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Entendendo o fracasso do filme do Han Solo

Entendendo o fracasso de Han Solo

Pela primeira vez na história da saga, Star Wars teve o seu primeiro fracasso comercial. Han Solo: Uma História Star Wars decepcionou nas bilheterias e mostrou que a franquia da Disney não vive só de flores. Mas por que será que isso aconteceu?

Filmes fazem sucesso e fracassam por diversos motivos. Por isso, tentamos identificar alguns que possam ter sido responsáveis pelo resultado abaixo do esperado do longa de Ron Howard. Com um orçamento de cerca de $ 250 milhões (o maior da saga, ao lado de O Despertar da Força), a produção só faturou, até o momento, $ 340 milhões. E esse número não deve mudar muito, já que os principais territórios já tiveram o filme lançado.

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Vamos aos motivos:

1- Data de Lançamento

Desde o retorno da saga em 2015, todos os três filmes lançados entraram em cartaz no mês de dezembro. O Episódio IX repetirá a estratégia da Disney em 2019. No entanto, Solo seguiu outro caminho.

O fim de maio, em especial o feriado do Memorial Day, é uma data que muitos estúdios usam para lançar blockbusters. Afinal, as férias escolares e o verão chegando aumentam a quantidade de pessoas no cinema. O que a Disney não previu ou achou que não atrapalharia, era que cinco meses de intervalo entre Solo e O Último Jedi era pouca coisa. E pior: são longas sem conexão, ao contrário da MCU, por exemplo.

 

2- Divulgação

Apesar da popularidade da saga, uma boa divulgação é sempre necessária. O primeiro teaser do filme foi lançado apenas em fevereiro, três meses antes da estreia nos cinemas. O trailer oficial veio em abril. Ou seja, a divulgação foi meio que em cima da hora.

Se compararmos com Rogue One, isso fica bem claro. O teaser trailer do longa foi ao ar em abril de 2016, oito meses antes do lançamento. O trailer oficial chegou em agosto. O Despertar da Força teve seu primeiro teaser revelado em novembro de 2014, seguido por um segundo teaser em abril de 2015 e o trailer final em outubro. O Último Jedi iniciou os trabalhos em abril de 2017.

É aqui que voltamos à discussão sobre a data de lançamento pouco adequada, destacada acima. O intervalo entre o Episódio VIII e Solo foi muito curto, de apenas cinco meses. Praticamente tiveram que iniciar a divulgação de Solo enquanto o outro ainda estava em cartaz pelo mundo. Pra que a pressa?

 

3- Recepção morna da imprensa e fãs

Críticas influenciam o boca-a-boca e um boca-a-boca positivo pode fazer toda a diferença. A imprensa não foi cruel com Solo, mas ficou aquele sentimento de “não fede nem cheira”. O filme tem uma aprovação da imprensa de 71% no Rotten Tomatoes, de longe a menor entre as produções recentes da saga.

Mesmo com uma première em Cannes à la A Vingança dos Sith, os holofotes não foram suficientes para apagar a falta de entusiasmo com a produção. E a avaliação dos fãs também não foi lá essas coisas, ficando acima apenas de Last Jedi, cuja recepção da imprensa foi excelente.

 

4- Precisava mesmo de um filme do Han Solo?

OK que Solo é um personagem popular e teve uma participação inesquecível na saga, especialmente no Episódio VII, mas ele não é uma grande estrela. Não se viu uma grande empolgação em torno da produção desde que foi anunciada, pelo menos nada comparado com as demais da saga.

O spinoff Rogue One gerou buzz porque foi o primeiro da história da franquia e foi uma transição entre dois episódios, na qual ainda tínhamos uma figura amada pelos fãs: Darth Vader. Como não conferir? Agora, o que Solo tinha a oferecer de tão especial? Ainda mais sem Harrison Ford?

 

5- Alden Ehrenreich

O rosto que consagrou o personagem foi o de Ford. Por mais elogiada que tenha sido a atuação de Ehrenreich, não é a mesma coisa sem o primeiro. E o fato de se tratar de um ator pouco conhecido, sem presença nas mídias sociais e sem um carisma de chamar a atenção, também atrapalhou a identificação do público com o protagonista. Ficou aquele sentimento de que estávamos vendo um estranho na pele de Solo.

 

Por que não escolheram dezembro de 2018 como data de lançamento? A Disney ainda poderia levar o filme a eventos como a Comic-Con de San Diego, em julho, para apresentar o elenco – especialmente Ehrenreich – e divulgar o trailer com maior antecedência.

O estúdio foi com sede demais ao pote e acabou dando um tiro no pé.

 

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