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Crítica: Megatubarão (2018)

O Cinema de Buteco adverte: A crítica de Megatubarão possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação. 

poster critica de megatubarãoALGUMAS PESSOAS POSSUEM GOSTOS SOFISTICADOS. Querem ver filmes franceses provando um belo vinho ou transar ferozmente no banco traseiro de um Ford Ka. Eu gosto de vinho, gosto de filme francês, definitivamente gosto de transar ferozmente (não importa se for mais rápido do que dizer “Onomatopeia” em voz alta e correr o risco de ser trocado por um sósia do Superman que faz você virar costelinha numa comparação com filé mignon), mas me derreto profundamente por coisas toscas como Megatubarão (The Meg, 2018).

Serei bem sincero com você, querido ou querida. Se alguém lhe disser que Megatubarão é uma bosta, desconfie. Se essa pessoa vier querendo lhe convencer que cinema bom é cinema europeu, iraniano ou da puta que pariu de um país na casa do caralho perto de onde Judas perdeu as botas, fuja. Fuja mais rápido do que se ficasse cara a cara com o Bolsinho querendo seu voto.

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Eu vou mais longe. Desconfie de uma indústria de cinema que não nomear Megatubarão para o Oscar 2019. A indústria ainda não está preparada para abraçar o capitalismo e premiar o que há de mais popular, por isso vetou aquela ideia de ter um prêmio para blockbusters, mas tenha certeza que se isso acontecesse ano que vem, não teria concorrente para tirar o prêmio desse monstro sagrado do mar. Pantera Negra viraria um gatinho indefeso.

Estrelado pelo senhor ação Jason Statham, Megatubarão é aquele típico longa-metragem com as coisas que nós estamos cansados de ver (humor cara de pau, personagens idiotas morrendo de formas retardadas, vilões canalhas tentando driblar a morte como se nunca tivessem assistido Premonição, romance existindo e aquele sarcasmo que não acrescenta nada), e a gente simplesmente recebe de braços abertos porque sente como se fosse um ente querido batendo na porta de casa. Como dizia nosso querido MC Catra, não se recusa copo d’água e você sabe o que…

Durante pouco mais de 90 minutos, somos convidados a esquecer que nosso país vive um período turbulento com as opções mais lazarentas que já se teve notícia numa corrida presidencial – e nem vou falar dos deputados ou senadores – e mergulhar profundamente num universo fantasioso em que um mercenário veloz e furioso combate a fúria da natureza encarnada num fóssil vivo cheio de dentes e fome.

Megatubarão pode estar bem longe de figurar em qualquer lista de recomendações de filmes de tubarão, mas se destaca pela leveza em que a narrativa é conduzida e a sensação que estamos entorpecidos torcendo pelo primo aquático da Mônica – e nos divertindo mais do que deveríamos quando ele devora as criancinhas nadando no mar.

Somos conquistados por cenas tensas em que nosso cérebro grita exatamente o que vai acontecer, mas ainda assim somos emocionalmente sugados para dentro dessa loucura caótica sangrenta em que tudo é possível – exceto matar o protagonista.

Valorizo demais a experiência e em tempos que nossa atenção fica cada vez mais fragmentada, nos permitir realmente viajar para dentro de uma narrativa é algo fantástico. Talvez você não divida essa mesma opinião e tenha restrições com filmes de tubarão. Mas exceto se você preferir filmes iranianos, nós podemos manter a amizade. O que acha?

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