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Crítica de O Pentelho (1996)

poster o pentelhoO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de O Pentelho possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

JIM CARREY TINHA UM DOS MAIORES SALÁRIOS DE HOLLYWOOD EM 1996 e parece que sentia a grande necessidade de embarcar num desafio. Mesmo vivendo o vilão Charada em Batman Eternamente, de Joel Schumacher, o ator parece ter buscado algo provocante e que o desafiasse. Ou colocasse em risco sua carreira com um possível fracasso. O Pentelho (The Cable Guy, de Ben Stiller) é exatamente um imenso desafio que ou você ama ou você odeia.

Carrey surge com um tipo de humor muito diferente de tudo que já tinha representado até então. Seu personagem, Chip Douglas, é um louco obsessivo carente que busca encontrar um melhor amigo em qualquer um que lhe dê migalhas de atenção. A premissa é curiosa e poderia render um longa-metragem melhor, mas ainda assim, arrisco dizer que funciona.

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Peter Travers, da revista Rolling Stone, apontou semelhanças entre O Pentelho e O Rei da Comédia, de Martin Scorsese, e Atração Fatal, de Adrian Lyne. Fora a parte que Carrey não tem em sua carreira o mesmo peso que De Niro e que não existe sexo no roteiro (talvez uma transa com uma prostituta ou uma espiadinha), faz muito sentido comparar as tramas – dando as devidas proporções.

O Pentelho é tanto sobre a obsessão quanto as duas obras citadas, e posso incluir ainda Louca Obsessão, de Rob Reiner. Mas aprofunda em algo que nenhuma outra fez: tentar mostrar a vulnerabilidade do vilão, como se fosse uma criança grande sem ter a menor noção dos seus atos. Carrey se aproxima de Matthew Broderick simplesmente porque recebeu a atenção que lhe foi negada desde a infância, quando a mãe saía de casa e o deixava na companhia apenas da televisão.

Claro que precisamos trabalhar a boa e velha suspensão da descrença para entender COMO o vilão rouba os equipamentos de som, dentre outros pontos, mas ainda assim é uma história curiosa sobre como alguém carente pode fazer verdadeiras cagadas. Seria o instalador de tv a cabo um autêntico psicopata?

Além de Carrey e Broderick, o elenco ainda tem o próprio Ben Stiller fazendo uma participação especial em uma das piadas do filme (Stiller vive os irmãos gêmeos que aparecem num julgamento), Leslie Mann, Owen Wilson e Jack Black um pouco antes de servir como tiro ao alvo para Bruce Willis em O Chacal.

O Pentelho divide opiniões, mas podemos garantir que Jim Carrey é sempre uma atração a parte em qualquer que seja a trama. Independente de não mergulhar fundo no “vilão mais carente da história do cinema”, o filme entrega momentos curiosos e “presentes” para os cinéfilos (como a coincidência do roteiro brincar com O Silêncio dos Inocentes e ter a participação de Charles Napier). Vale a pena pelo menos para conhecer a filmografia de Carrey.

Veja a crítica de O Pentelho em vídeo no projeto 365 filmes em um ano: