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Buteco Literário

15 curiosidade sobre o universo de Harry Potter

Já faz 15 anos desde que Harry Potter e a Pedra Filosofal chegou ao cinema. Para comemorar, preparamos uma lista com 15 curiosidades sobre este universo mágico. Confira!

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Já faz 15 anos desde que Harry Potter e a Pedra Filosofal chegou aos cinemas. De lá pra cá, foram inúmeras quebras de recordes de bilheteria, milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro e uma legião de fãs apaixonado pelo universo criado pela incrível J.K.Rowling. Para comemorar a saga que influenciou essa geração e mudou por completo o mercado editorial de livros infanto-juvenis e renovou nossa visão sobre a magia, preparamos uma lista com 15 curiosidades sobre o Universo de Harry Potter. Confira:

01 – J.K.Rowling escreveu o último capítulo de Harry Potter em 1990, 7 anos antes de lançar o primeiro livro.

02 – Antes das gravações do primeiro filme começar J. K. conversou com Alan Rickman e contou a ele toda história de Snape, desde a infância até a morte de Lílian Potter. Segredo guardado entre eles durante 7 anos e nunca deixaram que ninguém desconfiasse.

03 –  Sabe aquela cena de flashback da morte dos pais de Harry, quando Hagrid conta para Harry sobre o seu passado? Ela foi escrita pela própria J.K. Os produtores do filme afirmaram que só a autora poderia reconstituir o que aconteceu naquela noite de fato.

04 – Todos os filmes de Harry Potter estão na lista das 50 maiores bilheterias de todos os tempos.

05 – Foram construídos mais de 588 cenários para os 8 filmes.

06 – Gina Weasley, a única mulher entre os seis irmãos Weasley, esposa e mãe dos filhos de Harry Potter, tornou-se jogadora profissional de quadribol ao final das aventuras escritas por J.K Rowling.

07 – O ônibus Knight era tão instável que 4 toneladas de peso foram colocadas na base para que ele não tombasse. Foi necessário interditar um bairro inteiro de Londres para que eles pudessem filmar as cenas com o ônibus durante mais de uma semana. O ônibus era tão alto que não podia passar por nenhuma ponte.

08 – O primeiro livro do Harry Potter foi publicado em 1998, o mesmo ano em que aconteceu a Batalha de Hogwarts, que deu o fim à história.

09 – Expecto Patronum significa “Eu desejo um guardião”, em Latim.

10 – Os dementadores foram feitos para simbolizar a depressão de J.K.Rowling.

11 – O filme de Harry Potter que menos faturou conseguiu ganhar mais do que o filme de Crepúsculo que mais faturou.

12 – A equipe gráfica escreveu à mão milhares de cartas, mas descobriu que elas eram muito pesadas para as corujas, então precisou escrevê-las outra vez.  Mesmo assim, as corujas levaram seis meses para aprender a carregar as cartas.

13 – Os antagonistas Harry e Voldemort na realidade, tal qual Luke Skywalker e Darth Vader, são parentes. Diferentemente dos personagens de Star Wars, Harry e Voldemort não estão tão próximos na árvore genealógica quanto pai e filho, mas têm um vínculo longínquo por meio dos Peverell, citados em Relíquias da Morte.

14 – J.K Rowling e Harry Potter tem a mesma data de aniversário: 31 de Julho.

15 – Harry Potter tem 36 anos agora.

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Prazer! Sou a Ana.

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Prazer! Sou a Ana.

Aos 30 de setembro, vim ao mundo, parto natural, recebi o nome de Ana. Casa cheia. Eu, meus pais e irmãos. Tinha também o Floquinho e a Belinha, nossos peludos. Andei, falei, corri, brinquei, aprendi a escrever, como toda criança! Vivi uma infância feliz.

Ah, não! Espinhas na cara. Chegou a menarca? Que saco! Conflitos, insegurança, noias na cabeça, raiva, brigas, tédio… odeio estudar! Ainda perguntam “qual é a faculdade que quer fazer?” Vestibular, dezenas de apostilas, horas de estudos. Aprovada! Agora sou universitária. Faculdade, liberdade, a turma de amigos. Finalmente, sou “de Maior”. Posso tudo! Tenho os passaportes da vida adulta: CNH, diploma e carteira de trabalho.

Trabalho, trabalho, trabalho, contas a pagar, muitas responsabilidades. Bem-vinda à maturidade! Onde fica a diversão? Prazeres? Só por algumas horas. Trânsito, estresse, injustiças, puxa-saco promovido. Já te falei que odeio meu chefe?! Estudei tanto para fazer isso?! Não quero mais esse emprego. Se eu pedir as contas, o que vou fazer? A vida tá um saco! Tô tão triste. Nada tem sentido. Comecei a terapia. Desacelerei, mudei de estilo de vida, parei de dar bola para minha mente. Ela me deixava maluca. A vida tá legal. Acho que conheci o amor da minha vida. Vamos nos casar? Filhos? Não! Quero independência, um amor leve e do meu jeito. Ele no seu canto e eu no meu recanto. Assim está tão bom!

Silhouette of little girl raising hand to freedom happy time

Olho no espelho e ainda reluto a acreditar: estou velha! Os anos passaram tão rápido. Demoro para perceber que aquelas rugas e as manchas na pele são minhas! Minhas? Não é possível! A realidade só toma corpo quando lembro das despedidas. Despedir nunca foi fácil. Lembrar de quem já partiu me deixa mal. Melhor mudar de assunto. Assim, sem perceber, um dia, o corpo não acompanhava mais a mente. Esse descompasso causou alguns acidentes. No último tive de fazer dezenas sessões de fisioterapia. Era isso ou entrar na faca. Deus me livre! Ufa, ainda bem que meu corpo ajudou. Conversava com minha perna todo dia “pode tratar de curar ou prefere passar por uma cirurgia e ficar com uma cicatriz?” Ela, como filha obediente, foi gradativamente melhorando. De resto, tudo vai bem. A cabeça às vezes dá uns apagões. Alguns até desconcertantes. Em reuniões familiares, noto os olhares entre os mais jovens como que dizendo “será que é Alzheimer?” Dou risada por dentro. Sinto vontade de falar “não tô gaga ainda, só velha mesmo!”. Em casa, os dias passam, sem nenhum compromisso marcado, sem pressa, não há chefe me esperando, marido aguardando o almoço ficar pronto, filho perguntando se vi a calça que ele tanto gosta. Não, não pensem, que a minha vida é triste e solitária. Essa é a vida que escolhi. Nem pior ou melhor, mas a que escolhi!

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Vó Raissa

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Desde a liberação de novas áreas de assentamento na Cisjordânia, a Intifada voltara furiosa. Os confrontos eram diários e a violência crescente.

Meus irmãos, Ahmed e Khaled, já não iam à aula há três dias, o tempo inteiro nas ruas do bairro, se escondendo atrás dos carros e arremessando pedras nas patrulhas israelenses. No início eles respondiam com gás lacrimogênio, mas depois que alguns soldados israelenses se feriram, balas de verdade passaram a ser utilizadas provocando mortes. Sem choro; seria bobagem mesmo.

Morávamos com nossa avó Raissa desde que nossos pais se foram, nem vou detalhar como. Seria bobagem mesmo.

Vó Raissa passava o dia todo na cozinha fazendo nossas refeições. Fazia comida e milagres com a precariedade de recursos e mantimentos que tínhamos, alheia a tudo além de suas panelas. Parecia uma sombra. Eu nunca percebera, o mais minimamente, o que se passava em sua cabeça. Nem tentava, seria bobagem mesmo.

E eu, estudava o Alcorão. Há três anos entrara para a Escola Corânica e o Sufi que me orientava, um verdadeiro homem santo, à medida que se entusiasmava com meus progressos, ficava cada vez mais exigente. Tinha três Suras para estudar por semana e, acredite, isso é muita coisa se você quer mesmo penetrar no seio de Alá.

Minha avó via meus irmãos saírem toda manhã com a cabeça coberta pelo Keffiyeh e só voltarem, já tarde da noite, sempre com alguns ferimentos. Ela não dizia nada, seria bobagem mesmo.

Também me via lendo o Livro horas a fio e igualmente não dizia nada. Sua cabeça era um mistério.

Certo dia, tão similar aos anteriores, eu estava sozinho em casa estudando o Sura do Trovão, um dos mais difíceis, e ela passou por mim, tocou muito levemente minhas costas e disse:

“Escolha uma pedra, coloque-a na mão e dê a volta no quarteirão”.

Fechei o Livro sagrado e obedeci imediatamente.

Só Alá é Deus e Maomé, o seu Profeta.

SOBRE O AUTOR

JUSTINO VIEIRA – Engenheiro de Estruturas, Professor de
Engenharia na UFF e Arquitetura na PUC-RJ, leitor obsessivo,
e que passou a vida inteira às voltas com números e contas,
mas aprendeu com Drummond que “a luta com palavras é a luta mais vã”

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Xaveco de Buteco: Conto #9 Marcas desumanas em paredes brancas

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Os arbustos pareciam distantes. As colinas, de um verde jovial, reluziam ondulantes no horizonte. Algumas folhas regiam a sinfonia do vento com clássica doçura, enquanto outras sacolejavam e insistiam na segurança da raiz. O riacho conversava com as pedras em tom ameno, recitando versos de ternura. O céu, mesclado de azul e cinza-claro, se modelava e se deformava, adaptando a manhã aos desejos da natureza.

A janela de vidro ainda tinha sinais embaçados da madrugada. Gotas solitárias escorriam de uma madeira a outra. A temperatura interior estalava na lenha contorcida da lareira. O clima parecia aconchegante, apesar de gélido. O sol, ainda parcialmente desperto, e sabendo de seu poder, evitava lançar seu charme de forma abrupta sobre o gramado. As árvores respiravam pausadamente, trabalhando sem pressa.

Ao lado da lareira, as estantes enfileiravam e organizavam o repertório de uma Era. Os livros, sem lar vertical, se amontoavam pelos cantos em lógicas definidas. Dois deles, por motivos distintos, repousavam na mesinha de centro, juntos a riscados e rabiscos. A gaveta emperrada guardava segredos de décadas. No criado-mudo, fotografias e recortes de jornais antigos contavam mentiras de povos perdidos.

Os lençóis, trocados recentemente, ostentavam uma brancura quase transparente. Nas cortinas de seda cara imperava um branco fosco, duro e intransponível. As paredes eram sujas, manchadas com marcas humanas e desumanas. Pouco era possível recordar do tempo em que elas também eram brancas. Do tempo em que a janela permanecia aberta e o coração permanecia vívido. Do tempo em que o infinito aparentava estar mais distante que os arbustos das colinas. Do tempo em que o infinito estava do lado de lá, das gotas solitárias.

Suspirei.

Tudo estava branco novamente.

 

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Bombando!