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Filme: Bata Antes de Entrar

Bata antes de Entrar
O GRANDE PROBLEMA DE BATA ANTES DE ENTRAR (Knock, Knock) É A SUA FALTA DE NOÇÃO. O filme tem uma premissa interessante, possui seus bons momentos, mas basicamente, como tudo que Eli Roth costuma produzir, parece um circo bagunçado em que não sabemos se devemos rir do palhaço ou ter medo, se é para levar a sério ou apenas entrar na viagem da demência proposta pelo cineasta.

A trama aparece esse pai de família (Keanu Reeves), que depois de ver a esposa e os filhos saindo de casa para o feriado recebe uma visita inesperada durante uma madrugada chuvosa: duas jovens molhadas e insinuantes implorando por ajuda. O “tiozão” pai de família, óbvio, se viu dentro de um filme pornô, mas relutou para acreditar até que fosse tarde demais para isso e ele começasse a viver um verdadeiro pesadelo com as duas malucas infernizando a sua vida.

É preciso se esforçar para entender a mensagem que o longa-metragem, uma refilmagem de um filme chamado Death Game, de 1977, tenta transmitir para o espectador. Seria uma mensagem de que todos os homens são predadores de adolescentes indefesas e que merecem ser castigados? Ou será que é apenas uma história de duas garotas psicopatas que tentam levar as pessoas ao seu limite apenas para provarem que mesmo os bonzinhos representam ameaças? O personagem de Reeves resiste bravamente, sabe? Até o momento em que é atacado no banheiro. Depois disso, aquele abraço…

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Provavelmente foi uma orientação da direção, mas as atitudes e reações de Reeves são extremamente caricatas. Isso dificulta a nossa proximidade com o personagem, já que a partir do momento que tudo se torna uma grande piada sádica, a graça está em ver as torturas malignas que as garotas preparam. E para que essas torturas entrem em ação, o “tiozão” precisa sofrer. Em uma cena em que está amarrado a uma cadeira, Reeves cumpre bem a sua função de nos fazer ter certeza que não devemos levar nada a sério na obra: seus gritos de “desespero” são dignos de atores de novela mexicana.

Bata Antes de Entrar deve ter sido um dos primeiros filmes a incluírem o Uber na narrativa. Ao invés de chamar um táxi, o personagem de Reeves chama um motorista do polêmico aplicativo que está deixando os taxistas do mundo inteiro malucos. Outro exemplo de filme recente a fazer referência ao aplicativo é Música, Amigos e Festa.

Eli Roth voltou a ativa com um filme pequeno e discreto, mas que ainda assim é o suficiente para escancarar seus fetiches e sadismo. Não existe violência gráfica desta vez e o cineasta demonstra que é um pervertido eficiente ao conseguir criar um clima realmente sensual (ainda que caricato) das malucas psicóticas discípulas da Glenn Close se insinuando. A beleza das atrizes ajuda, é claro, mas o trabalho de fotografia consegue fazer milagres quando necessário. Indicado para todo mundo que gosta de terror desmiolado e de gente bobinha levando a pior.

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