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O Homem Invisível – Crítica do Filme

Elisabeth Moss estrela o terror de Leigh Whannell.

Mais que um terror, O Homem Invisível (The Invisible Man, EUA, 2020) é um filme sobre relacionamentos abusivos. Neste projeto, Leigh Whannell (Upgrade: Atualização, Sobrenatural: A Origem) foge um pouco das produções sanguinárias da franquia Jogos Mortais e dos espíritos macabros de Sobrenatural para abordar um tema mais atual.

Deixo claro que não temos outro Midsommar, apesar de ambos terem protagonistas envolvidas em relações tóxicas. Aqui, Cecilia (Elisabeth Moss dando show, pra variar) é uma arquiteta que sofre ao lado de Adrian (Oliver Jackson-Cohen), um homem brilhante profissionalmente, mas violento e controlador no privado. Duas semanas após deixá-lo, ele comete suicídio e deixa parte de sua fortuna para ela. O problema é que, mesmo morto, Adrian continua assombrando Cecilia, colocando a vida dela e de pessoas próximas em risco.

Dadas as devidas proporções – Whannell dirige um drama e um terror, simultaneamente -, o roteiro nos mostra todas as características de uma pessoa que é vítima de um abusador. Sente-se constantemente atormentada, com medo, insegura, incapaz e louca. Tudo isso alimenta o criminoso que a faz se sentir dessa forma, motivando-o cada vez mais. Mesmo com o apoio de amigos e familiares, existem aqueles que não acreditam no que ela diz (quando diz, pois muitas vítimas sofrem sozinhas) ou dizem que está exagerando.

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Em alguns momentos, dói assistir ao filme porque Cecilia come o pão que o diabo amassou. O fato de sabermos que inúmeros indivíduos enfrentam relacionamentos abusivos no mundo real é ainda pior. Por isso que O Homem Invisível não é uma obra somente para fãs do gênero terror (sustos, ambientes escuros, trilha sonora arrepiante e objetos caindo, sem ninguém em volta, estão todos lá). O enredo em si é o que, de fato, importa.

Importa porque o planeta está cheio de Adrian’s e nem todos eles são punidos pelo que fazem. Aliás, muitos passam de vítima para vítima, caso a primeira consiga sair da relação doentia. Cecilia, por sua vez, é uma vítima fortemente abalada e quase prestes a desistir, mas que faz de tudo para tentar se livrar do abusador; até quando todos estão contra ela. Que ela sirva de inspiração para as pessoas que passam por situação semelhante. E vai servir, tenho certeza.

O Homem Invisível entra em cartaz hoje no Brasil. Em Portugal, estreia no dia 05 de março de 2020.

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