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Crítica: A Filha Perdida

Em sua estreia na direção, Maggie Gyllenhaal impressiona ao retratar a dualidade da maternidade em leve suspense psicológico baseado na obra de Elena Ferrante

A Netflix impactou minha lista de melhores filmes de 2021, a plataforma decidiu estrear A Filha Perdida no último dia do ano, e isso fez com que eu visse apenas no segundo dia de 2022, se eu tivesse visto a tempo, com certeza o filme estaria no topo da minha lista.
Adaptado do romance de Elena Ferrante, que já rendeu a série A Amiga Genial da HBO, a história retrata Leda (Olivia Colman), uma professora universitária inglesa que passa férias em um vilarejo na Grécia. Lá ela conhece uma família local, e fica particularmente intrigada com Nina (Dakota Johnson), uma jovem mãe muito diferente dela, mas que traz lembranças de sua própria experiência como jovem mãe (interpretada por Jessie Buckley).
A história original se passa na Itália e o roteiro de Maggie Gyllenhaal alterou para personagens ingleses na Grécia, apesar dessa mudança significativa, o espírito da obra de Ferrante está lá, a dualidade da maternidade raramente foi tão bem abordada quanto aqui, normalmente as histórias tendem para extremos, a maternidade já foi retratada no cinema em filmes de terror, drama e comédia. A Filha Perdida mistura vários elementos, mas sua principal característica é o suspense crescente, que deixa o espectador em alerta o tempo todo, como se algo ruim pudesse acontecer a qualquer momento, que corresponde ao sentimento da responsabilidade materna.
A estreia de Maggie na direção impressiona pela ousadia, qualidade técnica e profundidade psicológica, seu filme tem atmosfera, através da fotografia de Hélène Louvart (A Vida Invisível) é possível sentir o calor escaldante do verão europeu, a sensação de ser acordado pela energia eufórica de um filho pela manhã, ou o vazio tranquilo de uma cidade turística fora de temporada, entre outras coisas. A edição também impressiona por misturar passado e presente de forma ágil e cortes brutos, mas sem nunca perder o controle emocional da narrativa. E por fim, o domínio sobre as performances dos atores, ou melhor, atrizes, todas elas brilham, Olivia e Jessie realmente parecem ser a mesma pessoa, e Dakota traz nuances sutis nas poucas cenas em que aparece, falando muito mais com o olhar do que com palavras.

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