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Possessão

OLE BORNEDAL É O TÍPICO DIRETOR DE UM FILME SÓ. Em 1997, o cineasta escreveu e dirigiu O Principal Suspeito, thriller estrelado por Nick Nolte e Ewan McGregor, e que por muito tempo ficou na minha lista de favoritos. Ainda não arrisquei rever a produção desde que iniciei os trabalhos mais sérios aqui no Cinema de Buteco, mas não importa: ele era especial naquela época e sempre terei um carinho especial. Infelizmente, o mesmo definitivamente não será dito de Possessão.

Sofrendo do mesmo mal de tantas outras obras do gênero (a ausência do medo, dos sustos ou de um bom diretor), acabamos frustrados com o resultado medíocre do filme produzido por Sam Raimi, que é um verdadeiro gênio do horror. Queria acusar especialmente o sósia do Javier Bardem, mas sei que ele é uma das poucas coisas mais respeitáveis no amontoado de clichês criados pelo roteiro escrito por três espíritos iluminados. Se não quero ser (muito) injusto com Jeffrey Dean Morgan (mais conhecido por seu trabalho em Grey`s Anatomy – ele é o cara que morreu ao som de “Chasing Cars” e fez todo mundo morrer junto de tanto chorar), confesso que preciso ser chato com Kyra Sedgwick, uma atriz de segundo time e causa irritação pela soma de suas expressões antipáticas com a completa ausência de talento para a coisa. Ela interpreta a mãe divorciada que fica contra o ex-marido e vive um relacionamento claramente passageiro com um sujeito com TOC, ou seja, pelo menos nisso Bornedal acertou: escolheu a atriz chata certa para interpretar o papel chato certo.

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Possessão conta essa história besta de uma criança adorável que descobre uma caixa misteriosa. Dentro da caixa está presa uma perigosa entidade paranormal, que obviamente irá possuir a menina (ou então o filme deveria se chamar A Caixa ou algo mais idiota) e dar muita dor de cabeça para o pai Clyde (Morgan).

Isso que você irá encontrar: uma trama pouco original e que sempre é revisitada, recentemente tivemos o bom O Último Exorcismo, com atuações medíocres, efeitos especiais ok, mas com o pecado mortal de não cativar ou assustar em momento algum. Isso sem falar nas diversas pontas soltas que simplesmente são jogadas ao longo da história. Será que realmente não importa saber o destino do “namorado” da mãe? Se o demônio estava aprisionado, como é que ele atacou uma senhora no começo? E eles poderiam ensinar ao público como usar o Google ou o Vimeo com tamanha eficácia, pois eu andei pesquisando sobre o chupacabras e custei a achar material. Imagino que minha pesquisa fosse mais simples do que descobrir a origem de um demônio morador de uma caixa estranha.

Curioso é que Possessão foi lançado na mesma época que o excelente A Entidade (que ficou entre os cinco primeiros colocados na minha seleção pessoal de melhores filmes de terror de 2012). Se o mundo fosse justo com os fãs de horror, os dois filmes seriam ótimos, mas… 

poster a possessão


Nota:[duas]

PS: Dedicado para a leitora Ju Minelli, que reclamou da ausência de Possessão na lista de Melhores Filmes de Terror de 2012