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Filme: Os Mercenários 3

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SYLVESTER STALLONE E SUA EQUIPE DE MERCENÁRIOS ESTÃO DE VOLTA no terceiro longa-metragem da franquia. Com doses cavalares de ação para machos, e sem a menor aptidão para lembrar que o cérebro também é um músculo que mereça ser exercitado, Os Mercenários 3 chega escorregando e estragando tudo de bom que seu antecessor havia conseguido. O filme é apenas uma divertida reunião de amigos explodindo as coisas como se não houvesse amanhã. Quem precisa de uma boa história quando temos Stallone querendo matar um vilão vivido por ninguém menos que Mel Gibson?

O grupo de Mercenários está numa missão de resgate para salvar Doc (Snipes) e partir para um confronto mais perigoso contra um dos fundadores do grupo liderado por Barney (Stallone), que está chateado com a vida e quer matar um por um dos seus ex-companheiros. Basicamente, é isso que você encontra em Os Mercenários 3. O conflito mais profundo no longa-metragem está na hora em que os personagens passam a ter consciência de que estão velhos e ultrapassados (daí a necessidade de recrutar um grupo de soldados mais jovens – e mais dispensáveis ainda). Barney passa a se preocupar excessivamente com os companheiros e prefere investir numa missão suicida com um bando de malucos mais novos com quem ele não tem amizade. Não deixa de ser um tema interessante, mas abordar isso num filme assim seria suicídio comercial e um alvo perfeito para críticas, que ironicamente diriam que Stallone e cia estão amolecendo.

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Se há acertos em Os Mercenários 3, eles estão nas cenas em que somos apresentados ao esquisito personagem de Wesley Snipes (que protagoniza o barbear mais estranho do cinema desde aquele curta-metragem bizarro de Martin Scorsese) e, claro, na introdução insana com direito a um helicóptero perseguindo um trem (no melhor estilo Missão:Impossível, de Brian De Palma). O aparente caos é divertido, em primeiro momento. É tudo tão zoado e tosco que compramos a ideia com um sorriso no rosto, quase gritando para explodirem mais coisas. Só que isso passa. E depois que percebemos o quanto tudo soa bobo, é meio deprimente saber que nem mesmo a ação desmiolada compensa a falta de sustância no longa-metragem.

Nunca pensei que isso seria possível, mas Jean Claude Van Damme funciona melhor como ator do que Mel Gibson. Pelo menos nesse caso. O galã está perdido e desinteressado na pele do vilão, ao contrário do que o nanico belga fez no filme anterior. Claro que existe uma diferença importante no tom das duas obras: Os Mercenários 3 pode ser todo aloprado, mas ele se leva a sério; já o segundo filme é autêntica encarnação do termo “a zueira não tem limites” e por isso que funciona. Ainda temos a participação bizarra de Harrison Ford, cujo personagem substitui Bruce Willis. Poderíamos ter passado sem essa performance duvidosa. Por último, Arnold Schwarzenegger diz a sua famosa frase “get to da choppa” para explodir os fãs de alegria – e isso é o melhor que podemos esperar de seu personagem no filme inteiro.

Existe a grande chance da franquia ter “morrido” depois da qualidade medíocre do novo filme. Na época de lançamento da primeira parte (com direito a polêmicas envolvendo o Brasil, os brasileiros, bananas, macacos e aplausos), havia uma enorme expectativa em finalmente ver o encontro de Stallone com Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger. O resultado foi frustante, mas acabou compensado de uma maneira genial na continuação. Os Mercenários 2 é perfeito por combinar a dose certa de testosterona, humor, explosões e momentos sem noção. Nele, nossos sonhos são realizados com louvor. E ainda tive momentos pessoais para tornar o filme ainda mais especial na minha vida – e se cinemas falassem, eles diriam que uma improvável história de amor aconteceu ao mesmo tempo em que Chuck Norris chutava traseiros ao som de Ennio Morricone. Mas em Os Mercenários 3, que está mais pro primeiro filme do que para o segundo, os produtores erraram a mão completamente. E quem perde com isso somos nós, fãs de macho movies dos anos 1980.

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