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Crítica de Matthias e Maxime: Xavier Dolan volta às suas raízes

Xavier Dolan retorna em um filme menor, que explora a sexualidade masculina através de um beijo que muda drasticamente a relação entre dois amigos.

Crítica de Matthias e Maxime. Aprecie sem moderação! 

 

Sou fã do diretor, ator, produtor, roteirista e montador Xavier Dolan. Com apenas 31 anos de idade, o prodígio franco-canadense já possui oito longas em sua filmografia, nos quais assume todas as funções mencionadas acima. Considero Mommy sua obra-prima e um dos melhores filmes da década passada. Porém, também reconheço quando ele escorrega na direção, como no caso do fraco The Death and Life of John F. Donovan, primeiro e único filme do diretor falado em inglês.

De volta às raízes

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Matthias e Maxime é um bom retorno à forma. Dolan volta ao seu habitat natural, em um filme menor, com atores locais e desconhecidos em sua maioria. Além de revisitar Montreal, cidade natal do cineasta. O drama conta a história de dois amigos de infância, de diferentes classes sociais, que descobrem uma atração muito forte entre si a partir de um beijo para um curta-metragem amador.

Gosto muito da sinopse e da maneira como cada um é afetado de uma maneira diferente. Matthias (Gabriel D’Almeida Freitas) é o mais conflitante em relação aos seus desejos, uma vez que tinha uma namorada e uma vida estável profissionalmente. Ele acaba sendo obrigado a entender a sua bissexualidade até então adormecida. Freitas é excelente ao trazer sutilezas ao personagem.

A bissexualidade masculina vem sendo bastante explorada no cinema recente, em produções como Moonlight, E Então Nós Dançamos e Beach Rats. Todas estas abordaram o tema com personagens não estereotipados. Aliás, o último filme foi uma referência para Dolan, que escreveu um texto muito elogioso em seu Instagram. Não por acaso, o ator Harris Dickinson (protagonista de Beach Rats) está no elenco de Matthias e Maxime, representando uma masculinidade bem comum e problemática.

Vale ou não vale?

A química entre os Freitas e Dolan é bastante forte, mas o filme se arrasta muito até o momento que realmente interessa. As reuniões entre amigos também são um pouco chatas, com diálogos bem ruins e confusos. Só quando a gritaria cessa e o clímax chega que o longa finalmente ganha vida.

Enfim, Xavier Dolan está acostumado a oscilar entre o amor e o ódio dos críticos. Com Matthias e Maxime, ele atinge uma certa estabilidade em sua carreira, com um filme simples, que não é perfeito, mas cheio de qualidades. E que deixa uma sensação de querer saber mais sobre aqueles personagens.

O filme estreou no Festival de Cannes de 2019. Disponível no MUBI.