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Review: Game of Thrones s06e03 – “Oathbreaker”

O que mais vem me incomodando nessa sexta temporada de Game of Thrones é o jeito rápido que o relógio corre. Parece ainda mais acelerado para os produtores (que mais uma vez encerraram um episódio com menos de dez minutos em relação ao que fomos acostumados nos últimos seis anos) do que para nós, meros telespectadores ficando cada mais ansiosos com o desenvolvimento das várias tramas paralelas presentes na série.

Em “Oathbreaker” (quebradora de promessas, na tradução), temos uma espécie de brincadeira com a espada que Jaime Lannister deu para Brienne ou apenas algo relacionado aos nomes na lista de Arya Stark? Ou será que diz respeito à decisão de Jon Snow abandonar a sua família na Muralha? Ou significaria algo em relação ao nosso guerreiro nerd favorito Samwell Tarly, que finalmente reaparece nessa temporada, e quebra a promessa de se manter ao lado de Gilly e do bebê Sam? Talvez tenha alguma relação com as alianças que Ramsay Bolton firma com a Casa Umber e as lembranças de que os Bolton não possuem fama de honrarem as suas promessas. Robb Stark que o diga.

Qualquer que seja a resposta correta, a verdade é que o terceiro episódio manteve a qualidade do sexto ano elevada. Não fosse pelos episódios reduzidos, eu não teria nada a questionar. Bem, talvez tenha algo a reclamar: insisto que a estruturada da temporada se mantém extremamente fragmentada, como se estivéssemos acompanhando um curta-metragem de cinco minutos de duração tentando contar os três filmes da série O Poderoso Chefão. É angustiante sentir tão pouco de cada história. Podemos afirmar que é eficiente para manter o público curioso, mas causa um desgaste que atrapalha o envolvimento e amadurecimento das narrativas em separado. Torço para que os próximos capítulos tenham um foco maior.

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Especialmente se isso significar assistirmos a mais da juventude de Nedd Stark e conhecermos a verdadeira história de sua irmã Lyanna. A trama de Bram aprendendo lições valiosas com o Corvo de Três Olhos continua interessante. Afinal, quem não gosta de reencontrar velhos conhecidos? É interessante observar como o jovem Stark se frustra ao descobrir que o pai mentiu sobre uma história que costumava contar sempre: numa batalha com um famoso guerreiro, Ned sobreviveu apenas porque um de seus amigos atacou o cavaleiro adversário pelas costas. Um ato desonesto e covarde, não é mesmo?

O arco de histórias de Arya Stark deu realmente uma evoluída e o treinamento da garota para ser a Mulher Sem Medo de Westeros entrou em sua reta final. Geralmente eu reclamaria da maneira como tudo aconteceu – não gostei da construção das cenas de treinamento, pois além de serem clichês, não nos fazem saber quanto tempo exatamente se passou nesse treinamento – mas estava tão chato que dei graças a Deus que se resolveu logo.

A grande surpresa da noite ficou por conta do retorno inesperado de Rickon Stark. O problema de escalar crianças em séries é que elas crescem demais e não é nada convincente para a narrativa ver um moleque de seis anos aparecendo como se tivesse 16.  De qualquer forma, o Stark mais novo é oferecido como refém para Ramsay Bolton e nos faz imaginar o quanto esse moleque irá sofrer  no futuro.  Isso se Ramsay não usar a sua inteligência para atrair Jon Snow para um aguardado confronto. Verdade seja dita: era melhor Rickon ter permanecido perdido do que ficar nas mãos de um psicopata desses…

Game of Thrones review Oathbreaker

Por último, mas não menos importante, Jon Snow acordou de sua morte e cumpriu seu dever como Lorde Comandante ao assassinar o grupo de conspiradores golpistas que armaram a sua morte. Mas nosso herói não se sente bem e feliz com a sua ressurreição. É como se ele sentisse que finalmente havia encontrado a paz e tiraram isso dele. Nem na morte o pobre coitado Jon Snow pode descansar. Sua última decisão é deixar o comando da Muralha e dar a entender que irá desaparecer. Ou voltar para Winterfell.

No mais, “Oathbreaker” continuou a alta média de mortes por episódio. Foram mais de cinco personagens assassinados desta vez, quatro apenas na Muralha e o restante na lembrança do passado de Ned. Espero que o tempo menor dedicado para nos contar a história da sexta temporada seja porque os produtores não querem nos enrolar por muito tempo e não por falta de assunto. Seria uma pena ver uma série tão boa perdendo qualidade logo na sua reta final.

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