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Crítica: Patient Zero (2018)

O Cinema de Buteco adverte: A crítica de Patient Zero possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação. 

crítica patient zeroPATIENT ZERO É UM CASO DE AMOR ANTIGO. Descobri a produção durante as minhas tradicionais pesquisas para produzir as listas de fim de ano do Cinema de Buteco e logo fiquei ansioso.

Essa ansiedade logo virou frustração quando o lançamento do longa-metragem dirigido por Stefan Ruzowitzky (nunca tinha nem ouvido falar do sujeito) foi adiado. Eu deveria ter imaginado que essa demora estava diretamente conectada com a baixa qualidade da produção, mas sabe como é… Ansiedade deixa a gente meio bobo.

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Segunda-feira tive a boa notícia que Patient Zero estava disponível pelas profundezas infinitas do mar que habita o Pérola Negra. Decidi tirar a poeira do meu velho computador companheiro de guerra dedicado exclusivamente para navegar por essas águas e poder saciar essa vontade louca de descobrir se o tal “filme de zumbi” parecido com Extermínio realmente valia a pena.

A real é que não vale.

A real é que Patient Zero é chato pra caralho.

A real é que coisas incríveis acontecem quando a gente se depara com esse tipo de ousadia cinematográfica capaz de nos fazer admirar Uwe Bowell ou seja lá qual cineasta você queira eleger como um monstro das profundezas do inferno.

Desde junho, eu não navegava pelo Pérola Negra, e desde então, se vi 30 filmes é MUITO. Nem preciso admitir que a produção de textos seguiu o mesmo caminho e devo ter o número ridículo de 10 críticas no ano (o que comparado com minha produção no passado é horrível, mas fica ainda pior quando você considera que sou o fundador do Cinema de Buteco e “teoricamente” teria a obrigação de escrever, ver filmes etc). Mas Patient Zero foi o que eu precisava para deixar de lado a procrastinação disfarçada de outras prioridades.

Fazer o quê? Eu amo falar de porcarias que entram fácil numa lista de piores filmes de 2018!

Patient Zero apresenta a história de um futuro apocalíptico em que a população do planeta é consumida por um vírus. As pessoas simplesmente enlouquecem e ficam pistola da vida querendo matar, comer, cortar, arrancar etc. Um grupo de soldados e cientistas estão reunidos numa base para tentar encontrar o paciente zero e descobrir uma cura…

A premissa é legal, sabe? Trabalhar zumbis como uns doidos chapados de bala numa wave distópica é maneiro. Faz a gente pensar no quanto Danny Boyle acertou a mão em Extermínio ou Zack Snyder brilhando no remake de Madrugada dos Mortos. Esses caras deram uma injeção de adrenalina para os zumbis e os tornaram legais para uma geração que não sabia o quanto os mortos-vivos podiam ser incríveis.

No entanto, vamos combinar…

O protagonista vivido por Matt Smith possui uma particularidade que o transforma num espécime raro capaz de entender a linguagem primitiva dos infectados. Tudo bem que isso não tenha explicação ou justificativa, mas imaginar que os zumbis desenvolveram habilidades telepáticas para contar uns para os outros sobre a existência desse humano buscando a localização do paciente zero é forçado. Não faz o menor sentido e me parece apenas uma escrita preguiçosa do roteirista.

Stanley Tucci, sempre tão magnético em suas atuações, é tratado como um fantoche. Totalmente no piloto automático, sem o menor sal e desprovido de charme, Tucci banca o vilão. Me pergunto se a narrativa não tentou pegar carona em Eu Sou a Lenda, produção que claramente mostra o Will Smith como o vilão, afinal ele é o estranho numa cidade dominada por criaturas bizarras e ainda fica matando todas. Talvez teria sido mais interessante caminhar por esse lado, mas o roteiro prefere se afundar num banho de porra de macaco…

Para completar a tríade de atores, Natalie Dormer continua se esforçando para escolher os piores papéis da galáxia. Floresta Maldita não foi o suficiente para a ex-Game of Thrones. Sua personagem em Patient Zero é um desperdício completo. A trama tenta criar um triângulo amoroso inútil, que até poderia ser bem interessante se a esposa infectada do personagem de Smith tivesse alguma relevância narrativa.

Gosto de triângulo amoroso explosivo e não vejo nada mais quente que uma esposa infectada com um vírus zumbi querendo dar na cara da doidinha que engravidou do marido dela. Isso sim seria promissor. As duas precisando conviver pelo bem da humanidade – e o Matt Smith lamentando não ter o Woody Allen comandando a narrativa numa Barcelona qualquer.

Vida de cinéfilo tem dessas coisas… A gente cria expectativa (e aí, só posso falar por mim, pois acredito seriamente que viver sem expectativas é apenas sobreviver no modo defensivo) e corre riscos. Patient Zero me foi apresentado como um possível mega sucesso zumbi, mas é apenas uma das maiores porcarias que vi nos últimos anos.

Tenha certeza que Patient Zero estará na lista de piores filmes de 2018 do Cinema de Buteco. E espero que esse aqui seja um retorno para voltar a produzir para esse site que durante os últimos dez anos ocupou um espaço enorme na minha vida.

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