Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Shine…a light!

Podia ser apenas mais um documentário sobre uma grande banda de rock. Podia ser também só mais um produto lançado no mercado com a marca “Rolling Stones”, mas o documentário The Rolling Stones – Shine a Light” é muito mais do que isso.

Os 122 minutos que, antes de entrar no cinema soavam mais como um “blá-blá-blá interminável” e pouco som – algo meio “Metallica: Some Kind Of Monster” diga-se de passagem – consegue surpreender desde o seu enredo simples e objetivo até o último nome dos créditos.

“Shine a Light” traz ao apreciador de uma boa música e, principalmente, aos fãs de Rolling Stones, um show empolgante no Beacon Theater, em Nova York, com tudo aquilo que cerca uma apresentação especial, aliás, vamos corrigir isso, uma apresentação triplamente especial; primeiro por ser mais um show dos Stones e isso é, pura e simplesmente, algo especial. Segundo por ser uma ação beneficiente em prol de uma instituição criada e administrada por Bill e família Clinton, que até dão o ar da graça no documentário, com direito a discurso pré-show de Bill e presença da nossa pré-candidata Hillary e sua querida mãe, a qual eu não vou lembrar o nome nem se eu visse o filme mais 500 vezes e terceiro, por toda a atmosfera criada pelo sempre genial Scorsese na produção e direção do documentário/show.

A idéia do documentário é, de certa forma, simples. “Shine a Light” tem a missão de passar para o público um show dos Stones, visto por uma outra ótica, desde a sua preparação, montagem, escolha de repertório – que foi um ponto cômico do documentário, já que Jagger fez o favor de enrolar Scorsese até a abertura do show para entregar o setlist que Scorsese só recebe quando o show está começando com a introdução de “Jumpin’ Jack Flash” – e a “barulheira” provocada por Charlie Watts – falante como sempre -, Ron Wood, Keith Richards – que assume o vocal “daquele jeito” em “You Got the Silver” e “Connection” e Mick Jagger.

Para “ganhar ares” de documentário, um “número indefinido” de câmeras filmando o show e entrevistas concedidas pela banda em momentos importantes de sua carreira, como a segunda turnê pelos EUA e as prisões de Keith e Jagger.

Antes de partir para os finalmentes deste post, os convidados especiais.

“Musicalmente falando”, eu nunca imaginei um dueto entre Jagger e Christina Aguilera e isso me deixava pensativo antes do início do filme, mas me surpreendeu com a boa “Live With Me”. Além da moça, Jack White e Buddy Guy participam do show. Jack que nem “pinto no lixo”, só não sorria mais porque não tinha jeito e Buddy com seu timbre grave excepcional é um dos pontos altos do show.

Para quem pensava que os Stones estavam com “os dias contados”, um show com todo o vigor peculiar a banda mostra que isso ainda está longe de acontecer.

Nota 10 para o melhor “documentário musical” visto pela minha pessoa nos últimos 21 anos.

Ficha Técnica
The Rolling Stones – Shine a Light (2008)

Direção: Martin Scorsese
Gênero: Documentário / Musical
Elenco:
Mick Jagger, Ron Wood, Keith Richards, Charlie Watts, Martin Scorsese, Buddy Guy, Jack White, Christina Aguilera.

Trailer