Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Killer Joe


SENHORAS E SENHORES, desde tempos imemoriais, minha irmã e cunhado, Thaíssa e Rômulo (para os não íntimos da família) me recomendaram filmes tenebrosos. Por um tempo acreditei que eles faziam de propósito para me sacanear, depois desencuquei e percebi que apenas gostávamos de tipos diferentes de cinema. Eu gosto dos bons filmes e eles dos ruins. É simples assim. Sem mistério.

Esta escrita valeu até o finalzinho de outubro passado, quando eles sugeriram que víssemos Killer Joe*. À primeira vista eu desconfiei, já que a indicação veio adornada por uma belezura de comentário: “parece até aqueles filmes do Tarantino que você gosta”. A curiosidade matou o gato. Sigo feio, mas sou curioso. E logicamente, fiquei com a pulga atrás da orelha e fui conferir.

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De fato, o filme nada a ver com o santo nome de Quentin Tarantino. O tempo todo jorra o sangue, o sexo e as bizarrices da tela, mas isso não quer dizer grande coisa, afinal pode-se lançar mão de todos esses recursos e de alguns mais sem passar perto de um “gênero tarantiniano” (pois é, eu tenho o mal hábito de flexionar o nome dos diretores).

O nome por trás da cadeira do diretor, no entanto, desfruta de mais cacife que o do nosso queridão “Taranta”. O dito cujo em questão chama-se William Friedkin, que os fortes e sagazes vão rapidamente associar a clássicos como O Exorcista (o original e único que presta) e Operação França (com Gene Hackman arrasando na pele do detetive Jimmy “Popeye” Doyle”).

Vamos ao bom e velho plot: Chris (Emile Hirsh) é um canalha! Ou melhor, ele é um f*ckin’ bastard! Melhor ainda, ele é um f*ckin’ bastard endividado! O desespero é tanto que, para sanar as suas pendências com alguns criminosos super gente boa, o rapaz pretende utilizar o dinheiro do seguro de vida de sua querida mamãe. Aparentemente, o único empecilho para tão formidável plano é a velha que ainda respira, mas com a ajuda de seu papai Ansel (Thomas Haden Church), sua madrasta Sharla (Gina Gershon) e sua irmã e beneficiária do seguro Dottie (Juno Templo) tudo e todos podem ser driblados. Precisamente nesse ponto, o policial de índole super questionável Joe Cooper (Matthew MacConaughey, o bonitão de Como Perder um Homem em 10 Dias e Armações do Amor) se envolve nesse plano, digamos, perverso.

Representante de um gênero merecidamente chamado de southern gothic dark comedy**, Killer Joe é daqueles filmes que já nasceu tenso. Um thriller tex-but-not-mex salpicado de elementos do mais puro redneck e white trash, como diria um amigo  norte-americano carregado do mais puro bairrismo sulista. Sinteticamente, é a busca por um ménage freak (que significa relação em francês, a título de esclarecimento para os que pensaram besteira). Traduzindo nos termos do meu gosto cinematográfico: lindo!

OBS.: menção honrosa para felação mais, digamos, atípica do cinema mundial.



Nota:[tresemeia]

* Recuso-me, terminantemente, a empregar o título em português, Matador de Aluguel, pela tosqueira e mesmice inerentes ao mesmo, marrom-glacê demais pro meu gosto.

** Assim como procedi em relação ao título, a tradução não vai acontecer para evitar o automático empobrecimento crônico da expressão.