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O Último Desafio

Arnold Schwarzenegger estrela O Último Desafio

ARNOLD SCHWARZENEGGER ESTÁ DE VOLTA PARA ENFRENTAR O SEU ÚLTIMO DESAFIO. O gigante de quase 1,90 governou o estado da Califórnia entre 2003 e 2011, quando decidiu voltar para o mundo do cinema. Seu retorno aconteceu em Os Mercenários 2, o divertido macho movie, que também conta com Sylvester Stallone, Bruce Willis e Jean Claude Van-Damme no elenco. Infelizmente, Schwarza parecia um tanto engessado e perdido no seu personagem, sendo esse, aliás, um dos problemas da obra. isso motivou discussões sobre o seu futuro: será que ele passaria vergonha nos trabalhos seguintes?

A resposta não demorou para chegar. Para a nossa alegria, o ator conseguiu recuperar o seu timing artístico em O Último Desafio, do diretor Jee-woon Kim (do excelente Eu Vi o Diabo, thriller policial com aquele homem sofrido de Oldboy). Desta vez, ele não parece agir como o androide chutador de traseiros de O Exterminador do Futuro 2, e está visivelmente mais confortável  que na continuação de Os Mercenários. Claro que ajuda muito o fato do filme existir apenas para o austríaco mostrar que voltou, da mesma forma que o ouvimos afirmar tantas vezes no longa-metragem de James Cameron.

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Tudo bem que a obra não agradará ao público “cabeça”, ou você acha que um fã de Godard ou Kubrick vai se interessar por um filme de ação estrelado por um ator mediano na etapa final de sua carreira? Em compensação, poderá acertar em cheio no gosto daqueles que cresceram assistindo a clássicos como O Vingador do Futuro ou já citado O Exterminador do Futuro 2. Para quem nunca viu Schwarzenegger em ação (céus, tá na hora de corrigir isso, hein…) será uma boa oportunidade de conhecer o trabalho do ator e de quebra ter um gostinho do clima de um bom western. Na verdade, se não fosse por Arnold Schwarzenegger, o trabalho de estreia de Jee-woon Kim em Hollywood não se sustentaria: a história é bobinha e previsível, os personagens secundários são chatos, o vilão é um bunda mole, entre outros detalhes que comentarei logo abaixo.

A primeira cena do filme evidencia o clichê, com uma gag tradicional sobre a relação policial/donuts. Na sequência, descobrimos que um perigoso traficante fugiu da prisão com um carro mais rápido que um helicóptero e está viajando em direção ao México. O seu único obstáculo é cruzar o caminho do xerife Ray Owens em uma pequena cidadezinha da fronteira.

A citação ao carro não é por acaso, já que ele praticamente se torna um personagem da trama. É revelado que o vilão é um exímio piloto. Geralmente, os personagens de filmes de ação se transformam em pilotos talentosos por acaso, da mesma maneira como gente normal consegue atirar facilmente e acertar os bandidos. Acredito que seja um dos únicos méritos do roteiro que mereça um comentário, pois é absolutamente irritante a maneira como os diálogos são descritivos e tratam o público como idiotas incapazes de entender o que está acontecendo na tela ou fazer uma leitura mais profunda dos personagens. Não é surpresa descobrir que a maior vítima do roteiro foi o ator Rodrigo Santoro, que consegue ter as piores falas do filme. Mesmo. Nem novela da Record supera.

O carro mais rápido que um helicóptero
Brincar com clichês pode ser divertido, como visto na cena inicial, mas o beijo entre Frank Martinez (Santoro) e Sarah (Jaimie Alexander) é o reflexo do que acontece quando um roteiro passa pelas mãos de mais de duas pessoas. O pior de tudo é quando tentam empurrar um casal sem química alguma, ainda que sejam atores jovens e bonitos. Outro problema sério está na cena em que o jovem policial Jerry (Zach Gilford) conversa com o xerife e fala sobre suas ambições. A cena não é suficientemente natural, e o espectador mais atento pode prever o que irá acontecer momentos depois.

O Último Desafio peca por ficar em cima do muro: se num momento tenta ser uma produção de ação séria, com referências aos clássicos Onde Começa o Inferno, de Howard Hawks e Assalto à 13ª DP, de John Carpenter (que já era uma homenagem ao filme de Hawks); em outro dá destaque para o chato do Johnny Knoxville, e inicia um banho de sangue de fazer inveja aos filmes de Quentin Tarantino, mas que conseguem ser igualmente divertidos; E absurdo. Os momentos da batalha na cidade abrem espaço para a comédia, que imagino não ter sido um mero acidente.

Schwarzenegger sempre oscilou como ator. Desagradou a maioria do público quando investiu em comédias (embora eu goste de Um Tira no Jardim de Infância), e estrelou algumas bombas nos anos 90 (ei, Batman e Robin, estou olhando para você), mas possui um carisma tão grande quanto sua própria sombra. O Último Desafio marca esse retorno positivamente, e é o principal motivo para se querer gastar o suado dinheiro no cinema. Fica apenas a torcida para que ele escolha bem seus próximos trabalhos e não embarque em projetos duvidosos.Pôster de O Último Desafio

Nota:[tres]