Cinema por quem entende mais de mesa de bar

O Poço (2020) – Crítica do Filme

Filme espanhol está em alta na Netflix.

O Poço (2020) está em alta na Netflix e dando o que falar nas mídias sociais. Mas no contexto em que vivemos, dá pra entender perfeitamente bem o porquê disso.

LEIA TAMBÉM AS CRÍTICAS DE PARASITA (2019) E O EXPRESSO DO AMANHÃ (2013)

O enredo

- Advertisement -

Primeiro longa do espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, o filme é uma ficção, com pitadas de drama, suspense, terror e comédia. Para evitar spoilers, serei bem sucinta: o enredo é sobre um homem, Goreng (Ivan Massagué), que vai parar voluntariamente em uma prisão vertical. Após seis meses, será libertado e com um certificado nas mãos. Porém, não é um percurso fácil até chegar lá.

Basicamente, o espaço, literalmente um poço, possui centenas de andares, cada um deles com duas pessoas. Uma vez por dia, um elevador carrega um banquete, que passa por todos os níveis. Como é de se esperar, para aqueles que estão longe do topo, sobra muito pouco ou quase nenhuma comida. Só que não para por aí. Após certo período, os indivíduos mudam de andar, ou seja, ficam um tempo no topo, outro no meio, e outro nos últimos andares.

Sim, isso não existe no mundo real. Ainda (o ser humano surpreende!). Mas os comportamentos observados nessa história são muito verossímeis. A pandemia do COVID-19 nos faz ver isso claramente, assim como vários outros momentos de crise econômica na história da humanidade. É impressionante como que as pessoas se tornam egoístas quando a situação aperta. Parece que o botão da racionalidade desliga nas nossas cabeças e enxergamos somente nós mesmos. Ou quem depende de nós. O resto? Ah, o resto que se ****.

Reflexão social

A produção espanhola foca num contexto específico, em que os prisioneiros do topo “se esquecem” de quem está abaixo deles e saciam sua fome até não aguentarem mais. Coincidentemente, qualquer um que tenha ido ao supermercado recentemente experienciou algo parecido: chegou ao local e encontrou prateleiras vazias ou pessoas com os carrinhos cheios de comida e objetos para estocar em casa. Atitudes bastantes parecidas, só muda o momento.

Termina o filme e você se pergunta quando é que o ser humano vai parar de olhar pra si mesmo e os seus interesses próprios, e olhar ao seu lado. Sim, ao seu lado. Somos cerca de 8 bilhões de pessoas; não estamos sozinhos. Entendo que, em momentos de crise, é normal pensarmos em nós e nos que estão próximos da gente. Mas não é normal que esse foco prejudique o outro. A humanidade já passou por inúmeras crises e parece que nada mudou, que nós não evoluímos com isso. Ou seja, todos que morreram ou foram permanentemente afetados, sofreram em vão.

Custa não pensar somente em você? Custa não pensar somente em dinheiro? O mundo não funciona sem pessoas. Organizações não produzem sem pessoas. Estamos em 2020 e, até agora, a impressão que fica é a de que grande parte da população não entendeu isso. Não é que os habitantes do poço não tenham percebido que existem famintos lá embaixo. Eles só não querem sair da zona de conforto deles e mudar aquele ciclo vicioso. Quem tá bem, quer continuar bem. E só vê de verdade o outro lado quando sofre na pele.

Conclusão

Notar um problema é uma coisa. Agir para solucioná-lo é outra. O problema das pessoas é justamente esse, e é o que Goreng tenta consertar em O Poço.

O elenco do longa ainda conta com Antonia San Juan, Zorion Eguileor, Emilio Buale e Alexandra Masangkay.

Assista ao review em vídeo AQUI.