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La Belle Époque – Crítica do Filme

Produção francesa é uma sessão nostálgica sobre os anos 70 e uma história doce e sutil sobre o amor.

A primeira impressão sobre La Belle Époque (França, 2019) era a de um filme similar a Meia-noite em Paris (2011). Lembra um pouco, mas a história escrita e dirigida por Nicolas Bedos é bem diferente (não deixa de ser original por isso).

Victor (Daniel Auteuil) é um homem deprimido, desempregado e que se sente um peixe fora d’água no mundo atual. Sua esposa, Marianne (Fanny Ardant), é o oposto dele e acaba perdendo a paciência após anos tolerando o comportamento do marido. Aparentemente, não havia nada favorável para o desenhista, mas sua vida se transforma quando Antoine (Guillaume Canet) lhe traz de volta ao ano de 1974, quando se apaixonou por Marianne.

Não tem viagem no tempo no roteiro de Bedos. Quer dizer, tem, mas não é no sentido literal. A empresa de Antoine vive de construir cenários e roteiros baseados nos desejos dos clientes, os quais encenam momentos históricos do mundo ou de suas respectivas vidas. É um produto com preço bem salgado, afinal, precisam contratar atores, figurantes, cuidar do som, iluminação, cenário, além de acompanharem todas as cenas para que tudo ocorra conforme esperado pelo (a) cliente.

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Penso se uma empresa dessas faria sucesso na realidade. Se você tivesse dinheiro, pagaria para reviver algum período histórico? Reviveria um momento da sua vida? Ou viveria algo que nunca viveu só para tentar imaginar como teria sido? O enredo nos faz refletir não apenas sobre a nostalgia de épocas passadas, mas sobre decisões que tomamos, arrependimentos, frustrações, enfim, coisas que gostaríamos de mudar ou experienciar mais uma vez para sentirmos prazer, matar as saudades ou finalmente seguirmos em frente em relação a um fato ou alguém.

Acima de tudo isso, a produção francesa dialoga conosco sobre um tema universal: o amor. A nostalgia de quatro décadas atrás é poderosa, só que a linguagem do amor é a que faz a gente realmente se identificar com a história de cada um dos personagens. Que graça tem em uma vida sem amor? Ele não é perfeito e às vezes vem aos trancos e barrancos, mas a vida é assim mesmo. São as nossas atitudes e escolhas que nos fazem ganhar ou perder esse sentimento.

La Belle Époque é uma comédia romântica leve, que flui facilmente e nos envolve do início ao fim. A produção tem uma trilha sonora original, mas o que chama a atenção e rega a história são clássicos dos anos 70, de artistas como Billie Holiday, Bobby Goldsboro, Fontella Bass e Player.

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Seleção oficial do Festival de Cannes de 2019.