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Crítica: Insônia

Insomnia film

BEM QUE WILL DORMER (Al Pacino) gostaria de esquecer – mas de Amnésia, Insônia tem apenas o diretor. Em seu terceiro filme, Christopher Nolan se estabeleceu como um cineasta altamente habilidoso para lidar com o lugar que guarda alguns dos nossos maiores receios: a mente. Esse pode ser o seu maior trunfo.

Dessa vez, Nolan não trabalha a partir de uma história original. Insônia é o remake de um filme norueguês, feito apenas quatro anos antes. Nessa nova versão, a trama nos leva a Nightmute, Alaska, a terra do sol da meia-noite. Os parceiros policiais Dormer e Hap Eckhart (Martin Donovan) chegam de Los Angeles àquele lugar isolado para trazer um novo olhar à morte de uma adolescente.

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Will e Hap têm mais do que um assassinato para resolver. Uma investigação da corregedoria interna pode incriminar os dois policiais e até colocar em xeque seus casos e libertar criminosos que eles ajudaram a condenar. O peso que o personagem de Pacino demonstra assim que desce do avião só aumenta na medida em que ele próprio se vê com sangue nas mãos e cada vez mais perto de desvendar o mistério.

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Em meio ao caos que se torna cobrir as próprias pegadas e do sol que persiste no céu, Will não consegue dormir. Depois de um tempo, é difícil saber quando o detetive tem total controle de sua mente e ações. A solidão e a vastidão daquele território dão o tom do personagem e, consequentemente, do filme. Embora isso esteja claramente demonstrado na linguagem corporal de um Pacino combalido (e sempre competente), Insônia logo prova ser um verdadeiro thriller psicológico.

O efeito não fica restrito aos peões no jogo. O espectador logo sente esse clima e se vê preso em uma trama cujos mocinhos e bandidos ficam claros desde o início, mas que caminha para um desfecho senão imprevisível, ao menos intrigante.

Isso se deve à determinação incessante de Ellie (Hilary Swank), uma policial local que quer provar seu valor, mas principalmente a Walter Finch (Robin Williams). Ele surge tardiamente na trama, mas é o antagonista que faz um contraponto perfeito com o personagem de Al Pacino, cuja integridade se torna cada vez mais incerta frente a um homem de imaginação fértil e quase nenhum escrúpulo.

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Os tiros disparados em Insônia são a parte menos contundente da história. A tensão calma e lenta estabelecida pelo diretor ganha o ritmo adequado para manter seu espectador na beira do assento – e, claro, de olhos bem abertos.

Se em 2002 Chris Nolan era um talento que despontava, mais de 10 anos, três Batmans, um Grande Truque e A Origem depois, ele conseguiu se manter relevante. Esse não é efeito exclusivo de sua maestria técnica. É a humanidade presente em seus personagens, mesmo nos cenários mais adversos, que fazem dele um dos grandes contadores de histórias de sua geração.

Título original: Insomnia
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Hillary Seitz
Elenco: Al Pacino, Hilary Swank, Robin Williams, Martin Donovan, Maura Tierney
Lançamento: 2002
Nota:[quatro ]