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MoviePass e o novo hábito de consumo

Uma breve análise sobre a empresa que está tentando revolucionar o cinema

Apesar de não ser um assunto tão novo, acredito que não sejam muitas as pessoas que saibam da existência (e agora possível falência) da empresa MoviePass, então antes de mais nada, vai aqui um resumo.

A empresa oferecia um serviço onde era possível assistir a um filme por dia em qualquer cinema americano pagando apenas US$ 9,99 por mês. E o fato de lembrar outro serviço popular que revolucionou o streaming não é mera coincidência, o CEO da empresa é Mitch Lowe, que participou da criação do Netflix. Segundo ele, o prejuízo inicial já era previsto e tinha planos de expansão na Europa e América Latina, porém essa semana foi noticiado que o prejuízo foi maior que o previsto, que causaram algumas restrições e alterações no serviço. As principais foram no valor, que passou para US$ 14,95, e na quantidade de filmes que poderão ser assistidos, agora apenas 3 por mês, que para os consumidores, ainda é um negócio vantajoso.

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Na imprensa americana só se fala disso, tanto no mercado cinematográfico quanto no mercado financeiro, e por mais interessantes que os fatos envolvendo a saúde financeira da empresa sejam, quero chamar atenção para um ponto que poucos estão se atentando, que é sobre o fato de estarmos diante de uma possível grande mudança na forma como consumimos cinema.

Talvez a quantia que foi cobrada inicialmente realmente tenha que ser revista, uma vez que o valor da assinatura era menor do que o valor de um ingresso inteiro. Porém, o que o MoviePass oferece vai além de ingressos, ele oferece uma mudança de hábito, que leva o consumidor a não apenas ver o filme que deseja, mas a criar um novo comportamento onde ele irá ver o filme que deseja e também estará aberto a assistir vários outros que talvez nunca veria no cinema (como um documentário ou um filme de “arte” por exemplo), além disso, os estúdios não dependeriam tanto de sucessos milionários de blockbuster. Isso coloca em xeque a teoria dos pessimistas que insistem em afirmar que o cinema está fadado ao fracasso.

Outros serviços como Netflix e Spotify já apontaram para essa tendência, criamos um novo modo de ver filmes em casa e ouvir música, não compramos ou baixamos apenas o álbum completo da nossa banda ou artista favorito, hoje, além dos nossos favoritos, ouvimos coisas novas e o que está nas paradas do nosso país ou de outros. Então, apesar de se falar muito sobre o fracasso da MoviePass, eu venho aqui fazer justamente o contrário, que é aplaudir a inovação e torcer para que este modelo de consumo se estabeleça no mundo inteiro.

Mas ressalto que o custo baixo é primordial para que esse hábito de consumo realmente “pegue”, no Brasil até existem serviços parecidos, como a Primepass, que oferece em seu pacote mínimo a quantidade de dois filmes por mês com o custo mensal de R$ 39,90, que até pode ser vantajoso, mas não da mesma forma como é MoviePass hoje, e esse detalhe ($$$) faz toda a diferença.

A pergunta que fica é, estamos preparados para essa nova forma de assistir filmes no cinema? Espero que sim!

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