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Review: Game of Thrones s06e05 – “The Door”

Se o Casamento Vermelho nos deixou chocados e com lágrimas nos olhos por sua selvageria, temos um efeito próximo disso durante os minutos finais do quinto episódio, “The Door”, da sexta temporada. Inesperado, surpreendente e extremamente triste, o arco de histórias de Bran e do Corvo de Três Olhos se encerrou e o pequeno Stark agora está “pronto” para encontrar o seu lugar na batalha.

Incrível como os Starks conseguem se meter aonde não são chamados e estragarem tudo, não é mesmo? A curiosidade Bran custou caro. Após conhecer a origem dos White Walkers, o pequeno tentou descobrir mais informações e conhecimento. É arrepiante ver como a “casa caiu” para Bran depois que todos os “zumbis” notam a sua presença e ele é tocado pelo líder dos WW, o que acaba funcionando como um “convite” para que eles invadam o esconderijo em que o Corvo tenta ensinar a história para o jovem Stark que ainda não aprendeu a se manter longe de confusão.

Me incomoda a forma como alguns personagens simplesmente se teletransportam na série. Se alguns arcos demoram anos para se desenvolverem ou tomam muitos episódios até que os personagens se encontrem, como é que podemos aceitar “de boa” que Lord Baelish brote do nada na frente de Sansa e que os WW surjam de repente no final do episódio em busca de Bran? Difícil, né? Claro que para os telespectadores que conhecem a geografia da obra de George Martin devem ter uma resposta para isso, mas eu como “leigo” me sinto incomodado.

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De qualquer forma, ainda sobre os minutos finais e a trama de Bran, meu Deus! Afinal, os White Walkers se sentiram ameaçados pela capacidade de Bran voltar no tempo? A revelação sobre Willys e o verdadeiro significado de “Hodor” estão entre os momentos mais emocionantes de Game of Thrones. Sempre acostumada a nos chocar, a série demonstrou uma sensibilidade única para mostrar o peso da culpa de Bran em estragar uma vida e “detonar” o cérebro do jovem Hodor em sua adolescência. Os pedidos de “hold the door” repetidos rapida e desesperadamente formam o som de “Hodor”, o que já valeria as lágrimas, mas a morte do personagem aumentou ainda mais a carga dramática. E o que dizer do lobo Verão?

Estou inconsolável com esse quinto episódio.

De verdade.

Enfim.

Peter Baelish continua demonstrando seu talento para manipular pessoas através do seu cinismo. Desta vez, ele se arriscou mais, mas acabou plantando a semente da desconfiança em Sansa Stark, durante o reencontro da dupla. Sansa é pesada nas críticas e pela primeira vez mostrou para o telespectador como se sentiu depois de ser a esposa de Ramsay. Triste, mas ao mesmo tempo nos faz ver a força da personagem e o quanto ela se parece com a mãe.

(Ainda nesse grupo, como ignorar os olhares apaixonados de Tortmund – que chega até a suspirar em uma cena – para Brienne? Humor leve, natural e inteligente. Como não amar essa série?)

Arya Stark recebeu uma nova chance e de quebra o roteiro mostra toda a sua inteligência ao colocar a jovem assistindo a uma peça de teatro que faz paródia com todos os eventos que aconteceram desde a morte de Robert, na primeira temporada. GoT brincando com metalinguagem. Percebam que a pequena é sádica ao rir da desgraça dos Lannisters, mas muda o semblante completamente quando um ator entra em cena interpretando o seu pai.

Tyrion e Varys desfrutam dos efeitos da política usada no episódio anterior, mas ainda sentem que algo a mais é necessário. Entra em cena uma nova bruxa velha ruiva que deixa Tyrion praticamente sem ar (reparem nos olhares dele para as pernas desnudas dela e o jeito como o pequeno leãozinho se transforma num gatinho sem palavras), enquanto fala sobre a noite em que Varys perdeu as suas “joias” e ouviu uma voz o chamando nas chamas… Como a Path Torres costuma dizer nas edições do hanGOT, o Varys é um personagem muito incrível e está passando da hora de sermos presenteados com maiores informações sobre o seu passado e suas reais intenções. Agora… o discurso da nova bruxa é arrepiante e nos faz pensar em como será quando Jon Snow e Khaleesi cruzarem o caminho um do outro.

Por fim, os irmãos Greyjoy escapam de seu reino rumo a um destino desconhecido para fugir da chance de serem mortos pelo tio – ou será que tentarão lutar sozinhos para mostrar o seu valor?

“The Door” não é o melhor episódio de Game of Thrones, mas está na lista dos momentos mais marcantes e especiais vistos nos últimos seis anos. A morte de Hodor será sentida ainda por muito tempo entre os fãs, assim como o lobo Verão, mas à medida em que avançamos na temporada (e no fim da série), será inevitável acompanhar outras mortes.

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