. E nisso, vamos combinar, Robert Downey Jr. é um verdadeiro mestre.

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ps: fique até o final dos créditos para assistir a uma divertida participação especial.

Nota:[tresemeia]

O Cinema de Buteco adverte: os parágrafos a seguir possuem spoilers!

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Confesso que até antes de ser “desmascarado”, eu estava tão empolgado com o Mandarim que o incluiria facilmente numa lista de cinco melhores vilões de adaptações de quadrinhos. O vilão aparecia em cenas rápidas, sempre deixando no ar o mistério e o perigo dele poder atacar qualquer um quando bem entender. Shane Black foi muito inteligente ao não mostrar o Mandarim de verdade para o público e criou uma aura muito especial em torno do vilão, o que foi realçado pelo brilhante Ben Kingsley. No entanto, decidiram jogar sal na minha caipirinha e todo o perigo foi eliminado com uma descarga. Literalmente.

Revoltado com a verdade sobre o “vilão”, acabei perdendo um pouco do interesse no restante da trama. Por mais inteligente que tenha sido a sacada do roteiro, eu queria ver o Mandarim enlatando o Homem de Ferro. O potencial dele era imenso, tinha tudo para ser um vilão inesquecível, só que decidiram dar um golpe no espectador e subverteram todo o conceito do que é realmente um vilão ameaçador.

Ainda que eu preferisse uma versão em que o Mandarim não fosse a droga de um farsante, não se pode ignorar o mérito do roteiro de Shane Black. Se não fosse ofuscado pela imponente sombra do medo criado por Mandarim, Killian poderia até receber alguns elogios e a chance de figurar na minha lista de vilões preferidos, só que mesmo sendo apenas um ator contratado para dar um rosto para a ameaça, Mandarim deixou sua marca.

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