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Filme: A Visita

Review A Visita
É MUITO PRAZEROSO QUANDO UM DIRETOR QUE A GENTE APRECIA LANÇA UM NOVO TRABALHO. É mais prazeroso ainda quando toda a nossa expectativa em relação a isso seja concretizada. De vez em quando sofremos alguma decepção e deixamos as apostas baixas para não correr riscos de ficarmos ainda mais decepcionados. Mas aí pode acontecer uma coisa inusitada para a nossa surpresa: o cara pode simplesmente fazer um dos melhores filmes de terror da temporada. E é exatamente assim que me sinto com o M. Night Shyamalan, por quem sempre cultivei respeito e esperança de que um dia recuperasse sua boa forma.

A Visita é um “found footage” bem produzido e com dinheiro o suficiente para poder superar outras obras que usam e abusam do recurso, pelo menos financeiramente. Aliado ao estilo de Shyamalan, as tais filmagens amadoras ganham um tempero a mais. Desta vez, não existe tanta questão explícita com o ego ou a megalomania do cineasta, que parece ter se concentrado em fazer uma obra de humor negro que conseguisse assustar e fazer rir ao mesmo tempo. E ele consegue. Com louvor.

A trama acompanha a história de uma garota chamada Becca (Olivia DeJonge) e seu irmão mais novo Tyler (Ed Oxenbould) que vão passar uma semana na casa dos avós. Como é a primeira vez que eles vão se encontrar, Becca decide fazer um pequeno documentário amador para registrar toda a viagem. Quando eles chegam na casa dos avós começam a sentir que algo está um pouco esquisito.

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A premissa é bem simples e funciona exatamente porque Shyamalan sabe explorar ao máximo o seu potencial. Ao invés de se concentrar no que causa os eventos “esquisitos”, ele foca nos seus personagens e nas suas reações para o risco que estão correndo. A Visita consegue acertar em cheio nos momentos de nos deixar com o cu na mão (e são várias as vezes, mas destaco o esconde-esconde com o Gollum; e a noite em que eles deixam uma câmera filmando o que acontece na sala), mas é ainda mais eficiente em nos fazer rir exatamente daquilo que nos fez assustar. Não me recordo de outro filme que conseguiu me deixar tão tenso e ainda dar boas gargalhadas, já que mesmo sendo uma obra de terror, ela simplesmente não se leva a sério.

Além dos sustos e da tensão, a narrativa também consegue nos deixar com medo a partir do momento em que através de uma conversa via Skype com a mãe, as crianças passam a encarar as coisas de um jeito diferente. Eu fiquei com o corpo inteiro rígido e pensando “puta que pariu, fodeu, véi”, quando descobrimos a tradicional reviravolta das obras de Shyamalan

Parece que Shyamalan pode ter reencontrado o caminho para atrair o público e a crítica novamente. Se em todos os seus trabalhos existia um clima sério demais e com cuidados excessivos com sua própria mitologia (um exemplo é Dama na Água, que por mais que eu goste muito, reconheço que poderia ser melhor se não levasse extremamente a sério e tivesse uma pegada mais leve), A Visita chega como uma renovação nas suas ideias e maneira de trabalhar. Tanto que o espectador apenas imagina se as alucinações com os alienígenas mencionados eram reais ou não. Um excelente filme de terror. Obrigado por isso, mr. Shyamalan.

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