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Another Round – Crítica do Filme (2020)

Thomas Vinterberg faz o melhor filme do ano, retratando homens adultos, crise de meia idade, álcool, irresponsabilidade e sobretudo, prazer na vida.

Estou escrevendo no dia 29 de dezembro de 2020, e eis que aos 45 do segundo tempo, assisto ao melhor filme do ano, sim eu estou falando de Another Round, dirigido por Thomas Vinterberg (A Caça) e candidato da Dinamarca a vaga de melhor filme internacional no Oscar.

A história acompanha Martin (Mads Mikkelsen), um professor de meia idade casado e com filhos, que após uma pequena crise existencial, começa a beber álcool diariamente junto com outros três amigos também professores, inicialmente como algo experimental.

É claro que as coisas acabam fugindo do controle, e o diretor retrata os prejuízos e perigos causados pelo abuso de álcool, mas a força do filme está no outro lado, pois ele também mostra os efeitos “positivos” causados, e calma, não estou defendendo o uso de uma droga para ajudar nenhum indivíduo, o que estou dizendo é que gosto como o longa se aprofunda em seus personagens, homens comuns de meia idade cheios de sentimentos e sutilezas, perfis maus construídos no cinema recente.

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Homens que quando estão a base do álcool, alcançam grandes proezas, como um prazer em dar uma boa aula, ou um afeto gratuito e genuíno de um aluno pequeno introvertido (uma das cenas mais tocantes do filme).

O filme me fez pensar sobre como ser adulto consequentemente, signifique se tornar uma pessoa chata sem prazer na vida para a maior parte da sociedade, e sem lição de moral, Another Round permite que seus adultos sejam irresponsáveis, e isso é fantástico.

O elenco é formado em sua maioria por atores que já trabalharam com Thomas Vinterberg no passado, como é o caso de Mads Mikkelsen e Thomas Bo Larsen, que merecem todo o reconhecimento do mundo pelas atuações sensíveis e cativantes. Mads felizmente se tornou um grande ator do cinema mundial, superando a barreira da língua e se igualando a grandes nomes do cinema europeu como Marcello Mastroianni e Marion Cotillard.

O meu parceiro Tullio Dias, que é fundador deste site, escreveu um pequeno texto para o Instagram sobre o filme, e me disse que ele é “a cara” do Cinema de Buteco, concordei imediatamente, e aproveito para roubar sua citação, aprecie esse filme com moderação.