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Crítica: Os Filhos do Medo

A PRIMEIRA COISA QUE PERCEBI QUANDO COMECEI A ASSISTIR AO FILME OS FILHOS DO MEDO foi o quanto Art Hindle era parecido com Peter Dinklage (Game of Thrones). Provavelmente acharia normal se de repente alguém pegasse uma espada e começasse a cortar as cabeças dos personagens. Foi realmente um choque muito grande que teria atrapalhado meu filme inteiro se não fosse a incrível capacidade do cineasta David Cronenberg em criar tramas envolventes do princípio ao fim.

Os Filhos do Medo, ou The Brood, no original, até pode dar a impressão de não ser um Cronenberg autêntico. Conforme a nossa talentosa Fernanda Minucci comentou em seu texto sobre Senhores do Crime, o canadense praticamente criou um gênero de filmes e aqui ficamos apenas esperando pelos detalhes subversivos e explícitos do cineasta. Apesar das perversões sexuais surgirem de maneira discreta, elas estão presentes especialmente na personagem feminina principal. Ela é uma delícia de mulher que guarda um segredo que só excitaria os fãs mais viscerais de Cronenberg.

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A trama gira em torno de um homem (Hindle) que está com sua mulher internada numa estranha clínica psicológica que utiliza técnicas pouco convencionais para tentar lidar com os problemas de seus pacientes. Quando estranhos assassinatos começam a acontecer, ele precisa desvendar o que está acontecendo antes de ser tarde demais.

Com poucos recursos para investir em efeitos visuais e apostando na estranheza para agradar o público, Cronenberg cria um verdadeiro exército de estranhos anões que deixariam os moleques de A Colheita Maldita ou A Cidade dos Amaldiçoados parecendo garotos gentis e normais, daqueles que você deixaria o seu filho (ou sobrinho) brincar junto no playground do apartamento. Vale reparar na sequência final um pequeno vislumbre do que Stanley Kubrick viria a utilizar em O Iluminado, produção estrelada por Jack Nicholson e lançada alguns anos depois.

Para quem não conhece muito de Cronenberg e não sabe muito bem por onde começar, Os Filhos do Medo acaba sendo uma opção interessante. Não tanto quanto A Mosca, mas com certeza não irá causar falsas impressões para apresentar tudo que o autor incluiu em sua obra com o passar dos anos.

Nota:   

 

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