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Filme: Uma Noite de Crime 2: Anarquia

uma noite de crime 2

A CONTINUAÇÃO DO ELOGIADO UMA NOITE DE CRIME mantém o nível de qualidade, e cumpre bem os requisitos básicos de uma sequência: temos novos personagens, muitas mortes, muito sangue e muita violência. No entanto, a minha expectativa de ver a franquia com um tom mais sério e adulto foi bueiro abaixo. Até existem insinuações políticas para o jogo, mas no fundo é tudo vazio e o que importa realmente são as mortes.

James DeMonaco retoma seu papel de diretor/roteirista e agora, ao invés de retratar apenas uma família presa em sua casa escura com um assassino, ele apresenta cinco personagens totalmente novos e com seus próprios problemas. O protagonista, interpretado por Frank Grillo, é um homem tomado pela dor que decide participar do expurgo para garantir a sua vingança pessoal. No meio do caminho, encontra e salva uma mãe e uma filha prestes a serem assassinadas por um bando de malucos do governo dentro de caminhões fortemente armados. Ao mesmo tempo, um jovem casal que acabou de terminar o seu relacionamento se une ao trio para escaparem juntos de um grupo de motoqueiros matadores.

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Essa expansão do universo de Uma Noite de Crime é interessante. Ao nos entregar tantos personagens, cada um com seu conflito pessoal, DeMonaco nos força a refletir sobre toda a loucura sádica a que se propõe. A discussão política ganha força quando um anarquista passa a ter uma audiência cativa na internet e questiona os reais motivos do expurgo. “Não seria uma maneira do governo de acabar com a pobreza simplesmente matando os pobres, que são as maiores vítimas desse feriado macabro”, é uma das perguntas levantadas pelo personagem e que batem na cara do espectador.

Se a violência é maior, porém de certa forma, não chega a ser agressiva e gráfica, deixando que as questões políticas e sociais envolvidas atuem mais fortemente para chegar ao espectador, o ponto mais alto de Uma Noite de Crime: Anarquia é a bela sequência em que os cinco personagens se encontram pela primeira vez. A montagem torna o momento recheado de adrenalina e contagia o espectador, que provavelmente apertará bem forte o braço da poltrona dos cinemas (ou cravará as unhas no braço do(a) namorado (a).

Ainda não foi desta vez que a franquia acertou em cheio e fez um longa-metragem que realmente merecesse atenção. É até complicado classificar Uma Noite de Crime: Anarquia no gênero terror, já que caminha muito mais para o lado da ação, mas os fãs de matanças desenfreadas poderão se deliciar com a violência louca criada por DeMonaco. Se isso significa entretenimento de qualidade ou não, apenas o próprio espectador poderá afirmar. Fica a esperança que um eventual terceiro filme melhore a qualidade da série com novas ideias e menos falso moralismo.