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O Mensageiro

É difícil escrever resenhas e/ou críticas na época do Oscar. A chance de se perder e deixar o texto datado é alta demais e às vezes não vale muito a pena correr o risco. Porém, falar de O Mensageiro e ignorar o assunto em questão, seria praticamente impossível. Confesso que estava com uma enorme preguiça de assistir ao filme, mas depois de ler a excelente crítica que a Priscila Armani fez para o Opperaa, acabei cedendo e não me arrependi nenhum pouquinho.

Imaginem um filme que mistura Amor sem Escalas e Guerra ao Terror (coincidentemente, ambos os filmes concorrem ao Oscar de melhor filme e roteiro adaptado e original, respectivamente), mas que possui atuações e script bem superior aos longas citados. O Mensageiro recebeu apenas duas indicações: uma para a disputa entre os atores coadjuvantes, e infelizmente, Woody Harrelson tem Christoph Waltz pela frente. Dificilmente levará o prêmio para casa; e a outra para o roteiro original, onde também esbarra em Quentin Tarantino e seu Bastardos Inglórios e em Um Homem Sério dos irmãos Coen. Parece que a academia mais uma vez cometeu uma injustiça e bem como no ano passado deixou de indicar filmes como Gran Torino e Cavaleiro das Trevas, esse ano “esqueceu” de incluir O Mensageiro na disputada lista de 10 melhores do ano. Injusto.

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Quando comparo O Mensageiro e Amor sem Escalas, é justamente pelo serviço que os dois personagens principais exercem. Assim como George Clooney, os atores Woody Harrelson e Ben Foster são encarregados de comunicar aos familiares sobre a morte de seus parentes na guerra do Iraque. A diferença entre o grau da mensagem é completamente distinta de Amor sem Escalas, mas a ideia é a mesma. Já a menção ao excelente Guerra ao Terror, se dá pela forma como a guerra é tratada. No longa de Kathryn Bigelow, a guerra é sinônimo de uma droga, que cria dependentes e os torna em pessoas anti-sociais. O diretor e roteirista Oren Moverman brilha ao evitar os tradicionais cliches do gênero ao criar personagens complexos e que demonstram passar por momentos de grande sofrimento e solidão. Woody Harrelson recebeu o devido reconhecimento e faturou a sua segunda indicação ao Oscar (a primeira foi há 10 anos por O Povo Contra Larry Flint). Já o ator Ben Foster mostra um talento que está bem além daquele visto em filmes como Pandorum e X-Men 3.

Excelente opção para quem gosta de filmes que nos forçam a refletir sobre os sentidos distorcidos da guerra. Afinal, será que um soldado pode mesmo ser chamado de herói? Diante de tantas produções que focam no psicológico de ex-combatentes das forças armadas, eu duvido que algum desses guerreiros realmente se considerem vencedores de alguma guerra. Vale a pena demais!

Prestem atenção na sequência em que Woody Harrelson dá uma aula de machismo e diz que homens não pedem ajuda na direção. Nem mesmo precisam de gps ou outras coisas assim. Principalmente se forem soldados…

Ficha Técnica:
O Mensageiro (The Messenger, 2009)
Dirigido: Oren Moverman
Roteiro: Oren Moverman
Genêro: Drama
Elenco: Ben Foster
Trailer

ps: …

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