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Velozes e Furiosos 6

velozes e furiosos 6

VELOZES E FURIOSOS 6 É OUTRA PARTE MUITO BEM VINDA DE UMA DAS FRANQUIAS MAIS ANIMADAS DA ATUALIDADE. Depois de uma aventura enlouquecida pelo Rio de Janeiro no filme anterior (que é muito melhor, diga-se de passagem), o elenco encabeçado por Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Dwayne Johnson está de volta para pirar nas ruas de Londres. Mesmo para aqueles que já sabem o quanto a franquia despreza as leis da física, chega a ser surpreendente o quanto o novo episódio liga o botão “fuck it” e pisa fundo com a única intenção de agradar aos seus fãs.

Quando falo em “episódio” não é apenas por ser o sexto filme da saga. A abertura do longa-metragem deixa a impressão de que Velozes e Furiosos é uma série televisiva, e que o público precisa rever os melhores capítulos dos filmes anteriores (e para quem reclamar da ausência do terceiro filme no “show do intervalo da introdução”, os créditos finais de Velozes e Furiosos 6 explicam de vez a ordem cronológica da saga – mas falarei disso mais adiante) para esquentar seus motores. A verdade é que os fãs vão mesmo se empolgar relembrando o que de “melhor” aconteceu antes, mas deixando de lado minha adoração pela saga é preciso confessar que o resultado é brega e completamente desnecessário. A situação piora com o famigerado momento em que todos os personagens caminham lado a lado em direção ao espectador. Só faltou a explosão no fundo da tela.

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velozes e furiosos 6 roman voador

O sexto exemplar parece começar exatamente onde o quinto acabou, na corrida entre Brian (Walker) e Dom (Diesel), mas logo descobrimos que não é bem assim. A dupla escancara o conceito da saga ao correr em uma estrada estreita e cheia de curvas, algo que seria perigoso para qualquer mortal – mas não é o caso dos heróis de Velozes e Furiosos. A franquia é para os “vida loka” que tem comportamento de risco, como dirigir em alta velocidade sem o cinto de segurança, transar sem camisinha, essas coisas. Os personagens são viciados em adrenalina e após conseguirem sossego em suas vidas, aceitam de bom grado trabalhar com o gigante Hobbs (Johnson) para liquidar um grupo de perigosos terroristas liderados por Shawn (Luke Evans), cuja guarda-costas é ninguém menos que a falecida Letty (Rodriguez).

O nível de testosterona na obra é tão elevado que atinge duas das personagens femininas principais: Letty e Riley (Gina Carano). A gente até entende o gigantesco The Rock caminhando sem conseguir fechar seus braços, Vin Diesel retirando uma bala de dentro de seu ombro, mas o confronto das duas atrizes que realmente faz cair a ficha do quanto o público feminino não é o foco dos produtores da saga.

velozes e furiosos 6 michelle rodriguez lutando gina carano

Todo mundo que assiste Velozes e Furiosos sabe (ou deveria saber) que a lógica não é amiga do roteirista Chris Morgan. Mais do que nunca ele ignorou uma coisa chamada gravidade ou que carros não são macios o suficiente para absorver impactos sem ferir os envolvidos, só que podemos relevar esses detalhes. O que não é possível ignorar é uma ausência de lógica interna para explicar a morte de um dos membros da equipe de Dom e Brian, afinal, se todo mundo cai e não se machuca, por que aceitar aquela morte? O roteiro ainda comete o equívoco de mostrar Brian reencontrando o vilão do quarto filme para absolutamente NADA. Perdoem o spoiler, mas a única lição que Brian tirou do encontro absurdo na prisão foi: “Nós só vamos nos aproximar do inimigo quando ele quiser. Ele vê e sabe de tudo”. O que deveria ser uma curiosa alusão ao Grande Olho do romance 1984 vira apenas uma informação no ar e que em momento algum justifica as cenas. Outro problema do roteiro é a tentativa excessiva de ser engraçado. Funciona em algumas oportunidades, como quando o falastrão Roman (Tyrese Gibson) compara a sua equipe com a dos “inimigos” da vez ou quando Hobbs (Johnson) liga para um dos heróis e é revelado o seu apelido carinhoso. Mas no geral é tudo muito apelativo, descartável e sem graça.

velozes e furiosos dwayne ludacris

A cronologia da franquia é encaixada no seu devido lugar após os créditos finais. No terceiro filme, Han (Sung Kang) finalmente vai morar no Japão e, como espero que todos saibam, morre depois de um acidente. Para todos os efeitos, Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio se passa logo após o sexto capítulo. Inclusive, existe até a expectativa do retorno de Sean, interpretado por Lucas Black, no sétimo (e já em fase de pré-produção) filme.

Velozes e Furiosos 6 é apenas mais uma demonstração de uma série indicada para os fãs de “brucutu movies” e de carros. Ainda que seja bastante inferior ao longa anterior, o cineasta Justin Lin é competente ao oferecer para os fãs mais uma aventura recheada de cenas de ação desenfreadas e mostrar o que há de melhor para ver na família de Dominic Toretto. Os fãs agradecem, e os haters enlouquecem.

Velozes-E-Furiosos-6-poster

Nota:[tres]