ENTREVISTA – Gil Caserta Cinema de Buteco

Gil Caserta, artista gráfico de Sorocaba (interior de São Paulo) participou da produção de “O Menino e o Mundo”, dirigido por Alê Abreu. Foi a primeira vez que um longa brasileiro de animação concorreu ao Oscar. Gil colaborou na finalização das cenas, ajuste de imagens, movimentos de câmera, preparando os arquivos para o formato de exibição digital.

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  1. Há quanto tempo você é envolvido com criação de animações?

Peguei a fase da introdução dos computadores na animação, em meados da década de 80.

  1. Como surgiu a oportunidade de você fazer parte do projeto do filme?

Conheci o Alê por volta de 92/93 quando ele produzia algumas animações para comerciais. Posteriormente, minha produtora na época auxiliou na finalização do seu segundo curta “O Espantalho” e do longa “Garoto Cósmico”. A partir desse relacionamento foi natural surgir o convite para o trabalho.

  1. Em que aspecto o resultado final atraiu a Academia?

Não tenho idéia. O que posso te dizer é que a distribuidora nos EUA, a Gkids optou por lançá-lo apenas no final de 2015 para concorrer ao Oscar deste ano, porque avaliou que teria maiores chances em função dos concorrentes.

  1. Como você vê o cenário de filmes de animação da atualidade?

No Brasil estamos num bom momento, com séries animadas em exibição na tv e com boas audiências, e inúmeras outras em produção graças à leis de estímulo e cotas de exibição. No cinema, longas brasileiros ganharam importantes festivais e, no momento, mais de uma dezena de filmes animados estão em produção.

  1. Como foi concorrer com animações da Pixar que já estão no mercado há um bom tempo, com vários sucessos?

Todos os filmes que chegam na disputa do Oscar devem ser encarados como prováveis vencedores. É claro que a Pixar, pela tradição, qualidade, lobby e estar completando 20 anos era o grande favorito.

  1. Como você enxerga o cenário brasileiro em relação ao cinema? Como vê a produção de filmes no país?

Conheço pouco sobre a produção de filmes em geral.

  1. Quais as suas animações brasileiras favoritas (longas ou curtas), e animadores brasileiros (atuais ou antigos) que você acha que merecem um reconhecimento maior?

Precisamos resgatar nossa história e trazer essas informações ao público. Eu gosto muito do primeiro longa animado colorido “Piconzé”, do Ypê Nakashima e do “Até que a Sbórnia nos Separe” da Otto Desenhos Animados.

  1. Existe algo no mainstream da animação recente (Disney, Pixar, Dreamworks, Fox etc) que chame a sua atenção?

Assista Zootopia – só vi o trailer, mas me parece diferente do padrão atual e tem um brasileiro na direção de animação, o Renato dos Anjos.

  1. Quais são os planos para o futuro? Algum projeto em mente?

Fomentar a produção regional de animação, através de ações que já vem sendo realFomentar a produção regional de animação, através de ações que já vem sendo realizadas há dois anos junto ao Sesc (https://www.facebook.com/groups/incub). E, quem sabe, um curso de graduação em animação?

Juliana Vannucchi