Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Filme: A Morte Passou por Perto

A Morte Passou por Perto, filme noir de Stanley Kubrick

A MORTE PASSOU POR PERTO É UM DOS PRIMEIROS TRABALHOS DO LENDÁRIO STANLEY KUBRICK (LARANJA MECÂNICA E O ILUMINADO). Produzido em 1955, a obra pode até não ser listada como um dos melhores trabalhos do diretor, mas certamente possui algumas das características mais marcantes do cinema de Kubrick. A trama apresenta um boxeador decadente que acaba de sofrer mais uma derrota humilhante no ringue. Sua vida muda drasticamente em dois dias, quando conhece e se apaixona por uma vizinha que mora em um prédio em frente ao seu. Após viverem horas de amor delicado, os pombinhos decidem se mudar para outra cidade. O problema é o ciumento e possessivo chefe de Glória , que não tem a mínima intenção de facilitar a vida de sua musa.

É curioso notar o tema do boxeador em fim de carreira sendo abordado por Kubrick, algo que, confesso, me surpreendeu bastante. Não que A Morte Passou por Perto possa ser considerado um filme de boxe como tantos outros que surgiriam nos anos seguintes, mas certamente pode ter influenciado algumas das decisões tomadas por Martin Scorsese e Sylvester Stallone, em Touro Indomável e Rocky, respectivamente.

- Advertisement -

A Morte Passou Perto

Além de não entrar na lista de melhores filmes de Kubrick (na verdade, acredito que os posers que se dizem fã do cineasta nunca ousariam recomendar essa obra no lugar de todas as outras mais famosas), A Morte Passou por Perto é também o longa-metragem mais estranho da filmografia do genial diretor. Com elementos noir (se é que podemos realmente considerar Glória como uma femme fatale), a trama segue a história de um homem desiludido com a sua vida e carreira, e que acaba entrando de cabeça numa relação complicada com uma mulher que pensa em seu próprio bem estar acima de tudo e todos. Há ainda, claro, o vilão careca, que protagoniza uma luta final com o mesmo nível de emoção que a embate entre Darth Vader e Obi-Wan Kenobi, em Star Wars – Episódio 4: Uma Nova Esperança, de 1977.

Apesar das diferenças gritantes com o restante do currículo de Kubrick, A Morte Passou por Perto já apresenta longas cenas com a câmera praticamente estática que acompanha a movimentação dos atores (como o travelling na cena em que Davey corre pelo telhado dos edifícios na metade final), e também abre espaço para explorar a profundidade de campo, como no momento em que Glória caminha pelas ruas de Chicago, no começo do filme. São apenas alguns dos elementos que o diretor viria a trabalhar com perfeição em seus trabalhos posteriores, que aqui já apareciam com destaque.

A Morte Passou por Perto está longe de ser uma produção indispensável. Posso citar no mínimo outras três obras noir que mereçam mais atenção do cinéfilo fã do suco de cevada: Pacto de Sangue, de Billy Wilder; L.A. – Cidade Proibida, de Curtis Hanson; e Blade Runner, de Ridley Scott. São opções bem mais divertidas, mas que não contam com a mão, os olhos, e a câmera do homem que marcou a história do cinema para sempre: Stanley Kubrick.

Ps: não poderia deixar de comentar sobre a sequência final na estação de metrô de Chicago. Como um bom fã de Os Intocáveis, de Brian de Palma, a lembrança dos momentos finais veio imediatamente a minha lembrança.

A Morte Passou por Perto, filme noir de Stanley Kubrick

Nota:[tres]