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As polêmicas mudanças no Oscar

O Oscar sempre foi tema de polêmica, isso ninguém pode negar. Todo ano a premiação é alvo de crítica. De 1929 até hoje uma série de mudanças foram introduzidas a fim de “melhorar” as coisas: duração menor, categoria destinada aos filmes de animação (2002), diversificação dos membros, mais indicados na categoria de Melhor Filme (2009), entre outras.

No entanto, mesmo com tais alterações, o que a entidade observou nos últimos anos foi uma queda considerável na audiência da cerimônia. De 2017 para 2018, o número foi de 33 milhões para 26 milhões de pessoas. O evento deste ano teve a pior audiência da história, desde a primeira transmissão em 1953. As quase quatro horas de duração e o fato da maior parte dos indicados à categoria principal não ter sido composta por filmes com grandes bilheterias (somente Corra! e Dunkirk faturaram mais de $ 100 milhões nos EUA) contribuíram para esse resultado.

Se olharmos para trás, recordes de audiência estavam relacionados a favoritos que arrecadaram centenas de milhões nos EUA: Titanic (57 milhões e $ 600 milhões, respectivamente), Forrest Gump (48 milhões e $ 329 milhões), Beleza Americana (46 milhões e $ 130 milhões). De 2005 pra cá, somente quatro vencedores de melhor filme ultrapassaram a marca de $ 100 milhões no país. Nos últimos cinco anos, nenhum deles chegou sequer perto desse valor.

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Eis que, em 8 de agosto de 2018, a AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences) anuncia três novidades. Novidades que visam, obviamente, recuperar a audiência perdida e arrecadar mais dinheiro.

Segue explicação e análise de cada uma delas:

 

1- Cerimônia com duração de três horas. Dessa forma, algumas categorias (não foram definidas) serão apresentadas no intervalo e eventualmente exibidas, com edição, na transmissão.

Com a diminuição do tempo da cerimônia, veremos diversas estatuetas na obscuridade. Ou seja, múltiplos profissionais que receberão os prêmios, mas quase ninguém vai notá-los. Afinal, prestamos mais atenção em quem aparece ao vivo na transmissão, recebendo o Oscar.

No quesito audiência, a redução pode até ajudar, mas já tivemos cerimônias longas cujos resultados foram bastantes decentes. Será essa uma decisão realmente válida? Vale a pena desvalorizar algumas categorias, vulgo pessoas, para economizar tempo?

2- Criação de categoria voltada aos filmes populares, com detalhes a serem revelados ainda.

Esta é a mudança mais polêmica das três. OK que, por um lado, veremos blockbusters ou produções adoradas pelo público sendo reconhecidas com maior destaque pela Academia e aumentando a audiência. Geralmente, esses longas são indicados em categorias técnicas ou nem indicados são, salvo algumas exceções, tais como Corra!, Toy Story 3, Titanic, Gladiador, Mad Max, Senhor dos Anéis e Quem Quer ser um Milionário. Portanto, seria a hora da Marvel, DC e demais franquias e produções de ação, comédia e terror brilharem na maior premiação do cinema e deixarem seus milhões de fãs felizes.

Porém, será que esse reconhecimento não deixaria de colocá-las nas categorias principais? Por exemplo: Pantera Negra, maior bilheteria dos EUA até o momento e aclamado pela crítica, poderia ser indicado e acabar ficando de fora de Melhor Filme. É o que tem acontecido com certas animações, que são indicadas ou vencedoras da estatueta de animação, mas não concorrem ao maior prêmio da cerimônia. Divertida Mente, Wall-E e Zootopia são casos recentes disso. Pode ser que disputem ambos os Oscars, mas será mesmo que isso vai acontecer? Porque, se não, essa categoria pode ser um tiro no pé e deixar o público enfurecido.

Na França, foi introduzido em 2018 o César du Public, destinado a maior bilheteria francesa do ano. Em outras palavras, não é um prêmio eleito pela Academia local, indo automaticamente ao longa nacional que o público do país mais assistiu. Este ano, a comédia Raid Dingue, de Dany Boon, levou o Oscar francês do público.

Resta saber como a AMPAS vai definir os requisitos e votação da nova categoria. Ainda não sabemos se será uma estatueta eleita pelos membros, pela própria audiência, se a indicação impede de concorrer a outros prêmios e por aí vai. Vamos aguardar.

Curiosidade: na primeira edição do Oscar, em 1929, havia duas categorias principais: a que hoje se chama Melhor Filme e uma chamada “Best Unique and Artistic Picture”. Na época, esta teve como ganhador o filme mudo Aurora, enquanto a outra foi para o drama de guerra Asas. No entanto, a segunda categoria foi cortada das futuras edições da Academia.

 

3- Antecipação da edição de 2020 de 23 de fevereiro para 9 de fevereiro. A data de 2019 permanece 24 de fevereiro.

A nova data do Oscar de 2020 afeta, primordialmente, dois grandes eventos da indústria: o Festival de Berlim e o BAFTA, que acontecem no início de fevereiro. O mais provável de acontecer é que os alemães empurrem as datas para depois da cerimônia norte-americana e a Academia britânica antecipe sua premiação (desde 2001 que esta acontece antes do prêmio estadunidense).

O SAG também deve mudar seu cronograma, já que a possível antecipação do BAFTA afetará sua realização, que geralmente ocorre no fim de janeiro.

E você, o que acha dessas mudanças no Oscar?

 

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