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Review: Game of Thrones s06e04 – “Book of the Stranger”

O episódio mais fraco da sexta temporada ainda consegue ser mais interessante que todo o material presente no quinto ano de Game of Thrones. E quando digo isso, não significa que a quinta temporada seja ruim – muito pelo contrário inclusive, já que defendo que mesmo com o seu ritmo lento e clima “filler”, tudo que assistimos em 2015 é fundamental para o que está acontecendo agora. Imagino que, quando a série acabar, perceberemos a importância do quinto ano.

“Book of the Stranger” é um episódio fraco se formos levar em consideração tudo que assistimos até agora nesta sexta temporada. Me chama de sádico, mas mesmo que com tantas mortes, a impressão é que apenas três personagens morreram (lembrando que dentro do salão dos Khals existiam no mínimo dez homens e todos viraram poeira) e a narrativa se preocupou mais em preparar a informação para o que virá a seguir. Ou seja, um capítulo que se encaixa perfeitamente na proposta da quinta temporada, não é mesmo?

Para todos que acreditaram que o fim da vigília (ou “virgília”, para os velhos de guerra da época do Orkut e Lost) havia chegado para Jon Snow, a revelação inesperada de que Ramsay estava com o pequeno Rickon aprisionado em seu calabouço e o reencontro emocionante (lágrimas nos olhos de vocês também?) com Sansa Stark parece ter mudado um pouco esses planos.

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Inicialmente, Snow resistiu ao pedido da irmã em recuperar Winterfell, mas agora que sabe que o irmão mais novo está sendo usado como moeda de troca será difícil não imaginar que um enorme confronto se aproxima. Inclusive, com a ajuda do povo do Vale, já que Lord Petyr Baelish, em sua estreia na temporada, continuou demonstrando o seu controle e capacidade de manipulação ao levar os guerreiros para se juntarem a Jon Snow na Muralha e atacarem os Bolton.

A grande pergunta é: o que o Mindinho pretende com tudo isso? Certamente não é uma ação altruísta.

Tyrion Lannister elevou a qualidade da narrativa ao fazer a política necessária para garantir a paz. Uma das grandes deficiências da série é não conseguir retratar aspectos, digamos, secundários dos livros, como as crises econômicas que assolaram os lugares em que Khaleesi interferiu acabando com a escravidão. Não há maneira de mostrar que os escravos passaram a viver famintos e se viram obrigados a voltarem a trabalhar para seus mestres para sobreviverem. “Book of the Stranger” compensa isso para a alegria dos fãs mais interessados em administração e governo: Tyrion diz que é necessário manter a paz com os inimigos, e não com os amigos. E permite que os mestres voltem a ter escravos por um prazo de sete anos até conseguirem se adequar à nova realidade. O que o anão faz, além de garantir o melhor momento do episódio, é mostrar seu talento e justificar a confiança de Khaleesi, que certamente não ficará nada contente com essa resolução usada por Tyrion para tentar a paz e minar a força dos terroristas que tentam matar a Rainha.

A morte de Osha tentou surpreender com uma insinuação bem falsa de que a selvagem conseguiria alcançar uma faca e matar Ramsay, mas tudo não passou de mais um exercício de tortura do novo Lorde de Winterfell e dos produtores com os telespectadores. Por um instante tentei imaginar se poderia ser possível ou se ela escaparia da morte certa, mas logo o maior vilão da história da série já estava com uma faca no pescoço da garota. E claro que depois continuou comendo a sua maçã como se nada tivesse acontecido.

Por fim, depois de ver Sir Jorah e Daario Naharis finalmente iniciando seu plano de resgate da Mãe dos Dragões (e de uma dinâmica que finalmente funcionou tão bem quanto deveria), a jovem loira Quebradora das Correntes decide usar seus poderes (ou intimidade com o fogo) para queimar todos os Dothrakis com sangue nos olhos e que nunca se curvariam diante uma mulher (paralelamente, é curioso acompanharmos Theon Greyjoy reencontrando a irmã e oferecendo seu apoio para que ela assuma as Ilhas de Ferro). Emilia Clarke nua, com peitos digitais ou não, é sempre um colírio, mas a verdade é que a cena não causa impacto nos telespectadores e se torna, de certa forma, gratuita. Foi bem mais eficiente mostrar a forma como ela conduziu o seu julgamento e a frieza com que exterminou todos seus novos inimigos. A nudez seria inevitável, mas confesso que parecia meio inadequada. Talvez pela hipocrisia do ângulo da câmera pegar apenas da barriga para cima enquanto ela observa todos com um olhar triunfante. Porém, não há como negar que ver todos os Dothrakis ajoelhados foi épico.

“Book of the Stranger” foi o momento menos fragmentado da temporada e ofereceu ao público uma história mais concentrada para que a gente pudesse se envolver mais com os arcos de história. Desta vez, Arya e Bran ficaram de fora, assim como o arco de história com a vingança de Cersei contra o Alto Pardão receberam uma atenção menor (mas não menos importante, já que está preparado para um enorme confronto em Kings Landing – tão aguardado quanto o confronto entre Jon Snow e Ramsay Bolton ou até mais). Estratégia inteligente e que espero ver novamente ao longo da temporada e para dar um alívio na quantidade de informação que os roteiristas estão jogando no público.

O Tullio Dias e a Path Torres iniciaram um projeto chamado hanGOT para um bate-papo sobre o episódio da semana em Game of Thrones. Assine o nosso canal no YouTube para não perder nenhuma edição dos programas.

hanGOT #1 – “The Red Woman”
hanGOT #2 – Home
hanGOT #3 – Oathbreaker

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