Connect with us

Minhas Mães e Meu Pai

Published

on

Minhas Mães e Meu Pai sem dúvida foi o grande hit entre as comédias de 2010, e apesar de ser muito mais condescendente do que questionador não deixa de ser um filme muito delicado de se comentar. Já criticado por essas páginas, pelos cariocas que foram ao festival do rio, o filme conquistou a muitos que o assistiram (que sem dúvidas devem ler a crítica do Wendel), quanto a mim, devo confessar que o filme deixou muito a desejar. Falar do filme com certo tempo de distanciamento e após assistir algumas vezes, me deixou mais confortável para enxergar e apontar com serenidade muitos pontos que não gostei e (espero) sem ser alvo de crucificação.
Lisa Cholodenko já é conhecida por retratar sua realidade: o grande circulo de gente liberal e legalizes que vivem em LA, mas que ao mesmo tempo podem ser hipócritas até a alma; e a diretora fez isso com maestria em “Laurel Canyon”. Mas não vá com tanta sede ao pote, Minhas Mães e Meu Pai não chega nem aos pés do filme, e ao invés de Frances McDormand e Christian Bale no elenco dessa vez temos que nos contentar com nomes bem inferiores como Julianne Moore e Mark Ruffalo. E, além disso, temos que encarar um filme que se arrisca muito menos, e que ao invés de promover confrontos e questionamentos estabiliza na zona de conforto: o clichê (na medida do possível, claro!).
Minhas Mães e Meu Pai conta a história de Laser e Joni, onde esta última ao completar maior idade é influenciada pelo irmão a procurar seu pai biológico. Eles são criados pelo casal alternativo Jules e Nic, que representam ao extremo do caricato essa categoria: além de serem Gays, são naturebas, almoçam ao ar livre, tem carro não poluente e tem amor de sobra para dar aos filhos. Esse último quesito rende boas risadas nas cenas “assim você me sufoca” de Lazer e suas mães (uma mãe já é amor demais… Imagine duas). Por falar nisso Josh Hutcherson (fazendo carreira em filmes independentes) interpreta o típico adolescente revoltado com más companhias, em contrapartida de sua irmã geek e toda certinha vivida por Mia Wasikowska (mais conhecida como nova Alice).
Aliás o que irrita por vezes no filme são esses “típicos” nada criativos que a diretora nos impõe subestimando claramente a inteligência do espectador. Estranho, que é um filme sobre gente diferente aonde ninguém é diferente: a típica chefe de família sem tempo pra nada, a esposa insatisfeita sexualmente, Mark Ruffalo interpretando Mark Ruffalo como sempre (o alternativo que quando não é geek é legalize, e sempre com cara de abobado), e os adolescentes normais como quaisquer outros.
Nada contra blockbusters, são feitos para atingir determinada faixa de público, entreter numa tarde de domingo, mas eles são só isso, nada mais. Agora toda essa atenção que está sendo dada ao filme é algo desproporcional sendo que até mesmo dentro da linha “comédias familiares” o filme não chega nem aos pés de clássicos como “Tudo em Família” e nem perto dos filmes de Nancy Mayer (que possui sacadas inteligentíssimas). Mesmo se tratando de um ano no qual hollywood deixou muito a desejar, acredito que existiram comédias melhores e que deveriam estar ocupando esse posto como “Kick Ass”, “Sentimento de culpa”, ‘It’s Kind of a Funny Story” ou até mesmo o pretensioso “Scott Pilgrim”.
Faço aqui uma pausa para falar sobre a trilha sonora do filme que sem dúvidas é mais uma dessas pérolas que merecem um post separadamente. O filme já começa lá em cima nesse quesito quando abre com “Cousins” do Vampire Weekend, que retrata muito bem essa dinâmica familiar que filme se propõe a mostrar. Depois ainda temos Little Dragon, Deerhoof (Milk Man e Blue Cash!!), Fever Ray (remixado), toca CSS na parte da festinha, e também uma pérola ainda desconhecida por muitos chamada Tame Impala com a incrível “Sundown Syndrome”. E para os mais velhos não ficarem de fora o filme ainda conta com “Win” e “Panic in Detroit” do Bowie. E nos créditos ainda somos presenteados com “The Youth” do MGMT. A trilha do filme é simplesmente incrível.
Assim como todo bom clichê de comédias, a marola do filme começa quando as crianças conhecem seu pai biológico e é acrescentado o elemento externo para desestabilizar a família. Todos gostam logo de cara do cool Paul, porém uns mais que outros, gerando muitas confusões dentro da família. Questões como fadiga no casamento e sexualidade são o tempo todo colocadas em cheque, mas não o suficiente. Quando a pergunta parece que vai ser aprofundada o roteiro dá um jeito de terminar com uma piada… Realmente frustrante.
A unica coisa que acredito ser um grande ponto de destaque no filme é a atuação e caracterização de Annette Bening, que dá vida a masculinizada Nic. Bening não deixa em hipótese alguma a peteca cair, não cai no clichê “juninho play”. Apesar de parecer ser bem a intensão da diretora, caricaturar (e demarcar bem para a identificação do público) todos os personagens, Annette nada contra a corrente e dá vida a uma personagem que mostra frustração, impotência e acima de tudo humanidade. Minhas Mães e Meu Pai é um ótimo filme pra ver com o Homer comendo pipoca, nada mais que isso… por causa da Annette creio que o filme mereça 3 caipirinhas.

Direção: Lisa Cholodenko
Roteiro: Lisa Cholodenko
Stuart Blumberg
Elenco: Julianne Moore
Mark Ruffalo
Josh Hutcherson
Mia Wasikowska
e Annette Bening
Ano: 2010
Duração: 1h e 46min.

Continue Reading
2 Comments

2 Comments

  1. nathysc

    9 de fevereiro de 2011 at 22:11

    Como você bem disse, quem salva o filme é o elenco, mais precisamente a Bening e na minha opnião a Julianne também. Mark Ruffalo interpreta ele mesmo, e o filme revolucionario, mostrou que a revolução da família com núcleo gay não é diferente da família tida como 'normal'…será? Comédia com cara de drama, o filme no fundo não revelou a que veio.
    Bjs…e PARABÉNS!!!

  2. Anonymous

    24 de fevereiro de 2011 at 0:56

    O mas legal do filme é ver um casal lesbico tendo uma vida cliche, nem curti a critica .

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Críticas de filmes

O Telefone Preto

Published

on

A Blumhouse, produtora americana conhecida pelas franquias Halloween e Atividade Paranormal, traz uma boa surpresa para o cenário do terror mainstream em 2022 com o lançamento de O Telefone Preto. O longa dirigido por Scott Derrickson (Doutor Estranho, 2016), chega aos cinemas brasileiros dia 21 de julho e traz Ethan Hawke (Cavaleiro da Lua, 2022) sequestrando adolescentes nos anos 70.


O roteiro segue Finney Shaw, interpretado por Mason Thames (Walker, 2017) um adolescente de 13 anos introvertido e que sofre bullying na escola. Ele e sua irmã Gwen, vivida por Madeleine McGraw (Homem Formiga e a Vespa, 2018), são muitos próximos e enfrentam dificuldades em casa devido ao alcoolismo do pai, papel de Jeremy Davies (A Casa Que Jack Construiu, 2018).


Um ponto alto do filme está no carisma das crianças. Finney e Gwen são personagens com os quais nos importamos desde o ínicio, não apenas por serem crianças desprotegidas, mas por possuírem instinto de sobrevivência e superação. A amizade dos irmãos proporciona momentos comoventes e fofos em tela e, mesmo quando estão separados, a conexão entre os dois continua muito forte.


Dessa forma, ao colocar crianças como protagonistas, o diretor que também é um dos roteiristas do filme juntamente com C. Robert Cargill (A Entidade, 2012), assumiu o risco de confiar nas habilidades delas para transmitir a tensão do filme. É certo que o elenco de apoio, composto pelos adultos também atua bem, o próprio Ethan Hawke, sempre competente, porém, ele passa todo tempo do filme mascarado e, as situações mais aflitivas, são lideradas pelos atores mirins.


Na cidade de Denver, Colorado, onde a família mora, alguns garotos que estudam na mesma escola dos irmãos começam a desaparecer. Finney, ao voltar para casa depois da aula, também é pego pelo sequestrador mascarado que o leva para um porão à prova de som. No local, há apenas uma cama e um telefone preto desconectado, porém, Finney começa a ouvir chamadas do aparelho desligado.


As ligações recebidas por Finney são os fantasmas dos meninos assassinados anteriormente pelo sequestrador. A princípio, Finney fica assustado com essa interação sobrenatural, mas logo começa a se comunicar melhor com os garotos mortos e usar isso para tentar escapar do cativeiro. Nesse momento, conhecemos melhor o caráter sádico do vilão e quem foram as primeiras vítimas dele.


Além disso, a atmosfera sombria, a violência e a constante ameaça de que Finney não irá escapar de seu destino terrível, aliadas ao uso contidos de jump scares, fazem com que o suspense seja eficiente. O longa foi baseado no conto de mesmo nome de Joe Hill, filho do famoso escritor Stephen King, e, os fãs de King irão perceber várias referências e inspirações do autor de It: A coisa.


O Telefone Preto não é um filme perfeito e pode não impressionar a todos, porém, quem aprecia uma combinação entre os subgêneros sobrevivência e investigação, irá sair da sessão muito satisfeito. As jornadas dos personagens e a entrega das performances conseguem prender nossa atenção. Vale a pena conferir!

Continue Reading

Críticas de filmes

Elvis: Austin Butler é o Rei do Rock em cinebiografia de Baz Luhrmann

Published

on

O ator de 30 anos, Austin Butler, era conhecido por participações em programas adolescentes dos canais Disney Channel e Nickelodeon e por protagonizar a série The Carries Diaries (2013-2014). No ano de 2019, além de uma ponta em Era Uma Vez…Em Hollywood de Quentin Tarantino, Butler foi escalado para viver Elvis Presley na cinebiografia Elvis (2022), de Baz Luhrmann, neste que provavelmente é o papel que colocará o jovem ator como um dos mais promissores artistas do cinema atualmente. 

Elvis, que estreia no Brasil no dia 14 de julho de 2022, a primeira vista pode parecer uma cinebiografia tradicional e, de certo modo, o roteiro segue uma estrutura linear conhecida de ascensão e queda do astro do rock. Contudo, a direção e estilo de Baz Luhrmann (O Grande Gatsby, 2013), trazem um diferencial para o filme e, principalmente, para quem é fã do diretor, elevem a experiência cinematográfica. 

Como de costume, Baz utilizou de toda sua criatividade para maximizar os eventos que ele decidiu contar. O filme é extremamente vibrante e frenético. Logo nos minutos iniciais pode-se perceber que a montagem, nada convencional,  realiza transições diferentes, mistura gêneros diferentes e potencializa as partes musicais com cortes rápidos e variações de filtros e cores em sua fotografia e figurinos.

Para acompanhar essa vibração alucinante, era preciso contar com uma performance marcante que conseguisse capturar a essência de Elvis. Levando isso em conta, Austin Butler foi a escolha perfeita. Austin é uma estrela em ascensão e, é impossível não se apaixonar por ele. Em entrevistas para promover o longa, Butler detalhou um longo processo de dois anos de estudo para fazer justiça à figura de Presley. 

A dedicação e preparo do ator compensaram bastante porque Austin Butler é o filme! Para dar luz ao personagem, além de cantar e dançar muito bem, eram necessárias atitudes e comportamentos que fossem além de imitações caricatas. Dessa maneira, o ator transmite todo o magnetismo, energia e carisma que encontramos em Elvis Presley. 

Por outro lado, o personagem vivido por Tom Hanks,  o empresário Tom Parker, que foi responsável por lançar o cantor ao estrelato, não fugiu muito de um caráter caricaturesco. Isso se deve, não tanto pela interpretação de Tom Hanks, mas sim, pelas escolhas do roteiro e direção. Ao definirem Tom Parker como um antagonista muito claro, eles o transformaram em um vilão exagerado. De fato, os abusos emocionais e financeiros que Parker praticava com Elvis, são angustiantes e  é nítido que a proposta do filme era aumentar a comoção e nos deixar revoltados com a manipulação sofrida por ele. 

De maneira geral, Elvis emociona, entretém e destaca as contribuições do ícone do rock para a história da música. Comparada às dezenas de cinebiografias que os estúdios produzem todos os anos, Elvis consegue se sobressair. O filme foi ovacionado por 12 minutos no Festival de Cannes em maio deste ano, e vem conseguindo ótimos números de bilheteria nos Estados Unidos. O sucesso do filme é merecido, vida longa a Austin Butler e Baz Luhrmann! 

Continue Reading

Críticas de filmes

Lightyear: Buzz recruta turma de desajustados em aventura do Comando Estelar

Published

on

A franquia Toy Story é sem dúvidas um dos maiores sucessos da história do cinema, tanto no desempenho nas bilheterias quanto na aclamação da crítica e do público em geral. Um dos motivos que explicam tamanho êxito é o carisma e simpatia de personagens como Woody, Rex, Sr. Cabeça de Batata e Buzz Lightyear. Este último ganhou seu spin-off que estreia dia 16 de junho no Brasil.

Os fãs de Toy Story, provavelmente devem se lembrar que em 1995, Andy  ganhou um exemplar do brinquedo Buzz, personagem principal do seu filme favorito. Assim, Lightyear, como indica o nome, se propõe a contar a história original de como Buzz se tornou o lendário patrulheiro espacial. 

No enredo, Buzz é ainda um jovem astronauta e junto de sua parceira de equipe, Izzy, estão a explorar um planeta desconhecido, porém as coisas se complicam quando plantas hostis atacam a nave de Buzz. A tentativa de escapar do local dá errado e Buzz e a tripulação são forçados a ficar no local e elaborar um plano arriscado de fuga. 

Dessa forma, o filme percorre várias referências e alusões a clássicos da ficção científica. De fato, em sua missão para conseguir retornar à Terra, Buzz precisa encontrar uma maneira de viajar entre o tempo e o espaço.  Assim, em suas tentativas, o patrulheiro envelhece alguns minutos, enquanto seus amigos envelhecem por anos e, a cada falha de Buzz, ele se distancia da idade das pessoas. 

Além disso, esse fato traz diversos conflitos para o protagonista: Buzz se sente muito frustrado por não conseguir cumprir a missão e não consegue se integrar à nova realidade. Dessa maneira, o roteiro usa as investidas que falharam para mostrar características da personalidade de Buzz, ele ainda é muito teimoso e se recusa a aceitar ajuda. 

Todas essas qualidades são acentuadas quando Buzz se junta à uma turma de patrulheiros desajustados. Nesse momento, o protagonista precisa aprender a lidar com seus defeitos e, principalmente, a trabalhar em equipe. Os elementos de nostalgia são explorados na medida mas nunca em exager. Assim, o filme destaca valores de amizade, companheirismo e força de vontade. 

Outro momento especial que acompanhamos são as mudanças de traje do Buzz, que vão evoluindo no decorrer da história. De modo geral, Lightyear é divertido e tem personagens carismáticos que vão agradar a todos os públicos. O enredo se mantém consistente e no terceiro ato traz elementos novos mas sem grandes reviravoltas.  A Pixar trouxe uma experiência cinematográfica depois de dois anos sem lançamentos no cinema e vale a pena conferir. 

Continue Reading

Filmes

Bombando!