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O Som do Silêncio: desespero e aceitação

Riz Ahmed brilha em drama do estreante Darius Marder.

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O Som do Silêncio: desespero e aceitação.

A experiência de perder algo que você sempre teve deve ser inexplicável. Em Som do Silêncio (Sound of Metal, EUA, 2019), Riz Ahmed interpreta Ruben, um baterista de heavy metal que perde a audição e passa por um duro processo de adaptação.

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Perda da audição

O sentimento que passou grande parte dentro de mim, durante as 1h40 de filme, foi desespero. É realmente desesperador ver o protagonista perder a sua capacidade de ouvir do nada. Ainda mais quando o trabalho dele precisa da audição. O diretor Darius Marder (sua estreia na direção de um longa) nos coloca no lugar dele praticamente o tempo todo, deixando-nos com a sensação de nós mesmos estarmos passando pelo mesmo desafio. Como? Tirando ou diminuindo o som de algumas cenas.

Na primeira vez que isso acontece, é um misto de susto e desespero. Imagino que deva ser esse o sentimento de quem está ouvindo normalmente e, de repente, o som desaparece. Ruben faz o que qualquer pessoa faria: cutuca o ouvido, prende a respiração, enfim, faz de tudo para verificar se o ouvido não está entupido ou algo semelhante. Somente quando procura ajuda que recebe a notícia de que perdeu grande parte da sua audição e continuará perdendo-a com o passar do tempo. E isso é irreversível, algo que ele também não sabia até então.

Adaptação

Após entrar nesta nova realidade, o que vemos é o processo de negação e aceitação de Ruben. Sua namorada, Lou (Olivia Cooke), ajuda-o no que pode, mas precisa deixá-lo quando ele entra num programa para surdos. É aí que o outro grande destaque de O Som do Silêncio aparece: Joe (Paul Raci, criado por pais surdos na vida real). Ele é o homem que introduz Ruben nessa diferente etapa da sua vida, colocando-o no convívio com várias pessoas surdas, tanto crianças quanto adultas.

Ou seja, o protagonista passa a viver sem três coisas que estava acostumado a ter: a audição, a rotina de uma banda e a namorada. Não é fácil, muito pelo contrário. São altos e baixos constantes, afinal, era a vida que ele conhecia e perdeu inesperadamente. Estamos com Ruben o tempo todo, sentindo o que ele sente; sofrendo com ele a cada segundo de dor, e sorrindo em cada momento de felicidade que ele encontra.

Veredito

Marder co-escreveu o roteiro com Abraham Marder e Derek Cianfrance (Marder também é roteirista de O Lugar Onde Tudo Termina). O resultado é uma jornada dolorosa, mas muito bonita. O que O Som do Silêncio faz é simplesmente mostrar que a vida é feita de altos e baixos, cada um enfrentando os seus desafios do jeito que pode e quer em cada ciclo que passamos. No fim das contas, por mais que isso exija de nós a capacidade de nos adaptar constantemente, é sempre possível encontrar a felicidade. Mudar e encarar uma nova realidade é difícil, mas faz parte da nossa experiência na Terra e do nosso processo de evolução como seres humanos.

 

O Som do Silêncio: desespero e aceitação. Assista ao trailer AQUI.

 

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