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O Cinema Frustrante de 2017: Filmes que decepcionaram!

A primeira parte da nossa lista de expectativas já foi publicada e dividi com o Marcelo Seabra,do blog O Pipoqueiro,, tudo que me surpreendeu em 2017. Agora é a vez de prosseguir compartilhando as imensas frustrações que o cinema nos proporcionou esse ano. Será que teve muita coisa?

LEIA TAMBÉM: As surpresas de 2017

Nota do editor:  A lista de Principais Surpresas e a lista de Principais Decepções são baseadas na opinião de dois críticos que foram ao cinema com expectativas prévias em relação aos filmes mencionados, e acabaram surpreendidos de uma maneira positiva ou negativa após assisti-los. De maneira alguma, as listas citadas representam os “melhores” ou os “piores” filmes do ano.

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Conheça agora as principais decepções do cinema em 2017, por Marcelo Seabra:

A Torre Negra

Uma obra de Stephen King permanecia intocada: a série de oito livros A Torre Negra, tida como inadaptável. Coube ao dinamarquês Nikolaj Arcel, com um roteiro assinado a oito mãos (inclusive as dele), cuidar da adaptação. Que, na verdade, não é exatamente uma adaptação, mas uma apropriação dos personagens em uma outra realidade. A Torre Negra (The Dark Tower, 2017) dá vida ao Pistoleiro e ao Homem de Preto, os icônicos antagonistas do mundo criado por King e desenvolvido por mais de 30 anos. Mas a luta entre Roland e Walter, que parece ser milenar como a do bem contra o mal, nunca foi resolvida sabe-se lá porquê. E o objetivo do vilão? Governar um mundo morto, cheio de monstros. Pior do que isso, só o conflito mequetrefe que surge para colocar em xeque a amizade do Pistoleiro com o garoto. Uma decepção atrás da outra.

Kingsman 2

Depois do sucesso do primeiro filme, em 2014, uma sequência de Kingsman já era certa. No elenco, todos que precisaram voltar aceitaram o convite. Só quem não voltou foi o frescor, já que a história deixou de ser novidade. Para tentar compensar essa baixa, a dupla pegou as situações e jogou nas alturas, perdendo timing, exaurindo o humor e extinguindo a paciência do público. Com inacreditáveis duas horas e vinte minutos de duração, 80 minutos a menos que a montagem preliminar, Kingsman 2 (2017) se estende demais em vários momentos, caindo em lugares-comuns vazios e sem graça.

Boneco de Neve

Entrando para a longa lista de cineastas que ficaram extremamente insatisfeitos com um longa que comandaram, o sueco Tomas Alfredson nem esperou pelo lançamento para se manifestar. Ele afirma que quando assumiu a direção de Boneco de Neve (The Snowman, 2017), veio o sinal verde e tudo teve que ser corrido. Por causa disso, entre 10 e 15% do roteiro não foi filmado, resultando em uma colcha de retalhos faltando pedaços. O fracasso é uma pena se notarmos que se trata do diretor de Deixa Ela Entrar (2008) e O Espião que Sabia Demais (2011), dois filmes excepcionais. E a história é do festejado escritor Jo Nesbø, cujo livro deu origem a Headhunters (2011), além de contar com um elenco invejável.

boneco de neve

A Múmia

Entrando na onda dos universos compartilhados, a Universal Pictures resolveu relançar seus monstros clássicos e uni-los, de alguma forma. Para dar o pontapé inicial, chega A Múmia (The Mummy, 2017). Devido à importância dessa primeira investida, que busca estabelecer um rumo e tem que fazer muito barulho nas bilheterias, o estúdio não deixou barato: escalou Tom Cruise e Russell Crowe. Os exageros, entre tiroteios, explosões e demais cataclismas, estão presentes o tempo todo e cansam. Quem espera por sustos ou clima de terror vai se desapontar. A ação genérica nos toma menos tempo do que parece, mas é tempo perdido.

Rei Arthur

É impressionante o número de obras que recontam as lendas de Arthur Pendragon e seus cavaleiros. Rei Arthur: A Lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword, 2017) poderia se chamar Arthur Origens, ou A História Não Contada de Arthur. Ou seja: várias novidades numa história que já é conhecida, deturpando-a até que não consigamos mais reconhecer o protagonista. Parece que Guy Ritchie e seu parceiro habitual, o produtor e roteirista Lionel Wigram, partiram para uma nova tomada da história e acabaram repetindo o Sherlock Holmes da dupla, ressaltando os pontos negativos. Esse Rei Arthur é muito Sherlock Holmes para ter vida própria, e não tem identidade. É apenas uma fábula sobre um futuro rei que precisa cavar seu caminho em meio a desafios previsíveis e formulaicos.

Menções desonrosas

A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell

A adaptação da animação Ghost in the Shell ganhou no Brasil o título A Vigilante do Amanhã (2017) e tem Scarlett Johansson à frente do elenco. Tentando ser diferente de sua fonte, o roteiro traz tudo escancarado de início e a história torna-se apenas uma perseguição, com alguns fatores sendo alterados ao longo da projeção. A jornada de autodescobrimento da Major fica em segundo plano e tudo cai num lugar comum previsível. Não há suspense, não há mistério.

Corra!

Depois de receber críticas extremamente favoráveis nos Estados Unidos, Corra (Get Out, 2017) chegou ao Brasil bem badalado. É a primeira incursão do comediante Jordan Peele na direção de um longa, e ele atacou logo no terror, com um roteiro dele próprio. Os quase 200 milhões de dólares de arrecadação imediata dizem que a empreitada deu certo. Só não revelam que se trata de uma bobagem sem pé nem cabeça que bebe descaradamente em várias fontes. Peele copia descadaramente outras histórias famosas e o grande mistério é revelado de maneira bem didática, passando longe de qualquer suspense. E muito fica não dito. O roteiro parece jogar a responsabilidade da compreensão para o espectador, que tira a conclusão que quiser e, aí sim, poderá comprar a ideia.

O Círculo


Adaptando um livro de Dave Eggers, com roteiro do próprio e do diretor, James Ponsoldt, O Círculo (The Circle, 2017) parece querer apontar dedos e mostrar para onde estamos indo com o uso de tanta tecnologia e com cada vez menos privacidade. Mas a crítica é tão datada e superficial que lembra um longa de 1999, Ed TV, que fazia uma versão rudimentar do que O Círculo faz. Situações exageradas são enfileiradas apenas para conduzir a história e o longa trata o espectador como imbecil, escancarando e simplificando tudo.

Filmes que decepcionaram em 2017 – por Tullio Dias

Baywatch

Ainda estou chocado com o Marcelo ter incluído Corra! nessa lista. Imagino que ele tenha feito careta quando viu que coloquei Piratas do Caribe na lista de surpresas, no entanto. Gosto é gosto, bagagem é bagagem, e ponto de vista é ponto de vista, né?

Minha primeira decepção de 2017 foi com a comédia Baywatch, que depois de ouvir o próprio Marcelo dizendo que era uma bosta e com a Maristela (Cinema no Escurinho) concordando, tive certeza que eu amaria. Sou desses…

Mas a verdade é que Zac Efron não conseguiu impedir essa decepção. Baywatch é muito louco e sem noção, o que é divertido, mas seu problema é que parece tentar se levar à sério mesmo assim e fica com aquele clima de que vai ter uma grande virada e nunca tem. Frustrante define.

critica de baywatch

Velozes e Furiosos 8

Todo mundo sabe que existe uma lógica interna muito peculiar na franquia Velozes e Furiosos. Coisas como pistas de decolagem infinitas e tal. A gente sabe disso. A gente até gosta disso, né?

Só que tudo tem limite e até na falta de racionalidade precisa manter o foco numa boa história. Saber que o carisma dos personagens é importante, mas que roteiro nenhum pode depender apenas da careca reluzente do Vin Diesel ou dos músculos dos dedos do Dwayne Johnson.

Velozes e Furiosos 8 derrapa feio e capota para fora de uma franquia irregular, mas que já me divertiu muito num passado. Bem distante.

Alien: Covenant

Antes de qualquer coisa: eu gostei de Alien: Covenant na 1ª vez que assisti. Fui lá e escrevi a crítica que está no site. Bacana. Mantenho o que escrevi, mas…

O lance de trabalhar falando de cinema é que a gente vai pensando sobre as obras e concluindo que certas coisas foram ruins. Covenant está cheio de “certas coisas” e se tornou uma frustração enorme agora que paro e lembro o quanto Ridley Scott vacilou.

Essa pré-sequência de Alien não está nem perto do seu original ou de Prometheus: é quase como se fosse algo novo no mesmo universo e tudo que eu queria era ver aquele bicho feio babão matando tripulantes de uma nave espacial. Tá difícil me atender, sir Ridley?


Planeta dos Macacos: A Guerra

Aqui é um caso sério de frustração que vira raiva.

Quando penso em Planeta dos Macacos: O Confronto e lembro o quanto achei fantástico, tenho vontade de puxar meu cérebro pelas minhas narinas e jogar o pouco que restou dele na privada.

Tudo isso porque não acredito que um filme tão bom tenha recebido uma sequência tão bosta e capenga. Planeta dos Macacos: A Guerra foi a coisa mais broxante que assisti em muitos anos. Conseguiram arruinar uma franquia com uma história fraca que simplesmente não deveria nem existir.

Puta filme desnecessário, cujo único mérito está numa atuação de um Woody Harrelson mais doido que o Batman.

Guardiões da Galáxia vol 2

Meio que não tinha outra sugestão para completar as 5 decepções, mas me lembrei da sensação que tive ao sair da sessão de Guardiões da Galáxia 2.

Ao contrário dos outros lançamentos citados acima, não achei a aventura dos loucos espaciais ruim. É até melhor que o original em muitos aspectos. Ele é adulto, tem uma trama pesada sobre paternidade, dificuldade de se encaixar em uma tribo etc. Só que parecia que algo estava desconectado na trama. Parecia que faltava um “tcham” super especial, como aconteceu no original.

Isso me impediu de apreciar o filme como gostaria. Uma pena.

Relembre quais foram as nossas surpresas e decepções em outros anos

# As decepções que o cinema nos deu em 2016
# As principais decepções do cinema em 2015

# As principais decepções do cinema em 2014

# As principais decepções do cinema em 2013

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