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Crítica: Ressaca de Amor (2008)

poster ressaca de amorO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Ressaca de Amor possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

TERMINAR UM RELACIONAMENTO É UMA BOSTA. Fica pior ainda quando a outra pessoa aparece com outro sujeito uma semana depois. A gente fica na merda, nas areias do destino, e se perguntando o que diabos fez de errado. Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall, 2008) talvez seja um dos representantes mais interessantes desse tipo de história.

Dirigido por Nicholas Stoller (Vizinhos e Cinco Anos de Noivado), a comédia coloca Jason Segel, Kristen Bell, Russell Brand e Mila Kunis como os protagonistas de uma narrativa que aborda as dificuldades de um relacionamento através de traições e desgastes emocionais.

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Peter é um compositor apaixonado por uma atriz chamada Sarah. Durante todo o relacionamento, ele dedicou muito carinho e atenção para sua amada, mas sem preservar o amor próprio e o zelo por si mesmo. A consequência disso foi Sarah escolher terminar a relação, o que faz Peter ter uma crise depressiva e viajar para o Havaí.

Para quem esperava uma viagem tranquila para descansar e espairecer, Peter se surpreende quando encontra a ex-namorada acompanhada do seu atual, um cantor britânico chamado Aldous Snow. Sua viagem só melhora quando encontra Rachel, uma garota que trabalha de recepcionista no hotel.

Minha cena de DR favorita do cinema está em Ressaca de Amor. Logo nos minutos iniciais da produção, Peter está tomando um banho e é surpreendido por Sarah. Sua primeira ação é fazer uma piada de cunho sexual, mas logo descobre que está prestes a levar um pé na bunda. A toalha cai e Sarah começa a terminar o relacionamento enquanto o rapaz está inconsolável e peladão.

O que torna essa cena tão excepcional é a metáfora para a fragilidade de uma pessoa que é dispensada de um relacionamento, seja ele profissional ou amoroso, como é o caso aqui. Esses momentos nos tornam incrivelmente vulneráveis e frágeis, assim como é quando estamos nus. Muitos sentem vergonha de seus corpos e a exposição disso combinada com o fim de um namoro é um toque genial de Ressaca de Amor.

Outro momento importante da narrativa é quando Sarah explica POR QUE decidiu terminar o relacionamento. Ou justificar a sua traição. Muitas vezes demonizamos quem termina com a gente sem tentar entender os motivos. Sarah conta que o comportamento desleixado de Peter estava insuportável, que ele ficava preso no seu mundinho sem sair de casa. Essa informação não alivia a barra dela, mas é impactante para que Peter reconheça seus próprios erros para não prosseguir nesse tipo de comportamento.

Sarah, inclusive, após ser dispensada por Aldous, logo tenta recuperar Peter por sentir ciúme da bela Rachel, por dor de cotovelo e também para massagear o seu ego. No começo, o nosso protagonista até cede e tenta transar com ela, mas o bilau dele reage como um aviso: “Você tá fazendo merda e estragando tudo com a Rachel”. Esse comportamento mesquinho faz com que a gente veja bem como Sarah é por dentro. Mas não vou criticar a personagem para não correr o risco de daqui a alguns anos, mudar minha opinião assim como aconteceu com a Summer de (500) Dias com Ela.

Indicado principalmente para fãs de comédias, Ressaca de Amor pode atender aquelas pessoas que preferem histórias românticas com senso de humor. Bem provável que seja uma obra com potencial para ser mais apreciada por homens (não apenas pela perspectiva do protagonista, mas por conta do humor e pela semelhança com O Virgem de 40 Anos, dentre outras produções do gênero que surgiram nos anos 2000), mas nada impede garotas de se deliciarem com o humor “trágico” dessa história sobre levar um pé na bunda, encontrar a si mesmo e descobrir o amor da sua vida.