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Top 5 motivos para você assistir A Bruxa nos cinemas

O Tullio Dias gostou tanto do filme dirigido por Robert Eggers que até preparou um especial sem spoilers com 5 motivos para você assistir A Bruxa nos cinemas:

a-bruxa-crítica-2016-838x505 Top 5 motivos para você assistir A Bruxa nos cinemas

DE VEZ EM QUANDO ACONTECE DO GÊNERO TERROR NOS PRESENTEAR COM VERDADEIRAS JOIAS, como é o caso de A Bruxa, de Robert Eggers. Na maioria das vezes somos bombardeados por filmes ruins e sem graça, que apostam em tramas rasas e em cenas de sustos previsíveis. Exemplos como O Senhor Babadook e Corrente do Mal são cada vez mais raros num mercado em que poucos cineastas conseguem combinar as necessidades dos estúdios em obras de qualidade, como é o caso de Invocação do Mal, de James Wan.

Mesmo com duas críticas publicadas no nosso acervo, decidimos que A Bruxa merece um material especial com cinco motivos para você ir se aventurar nos cinemas. Acompanhe:

#5 – Sustos? Que nada! A Bruxa prefere deixar o seu público com medo!

Como falamos na introdução, o terror geralmente é associado com “sustos”. Uma parcela do público acredita que se você não levar um belo susto, não vale a pena. Pois bem. Existem no mínimo duas cenas com esse intuito, mas nenhuma delas é gratuita como acontece na maioria dos casos.

Ao invés de fazer seus espectadores pularem da cadeira, Eggers prefere nos deixar com o cu na mão. Não há maneira melhor para descrever. A Bruxa nos deixa arrepiados e sentindo o maior medo. Portanto, fica a nossa dica: cuidado com os horários escolhidos para a sua sessão. Se conseguir driblar salas lotadas de adolescentes, é melhor. O grande Marcelo Milici, do site Boca do Inferno, afirmou que as “zoações” do pessoal nas salas é apenas uma válvula de escape para o medo que sentem com o que está em cena. Ele não poderia estar mais certo.

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#4 – Não é uma obra para adolescentes acostumados com porcarias: É cinemão!

Se a gente colocar na balança, A Bruxa está mais para o lado de O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, do que para Invocação do Mal, de James Wan. E isso pode ser um grande choque para o público que for ao cinema esperando por uma obra com ritmo mais alucinante e sustos gratuitos.

A narrativa não se entrega aos caminhos sedutores do gênero e investe numa pesada construção do ambiente para nos deixar de queixo caído nos últimos 20 minutos de projeção. Até lá, o que acompanhamos é uma trama lenta que trabalha com metáforas e se apoia muito na eficiência de seu elenco. Assim como acontece em O Bebê de Rosemary, o suspense se sobressai aos sustos e aos poucos vamos mergulhando na mais profunda escuridão.

A consequência é provavelmente o melhor filme de terror da década.

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#3- Religião, sexo e família

Além de ser um dos melhores longas sobre bruxaria a que já tive o prazer de assistir (E me borrar inteiro de medo depois), a obra de Robert Eggers coloca o fanatismo religioso como um dos seus principais motes para o desenvolvimento da narrativa. A Bruxa se passa em uma comunidade rural em 1630. Os nossos protagonistas são “exilados” para uma fazenda próxima de uma floresta e lá continuam as suas vidas até que estranhos acontecimentos começam a causar grandes crises na tradicional família (que poderia muito bem ser brasileira), sobrando até para a filha adolescente mais velha.

Ao invés de focar a sua ação na tal bruxa, o roteiro investe na fé cega que faz com que pessoas que se amam fiquem umas contra as outras. Muito do medo que nós sentimos assistindo ao filme é causado pelo fanatismo dos protagonistas.

Parece que finalmente temos uma produção capaz de superar O Nevoeiro, de Frank Darabont, se tratando de religião.

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#2- O bode Black Phillip

Para quem entende um pouco de magia negra e ocultismo, a mera presença de um fucking bode preto numa fazenda isolada do mundo já seria um motivo e tanto para preocupação. A figura do animal intimida sem precisar de grandes esforços. Apenas pelo seu simbolismo, o bode Black Phillip se garante como um dos detalhes que tornam A Bruxa tão assustador.

Curiosamente, o recente Boneco do Mal também conta com um bode empalado como decoração da mansão. Para quem não sabe do que se trata, aqui vai a nossa crítica!

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#1- O Ato Final

Por último, mas não menos importante, temos o ato final.

Só para explicar: a maioria das obras pode ser dividida em três atos. A introdução, que é a contextualização do filme (e geralmente pega os primeiros 10, 15 minutos); o desenvolvimento, que é quando o problema principal é revelado (dos 20 minutos até os 90, 100 minutos); até a conclusão, que resolve todos os conflitos (e ocupa os 20 minutos finais). A grosso modo, assim ajuda a entender como funciona essa divisão.

Depois de investir num ritmo lento em boa parte do filme, Eggers surpreende o público com uma verdadeira sessão de cenas arrepiantes. Todas as pistas dadas pelo roteiro ao longo da narrativa se encontram aqui e só nos resta segurar o queixo com o desfecho da história. Tudo funciona perfeitamente bem porque o diretor foi inteligente e nada apressado com os detalhes do seu filme. Ao invés de saciar a curiosidade do público com informações, ele apenas aumentou a expectativa e nos provou que, apesar do título, A Bruxa é sobre uma família religiosa sofrendo com as tentações do oculto.

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Redação do Buteco

Cinema por quem entende mais de mesa de bar.