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Aventura

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

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DEZEMBRO É UM MÊS DE BOAS RECORDAÇÕES PARA OS FÃS DO LEGADO DE J.R.R. TOLKIEN. Há pouco mais de 10 anos, o cineasta Peter Jackson embarcava na sua maior aventura como profissional e o resultado foi uma experiência única para os cinéfilos e especialmente os leitores mais ávidos por uma adaptação competente da trilogia O Senhor dos Anéis. Quem diria que tanto tempo depois, Jackson teria a sua própria jornada inesperada que culminaria no seu retorno para a Terra Média na trilogia O Hobbit.

Guillermo del Toro (que recebe uma menção especial durante os créditos finais) seria o diretor de O Hobbit, na época em que o projeto ainda estava previsto para se dividir em dois filmes. Porém, com os atrasos nas filmagens, ele acabou desistindo e sobrou para Jackson assumir a adaptação. Apesar de ter abandonado a direção, a contribuição de del Toro é visível para os cinéfilos. Claro que fica a grande questão: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada seria um filme melhor se fosse dirigido por outra pessoa? A pergunta é válida no sentido de buscar uma abordagem distinta do que foi visto em O Senhor dos Anéis, mas a verdade é que ninguém conhece tanto da Terra Média quanto Jackson. O Hobbit é uma história completamente diferente e que permite uma mudança de tom, tendendo mais para o humor e as fábulas. Mesmo com tudo preparado para oferecer algo novo, Peter Jackson acabou escorregando um pouco, mas não o suficiente para estragar o “recomeço” do Senhor dos Anéis.

Estrelado por Ian McKellen (como Gandalf) e Martin Freeman (Bilbo Bolseiro), a Jornada Inesperada narra os eventos que antecedem a saga do Um Anel e apresenta o hobbit em uma aventura com um grupo de 13 anões liderados por Thorin, Escudo de Carvalho (Richard Armitage). Eles partem em busca de vingança contra o dragão Smaug, mas terão que lidar com pequenos desvios no meio do caminho – afinal de contas teremos um total de aproximadamente nove, dez horas com toda a nova trilogia, no mínimo.

Assim como aconteceu em A Sociedade do Anel, o diretor oferece ao público uma abertura de tirar o fôlego. A estonteante cidade de Erebor, reino do avô e pai de Thorin, começa a ser atacada por um dragão gigantesco, a besta conhecida como Smaug. Usando o know how de quem já trabalhou com o clássico King Kong, Jackson acerta em cheio ao mostrar o dragão apenas de relance e deixar o espectador curioso para o que virá no filme seguinte, A Desolação de Smaug.


Os momentos iniciais me deixaram boquiaberto e com lágrimas sambando pelos olhos. Fora a sequência acima, descobrir que o filme é narrado a partir do exato dia da festa de despedida de Bilbo em A Sociedade do Anel também foi um belo acerto da equipe. Freeman fez um trabalho incrível ao conseguir recriar os olhares e características de Ian Holm. Se tratando de um filme com muitos personagens e com pouca (ou nenhuma) possibilidade de aprofundamento na personalidade de cada um, é gratificante ver um desempenho tão surpreendente. McKellen e Armitage também estão bem, mas só mesmo Andy Serkis (Gollum) consegue ofuscar o brilhante Bilbo Bolseiro de Uma Jornada Inesperada. Diga-se de passagem, os efeitos CGI que dão vida para a atormentada criatura Gollum estão ainda melhores, como era de se esperar.

Repetindo a fórmula da estrutura de A Sociedade do Anel (existe até uma cena em que você fica esperando o Gandalf gritar: “You shall not pass!”), Jackson decide recriar, de certa maneira, os personagens da trilogia. Nesse caso, Thorin seria como o Aragorn; Kili e Fili seriam uma mistura bizarra de Legolas com Merry e Pippin; diria que o Balin pudesse ficar bem como o Sam da vez, mas imagino que não seja correto falar isso. Era só para não deixar o hobbit de fora. O curioso é que mesmo contando com nove personagens, A Sociedade do Anel tinha diálogos bem trabalhados e que passariam longe dos embaraçosos momentos presenciados ao longo de Uma Jornada Inesperada, incluindo o discurso clichê de Thorin no final.

Parece que Jackson desaprendeu como se filma sequências de batalhas, pois a maioria das lutas envolvendo os anões ficou confusa demais para se entender o que de fato está acontecendo. E isso é realmente algo muito sério se tratando do homem que fez uma das maiores batalhas da história do cinema em As Duas Torres. As lutas de O Hobbit acontecem no escuro, mas mesmo assim não são tão complexas quanto aos eventos acontecidos em Helm`s Deep. Como se não bastasse a câmera maluca nas lutas, o diretor optou por incluir um slow motion completamente dispensável quando os anões se deparam com os orcs na montanha. Se Jackson queria disfarçar a bagunça, acabou piorando a situação.

Jackson retomou a parceria com o compositor Howard Shore, que dessa vez entregou um score inferior ao trabalho realizado há 10 anos. A dupla acerta em trazer de volta alguns temas antigos, como “Old Friends” (a música do Condado), e o tema principal (que ganha uma nova versão, “The Adventures Begins”, durante a sequência em que Bilbo corre para alcançar os anões no começo do filme), mas fora o imponente (e arrepiante) tema dos anões, “Misty Mountain” e suas variações (“Roast Mutton”), a trilha não possui a mesma carga de emoção de O Senhor dos Anéis. Pode até ser que ela cresça com o passar do tempo (e das revisões), mas a primeira impressão não foi das melhores.

A opção por uma nova trilogia pode ter deixado muita gente desconfiada, afinal o texto original é menor do que qualquer um dos três volumes de O Senhor dos Aneis, mas o roteiro adicionou muitas informações retiradas dos apêndices da trilogia, além de material inédito. Resta saber como tudo isso funcionará quando o espectador puder ver os três filmes como um só. Ainda que não tenha a mesma força dos filmes anteriores, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada marca o reencontro dos fãs com Jackson e os personagens de Tolkien. Pelos próximos dois anos teremos compromissos garantidos com Bilbo, Gandalf, Thorin e até outros velhos conhecidos, como o elfo Legolas (Orlando Bloom). Que venham os próximos dois.

Nota:[tresemeia]

Atenção: selecionei alguns momentos especiais do filme para comentar logo abaixo. A maioria possui spoilers. 


A apresentação de Thorin no livro acontece exatamente no momento em que os anões caem quando Bilbo abre a porta de sua casa. O destemido anão ficaria esmagado por todos os companheiros e demonstraria irritação desde o primeiro momento. É compreensível que uma mudança tenha sido necessária para engrandecer o personagem e explicitar para o público que ele será o “herói” dos próximos filmes.

Uma outra mudança em relação ao livro está na forma como Bilbo decide se juntar ao grupo. No texto original, Gandalf pressiona o hobbit a seguir com a aventura. Já no filme, Bilbo simplesmente acorda, vê que Thorin e Balin deixaram o contrato assinado, e só então começa a correr para alcançar os novos amigos.

A adaptação também modificou a famosa (e conhecida desde A Sociedade do Anel) cena em que os Trolls viram pedra. Bilbo e companhia avistam uma clareira e então se aproximam para descobrir o que é. Já no filme, o confronto com as três criaturas é necessário por conta dos pôneis sequestrados para virar sopinha.

Não é nem tão spoiler assim, mas em determinada cena do filme fica claro que Azog está vivo e preparando o momento certo para buscar sua vingança. O olhar de Gandalf e Balin entregou tudo, mas foi uma surpresa o confronto já acontecer logo no final de Uma Jornada Inesperada. O orc é um dos pontos positivos do filme. Quem diria que existiam orcs albinos!?

O melhor momento do filme é mesmo quando Gollum entra em cena (a batalha das pedras foi mais lenta do que ouvir um Ent pronunciando uma frase que realmente valesse a pena ser pronunciada). As charadas, que duram tempo demais no livro, são concebidas de maneira eficiente e que não deixam o público de saco cheio. Como é comum durante as conclusões dos filmes da série, a ação se divide entre as cenas de Bilbo e Gollum, e dos anões lidando com o Jabba, the Hutt, dos orcs. Poderia ser um defeito, mas com um personagem como Gollum em ação, não tem do que reclamar.





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2 Comments

2 Comments

  1. Sergio Souza

    17 de dezembro de 2012 at 3:44

    Não li o livro, mas acredito que o ponto fraco do filme seja justamente em tentar agradar aos fans. É demasiadamente longo, mas ao contrário de OSDA, acabou causando sono. Percebe-se que quase todas as cenas se estendem muito mais do que deviam, sejam cenas de ação, diálogos, e principalmente as famosas "caminhadas", apenas para mostrar cenários bonitos (a última dos anões que culmina na luta de gigantes tem pelo menos 6 tomadas por lugares diferentes, exagero total). Peter Jackson precisa aprender a deixar as versões estendidas para home video.
    Estava ansioso para conferir o HFR, que realmente deixou a gente boquiaberto em algumas cenas, mas estraga completamente outras. Aquele efeito das coisas se movendo rápido demais NÃO some com o tempo. Talvez exista alguma maneira de resolver isso, mas até lá, prefiro os atuais 24FPS.

    • Joubert Thomson Maia Junior

      17 de dezembro de 2012 at 11:06

      Sérgio muito pelo contrario. O livro é tão simples e acontece numa leitura tão fluida que é tenso o excesso de detalhes.
      Eu não só tive sono em algumas partes, como dei várias pescadas (inventei moda de assistir sessão de 0:00).
      O HFR também tinha me deixado bem curioso, mas concordo com você em Gênero, número e grau. "Aquele efeito das coisas se movendo rápido demais NÃO some com o tempo."

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Ação

O Homem Do Norte: brutal, mitológico e emocionante épico de Robert Eggers

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O Homem do Norte estreia dia 12 de maio nos cinemas brasileiros e é o terceiro filme dirigido por Robert Eggers. O cineasta é responsável pelos filmes de terror independentes A Bruxa (2015) e O Farol (2019), e, para este projeto contou com uma produção de um grande estúdio (Focus Features) e com um orçamento de 90 milhões de dólares. Estão no elenco: Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, e Willem Dafoe.

Dessa maneira conseguimos perceber que O Homem do Norte é um filme ambicioso tanto pelos talentos envolvidos no longa, quanto pela história escolhida por Eggers, um épico baseado na mitologia nórdica. Na trama seguimos o jovem viking Amleth, interpretado por Alexander Skarsgard que após ver seu pai, o rei Aurvandill, vivido por Ethan Hawke, ser traído e morto pelo irmão, foge de sua vila e prometendo voltar para se vingar. Alguns anos depois, Amleth, agora adulto, inicia o planejamento de sua vingança.

É interessante ressaltar que o longa tem uma montagem em capítulos, tornando assim a experiência muito próxima a da literatura. O roteiro navega pelos passos do protagonista como quem nos conta uma história em partes, conseguindo capturar a essência da cultura e transferi-la para a tela de forma acessível. Veja bem, não é necessário ser um estudioso da cultura viking para acompanhar o filme. Embora ele tenha simbolismos que podem parecer confusos e específicos, como a religião e os esportes praticados por eles, a trama principal traz elementos conhecidos e simples: destino e escolhas, intriga familiar, amor, ódio e traição.

O Homem do Norte utiliza de uma fotografia atmosférica que é fria e cinzenta em certos momentos mas também quente e escarlate em outros. Ela amplia alguns cenários em detrimento dos seus personagens, mas quando faz uso de close-ups nos coloca ao encontro das emoções brutais que eles sentem e externalizam. Tudo isso, aliado a uma trilha sonora bem executada e inovadora. Alguns sons são tão diferentes que parecem nos transportar para dentro do filme de forma tão imersiva. Também parabenizo a equipe de Design de Produção, a riqueza de detalhes aqui impressiona.

Outro destaque de O Homem do Norte está, sem surpresa, em seu elenco. Elogiar as performances aqui é até redundante, pois é impossível assistir o filme sem ser impactado por elas. Começando por Alexander Skarsgard (de A Lenda de Tarzan), se você é um grande fã do ator, precisa conferir toda a potência, força e intensidade que ele apresenta aqui. Nicole Kidman (Apresentando os Ricardos) faz a mãe do protagonista, a rainha Gudrún, sua personagem discorre um monólogo que é de arrepiar.

Além disso, a excepcional atriz Anya Taylor-Joy (de A Noite Passada em Soho) repete sua parceria com o diretor e dá vida para Olga da Floresta de Bétulas, outra figura indispensável para o andamento da narrativa, que ajuda Amleth em sua missão,juntos eles são destemidos e inteligentes. Ademais, os atores coadjuvantes ou com menos tempo de tela, não passam despercebidos. Isto é, nota-se a qualidade da produção, quando todos seus personagens conseguem brilhar de alguma forma e nenhum deles é desperdiçado.

 

 Por outro lado, é relevante dizer que sim, o filme é brutal, em razão do universo inserido. Os vikings retratos aqui são guerreiros violentos que executam matanças e escravizam seus inimigos. Para aqueles que assim como eu, são um pouco sensíveis a imagens mais gráficas vale o aviso de que algumas cenas podem ser desconfortáveis para você.

De todo modo, essa odisseia é maravilhosa de acompanhar, é impressionante como um diretor com visão pode fazer seja com pouco ou muito dinheiro. O Homem do Norte irá enfrentar mais uma batalha nos cinemas do Brasil: a disputa por salas com Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Por entender que guiar o público a experiências distintas e marcantes pode ser  um dos objetivos de uma crítica, indico fortemente que caso você tenha que escolher entre um dos dois filmes, que seja assistir O Homem do Norte.

Veja bem, esta dica não tem a intenção de diminuir um filme em relação ao outro, e, entende que as duas obras devem ser respeitas. Todavia, é importante incentivar as pessoas a assistirem projetos como este, pois tem sido raros de serem encontrados nas telonas. Um épico histórico, sangrento, arrebatador, visceral, repleto de suspense e reviravoltas, pensado minimamente para que sua ida ao cinema seja recompensadora e singular, assim é O Homem do Norte. Não perca!

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Ação

Crítica de Mulher-Maravilha 1984: Jenkins e Gadot acertam de novo

Três anos e meio após o lançamento de Mulher Maravilha (2017), finalmente pude conferir a sua aguardada continuação. Agora, o cenário passa da Primeira Guerra Mundial para o ano de 1984. Por isso, o título Mulher Maravilha 1984. Já adianto que, para quem gostou do longa anterior, este é tão bom quanto.

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mulher-maravilha 1984 crítica

Crítica de Mulher Maravilha 1984: Jenkins e Gadot acertam de novo.

Três anos e meio após o lançamento de Mulher-Maravilha (2017), finalmente pude conferir a sua aguardada continuação. Agora, o cenário passa da Primeira Guerra Mundial para o ano de 1984. Por isso, o título Mulher-Maravilha 1984. Já adianto que, para quem gostou do longa anterior, este é tão bom quanto.

Inicialmente, senti que a produção de 2017 havia me surpreendido mais. No entanto, vi que não foi isso. Na verdade, tive essa impressão porque na época foi algo novo: foi a primeira vez que eu assisti a um filme baseado em quadrinhos com uma mulher (Gal Gadot) como protagonista. Então, foi um misto de “que filme foda”, com “cara, esperei tanto tempo, que emoção”. Após ver o segundo filme e refletir por um período, cheguei à conclusão de que vale o tempo tanto quanto o outro.

Novo cenário

A diferença é que este tem uma história bem diferente e outro foco. Estamos na década de 80, em Washington. Jenkins mostra o período com todas as cores, estilo e vida que ele merece. O processo de adaptação de Steve (Chris Pine) é hilário. Afinal, o último mundo que ele conheceu foi em 1918. Imagina o choque em ver esse lugar completamente diferente quase 70 anos depois! Esse é um dos pontos positivos da releitura feita pela diretora: um visual colorido, com humor e drama bem equilibrados. DC Comics não é só sombra e drama. Essa mesmice estava irritando, mesmo com filmes sólidos como os da trilogia de Christopher Nolan, por exemplo.

Aproveito para destacar a química de Gadot e Pine. Se em 2017 os dois estavam perfeitos, em 2020 repetem o êxito. A conexão de ambos é convincente o tempo todo, passando por momentos que se dividem entre emoção extrema e risos. Sem dúvidas, um casal que nos apaixona e nos diverte.

Enredo

O vilão da história não é o Deus da guerra. O vilão é um artefato de origem desconhecida, que causa estragos absurdos com quem o usa. No caso, o mundo se vê em grande perigo por causa da ganância e egoísmo de Maxell Lord (um excelente Pedro Pascal). Já adianto que ele não é um monstro ou algo do tipo. Jenkins humaniza bem o personagem, que sim, erra bastante e provoca o caos, mas não passa de um pai que quer deixar o seu filho orgulhoso, e acredita que dinheiro e poder são os ingredientes necessários pra isso.

Outro ponto interessante do roteiro é Barbara Minerva (Kristen Wiig). Uma mulher brilhante, bondosa e alto astral, mas com uma baixa autoestima enorme, que acaba cegando-a e fazendo com que ela transforme a sua inveja e raiva em violência. Assim como Pascal, Wiig se destaca nas cenas em que aparece. Seria legal vê-la novamente na franquia.

Mulher Maravilha

Gadot é o tipo de atriz que você vê e diz: “ela nasceu para esse papel”. Desta vez, ela nos encanta com um toque ainda mais especial: uma trilha sonora de Hans Zimmer. Seus olhares, movimentos e carisma a fazem dominar o filme ponta a ponta. Não dá pra tirar o olho da tela. Dá pra entender a admiração de todos que olham pra ela em qualquer lugar que entra.

Porém, uma das coisas que mais gostei no filme foi ver o lado frágil da heroína. Os primeiros minutos da produção mostram ela criança, aprendendo com seus erros. O tempo passou e ela, por mais madura e inteligente que seja, ainda sofre por Steve, seu único amor. Ele morreu há quase sete décadas e ela ainda não conseguiu deixá-lo ir. Muito menos deu chance a outro homem. Ou seja, o fato de ser uma mulher empoderada, independente, forte e boa, não a faz imune de sofrimento e de não querer abrir mão do que quer. Ser uma heroína não a torna incapaz de sentir.

Veredito

Mulher Maravilha 1984 atende às expectativas. Como longa de ação, tem ótimas cenas de perseguição e luta. Destaco a sequência inicial e outra no Egito. Como drama, vemos os personagens com dilemas morais significativos e bem desenvolvidos. Jenkins abre espaço até para discutir sobre assédio sexual. Visualmente, um espetáculo; tanto o cenário quanto os efeitos especiais são muito bem detalhados e convincentes. Também preciso admitir que o longa chegou bem perto de me fazer chorar, algo que o primeiro não fez.

Ps: a cena pós-créditos é um presente para os fãs. Não saia da sala!

 

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Aventura

Crítica: Anaconda (1997)

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critica de anaconda

poster anaconda critica filme 1997O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Anaconda possui spoilers e você não precisa se preocupar porque saber o que acontece não vai deixar o filme melhor ou pior.

EXISTEM MILHARES DE PRODUÇÕES SOBRE ANIMAIS SELVAGENS SEDENTOS POR SANGUE. Tubarão (Jaws, de Steven Spielberg) ainda permanecerá no topo da lista de filme de horror com bichos mais eficiente de todos os tempos, mas muito disso se deve exatamente à falta de produções de com o mesmo nível de qualidade.

Anaconda, por exemplo, chegou aos cinemas em 1997 e se hoje estou dedicando tempo para escrever essa crítica (e você, curiosamente, dedicando seu tempo para ler) é porque de tão ruim se tornou um verdadeiro filme cult, daqueles que precisamos ler à respeito para encontrar pessoas que dividam conosco uma bizarra admiração pelo longa-metragem estrelado por Jennifer Lopez e Jon Voight.

A trama é bobona: uma turma de documentaristas tentando encontrar uma tribo indígena na Amazônia cruza o caminho de um tiozão com rabo de cavalo inspirado no Steven Seagal. O que já era um autêntico programa de índio, se torna um pesadelo quando descobrem que o do “rabo de cavalo” é um caçador de cobras decidido a capturar a gigantesca Anaconda.

Claro que cobrar atuações de qualidade de uma obra dessas é pedir demais. Jon Voight claramente estava com uns boletos atrasados. A gente entende a Jennifer Lopez e tal. Mas ainda tem o Eric Stolz num papel mega canastrão, Owen Wilson fazendo um “adulto adolescente” ganancioso, e o Ice Cube, bem, a gente também entende. Nenhum ator parece realmente se divertir, exceto por um coadjuvante que solta um “puta que pariu” em alto e bom portunhol antes de morrer. Esse cara deu graças a Deus por morrer.

Num determinado momento, para ilustrar a falta de conteúdo do roteiro e das falas, uma coadjuvante começa a sensualizar dançando sozinha no barquinho. Talvez ela quisesse encantar a serpente do Owen Wilson ou talvez estivesse chapada de maconha da Amazônia, mas nem isso faria muito sentido.

Se as atuações não salvam, o que dizer dos efeitos visuais? Até que o cineasta Luis Llosa (O Especialista, com Sylvester Stallone) tenta iniciar a narrativa com uma atmosfera de suspense mostrando o coitado do Danny Trejo sendo atacado por uma criatura que o público não vê. A tensão é maior quando trabalhamos com o que é subjetivo e está em nossa imaginação. No entanto, logo isso é deixado de lado e acompanhamos a serpente gigante e seu efeito tosco (e muito datado).

Tem até uma parte em que a cobra está sendo atacada por todos os personagens dentro de um ambiente, mas basta ouvir a queda de alguém no rio, que olha na exata direção como se fosse a porra de um cachorro sem patas. Poderia comentar a parte em que criatura vomita Jon Voight, que dá uma infame piscadinha, mas deixa isso pra lá.

Anaconda é um entretenimento classe B do final da década de 1990 e quem ainda não viu, pode ficar feliz de ter acompanhado esse texto e se livrado de perder 1h30 da sua vida. Se você procura filmes de cobras legais (e não tá a fim de ver Emmanuelle), pesquise por Serpent (2017). Esse sim é um bom filme com cobras.

Confira abaixo a edição 94 do programa 365 Filmes em um Ano dedicado para a análise crítica de Anaconda:

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