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Crítica de Vidas em Jogo (1997)

poster vidas em jogoO CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A crítica de Vidas em Jogo possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

E SE NADA FOSSE REALMENTE O QUE PARECE SER? Em Vidas em Jogo (The Game, 1997), o cineasta David Fincher coloca Michael Douglas vivendo um autêntico presente de grego num dia de loucura em que é difícil acreditar no que é real ou não, mas certamente representa um imenso perigo para o protagonista.

A trama apresenta um ricaço sem coração que ganha um presente misterioso do irmão para o seu aniversário de 48 anos: ele se vê dentro de um “jogo” (o The Game do título) em que aos poucos as coisas vão ficando cada vez mais perigosas.

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Vidas em Jogo trabalha com o impacto do caos na vida de um homem robô. A partir da emoção e adrenalina proporcionada pela chance de acreditar que está prestes a morrer, o personagem de Michael Douglas cai na real sobre COMO está vivendo e O QUE faz com o tempo que tem disponível.

Às vezes é necessário correr um grande risco para perceber o que é realmente importante para a gente. Da sua forma fria e violenta, o diretor consegue transmitir essa mensagem levando a brincadeira até às últimas consequências, quando o protagonista não sabe mais em quem confiar e é consumido por uma vontade de fazer justiça.

Em uma cena, Fincher parece fazer uma referência ao angustiante Um Dia de Fúria, de Joel Schumacher. O personagem de Douglas aparece furioso tentando quebrar a sua maleta, após fracassar miseravelmente na tentativa de abri-la corretamente. Talvez seja a atuação de Douglas o que há de melhor em Vidas em Jogo: o ator sabe dar voz para um empresário cuzão, como já vimos em Wall Street. Aqui ele só precisa tentar ser um pouquinho humano.

Primeiro filme após o sucesso de Seven, a verdade é que Vidas em Jogo sofre com a pressão de precisar igualar o nível de seu antecessor. Ele não consegue e nem é a intenção do diretor revisitar aquelas sensações. Aqui, pelo contrário, Fincher tenta se dar ao luxo de trabalhar com o otimismo e uma lição de humildade. Uma pena que o roteiro pareça exagerado e a gente acabe preferindo versões mais bem humoradas desse tema, como em A Noite do Jogo e Fear INC.

Vidas em Jogo é uma jornada inquietante cujo objetivo secreto é causar o êxtase na vida daqueles que se prendem demais às regras e padrões de uma vida aparentemente focada no trabalho e no que a sociedade espera. Longe de ser tão bom quanto Seven ou os trabalhos realizados por Fincher anos depois, essa é uma dica certeira para fãs de produções cheias de reviravoltas.

Assista a crítica de Vidas em Jogo no projeto 365 Filmes em um Ano no canal do YouTube: